A série Once Upon a Time, da ABC – em português Era Uma Vez, exibido no AXN White – regressou com a sua quinta temporada no dia 27 de setembro com um novo conceito que parece levar a série num bom rumo. Este artigo contém spoilers.

No final da última temporada, Emma Swan (Jennifer Morrison) sacrificou a sua vida para salvar Regina e tornou-se a nova Dark One. Segundo as instruções do Aprendiz (Timothy Webber), Emma terá agora de encontrar a Merlin (Elliot Knight) para se conseguir ver livre da escuridão que a consome aos poucos. A protagonista é transportada para a Floresta Encantada, deixando todos os outros para trás em Storybrooke.

O1Durante as últimas duas temporadas, a série dividia-se em capítulos, cada um deles introduzindo um novo leque de heróis e vilões. Viajámos da Terra do Nunca para Oz, assistimos ao aparecimento de Elsa e do respetivo universo do filme Frozen, e terminámos a viagem com a ascensão das chamadas Rainhas da Escuridão: Maleficent, Cruela e Ursula.

A nova marcha que Once Upon a Time tomou parece ser uma boa aposta, pois voltou a concentrar-se nas personagens originais, mas desta vez com uma inversão de papéis interessante. A série sempre explorou o confronto entre o bem e o mal, opondo vilões e heróis, mas o que acontecerá agora que Emma, a heroína e chamada “salvadora” da série, se tornou na maior ameaça que as personagens já enfrentaram?

Na Floresta Encantada, Emma assiste a Rumplestiltskin (Robert Carlyle) como a voz da sua consciência – uma boa jogada para manter o ator na série, visto que a sua personagem em Storybrooke ficou num estado de coma. No seu caminho para a salvação, a protagonista cruza-se com Merida (Amy Manson), a qual o público provavelmente conhece do filme Brave. Esta nova personagem parece ter tudo para dar certo, ela própria confessa já ter enfrentado a escuridão ao longo da sua vida e acaba por se tornar uma aliada de Emma, ajudando-a na sua demanda.

Ainda na Floresta Encantada, assistimos ao aparecimento de Rei Artur (Liam Garrigan) e Lancelot (Sinqua Walls), que nos introduzem ao universo de Camelot. Quando Rei Artur remove a famosa espada Excalibur da pedra, descobre que falta uma peça final – peça essa que é, nada mais nada menos, que a adaga de Dark One. Uma cena interessante que joga de imediato as sementes para que antigas e novas personagens cruzem eventualmente caminhos.

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Em Storybrooke, os restantes habitantes procuram uma maneira de viajar para o outro mundo de modo a reunirem-se a Emma. Assim, Mary Margaret/Branca de Neve (Ginnifer Goodwin), David/Príncipe Encantado (Josh Dallas), Regina/Bruxa Má (Lana Parilla), Robin Hood (Sean Maguire), Bela (Emilie de Ravin), entre outros, utilizam uma varinha deixada pelo aprendiz e acabam por ver o seu objetivo cumprido. Agora reunidas, as personagens dirigem-se a Camelot para dar início à salvação de Emma.

Para um episódio que até aqui surpreendera em vários aspectos, os últimos minutos conseguem ser ainda melhores. Após uma legenda que nos indica uma elipse de seis semanas, as personagens regressam a Storybrooke com nenhuma memória do que aconteceu nesse espaço de tempo. Emma aparece, mas desta vez totalmente consumida pela escuridão, tal como a série prometera em vários momentos de publicidade: “The Dark Swan Shall Rise”. A protagonista anuncia que a demanda dos seus companheiros falhou e que ela não descansará enquanto não arruinar a vida de cada um que se encontra perante ela.

Once Upon a Time surpreendeu em numerosos aspetos. Primeiramente, os efeitos especiais realizados a computador tiveram uma evolução notável: toda a imagem e montagem do episódio parecem ter tido um trabalho superior comparativamente a temporadas passadas. Foi bom assistir a um regresso ao universo das duas primeiras temporadas em que cada personagem confronta o bem e o mal dentro de si de modo a enfrentar a ameaça latente. Esta inversão de papéis foi a escolha acertada para atribuir uma renovação à série e dar-lhe novos ares – algo que parecia ser urgente após a quarta temporada não ter tido grande sucesso. Definitivamente um regresso merecedor de ser visto.

NOTA: 8.5/10