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MOTELx’15: sustos, gore e uma pitada de nonsense

Após um dia de abertura onde foram exibidos apenas dois filmes, o MOTELx abriu as portas do Cinema São Jorge para a segunda etapa desta sua 9.ª edição com um maior número de títulos exibidos vindos de vários pontos do globo.

Agora com a programação a ocupar tarde e noite na totalidade, a adesão do público foi impressionante, não só dentro das salas (muitas e longas filas e sessões bem lotadas por públicos de todas as idades) mas também fora delas, sendo muitas as atrações para aqueles que não tinham bilhetes: zombies a oferecer chupa-chupas em forma de olho, gelados Bloody I Scream grátis e, como já é tradicional, um ambiente que encanta todos os fãs de terror.

The Invitation: 7/10

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The Invitation abre as hostes na programação do segundo dia do festival na Sala Manoel de Oliveira. E, não sendo no entanto um filme memorável ou especialmente criativo, é eficaz no que se pressupõe a fazer: criar tensão confiando apenas nos elementos sonoros, visto que em termos de imagem nada de muito relevante acontece na primeira hora da longa-metragem. Mas é esta exímia forma de criar tensão e de criar uma claustrofobia – envolvendo o espaço onde os protagonistas dão vida às suas inseguranças, medos e fantasmas dos passados – que se assume como o grande ponto forte do filme.

O elenco foi carregado por Logan Marshall-Green, um protagonista que dá o seu ponto de vista ao espectador de um jantar aparentemente normal. Desde as primeiras cenas que podemos perceber que Logan é talvez o ponto forte de todo o elenco e é ele que consegue estabelecer o elo de empatia entre a plateia do São Jorge com o grande ecrã e a história destas curiosas personagens, cada uma com os seus traços específicos. Talvez não sendo um filme de terror no sentido que mais o conhecemos, The Invitation é muito mais um thriller que te vai deixar desconfortável na cadeira de cinema, um filme que te vai deixar claustrofóbico e a desconfiar das pessoas mais queridas e perto de ti.

Turbo Kid: 6.5/10

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Os mais atentos aos pequenos fenómenos do YouTube lembrar-se-ão certamente de Kung Fury, uma curta de meia hora que simultaneamente presta homenagem e satiriza os típicos filmes de ação dos anos 80. É um pouco dentro desse espírito que nos chegou Turbo Kid, produção canadiana cujos 95 minutos recreiam o estilo das décadas de 80/90 (a narrativa é passada no “futuro” ano apocalíptico de 1997 e os cenários e pequenos detalhes da história lembram o universo Mad Max) com um acentuado tom cómico e mutos litros de sangue.

Sangue esse que não é utilizado para enfatizar a violência mas sim para tornar o filme mais hilariante. O humor de Turbo Kid gira essencialmente em torno de exageradas quantidades de líquido vermelho, resultantes de cabeças cortadas, olhos perfurados e tantas outras partes do corpo arrancadas brutalmente. Infelizmente, nem sempre as situações sangrentas dão origem a gargalhadas, e quando tal não acontece essas sequências não passam de meras cenas de ação sem grande interesse. Houvesse mais eficácia e estaríamos perante uma engraçadíssima comédia. Não havendo, o visionamento torna-se por vezes sensaborão e, não fossem alguns outros aspetos bem conseguidos (a banda sonora e o romance entre Turbo Kid e a energética Apple, por exemplo), corria o risco de ser ligeiramente aborrecido de tempo a tempo.

The Swimmers: 6.5/10

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Este ano voltamos a ver o cinema Tailandês a ser representado no MOTELx, promovido pela embaixada do país em Portugal, nesta 9.ª edição trouxeram The Swimmers, um filme de terror juvenil e carregado dos muito característicos jump scares. O filme não é de todo mau, simplesmente mistura bastantes características de nonsense que dificulta o trabalho do espectador ao visioná-lo, misturando as emoções tão frequentemente que acabamos por tentar perceber se de facto gostámos ou não do que acabámos de ver.

Tirando algumas incongruências na narrativa e a simplicidade do argumento no que toca a diálogos, The Swimmers continua a ser a promessa de um cinema que se está a desenvolver a passos largos e que, denota-se, está a tentar chegar a um mercado cada vez mais global. O cinema de terror tailandês promete e este filme, mesmo não sendo dos melhores, revela isso mesmo.

Tales of Halloween: 3/10

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Por onde começar? Tales of Halloween é o mais estranho dos títulos de ontem e muito provavelmente continuará a sê-lo até ao final do MOTELx. É um conjunto de dez histórias realizadas por dez cineastas diferentes, todas elas passadas no dia de Halloween (algumas chegam a cruzar-se) e que fizeram a Sala Manoel de Oliveira rir como poucas vezes se vê neste festival. Porquê? Porque a dezena de contos apresentados são anedóticos como tudo! Um ou dois ainda chegam ao patamar do “tão mau que até é bom”, mas a maioria é pura e simplesmente ridícula. É notório que o objetivo do filme é divertir e não assustar, mas seria muito pedir um bocadinho de rigor?

Rapidamente torna-se cansativo assistir a tamanha parvoíce e parece até que as curtas vão ficando mais e mais estapafúrdias. De repente surgem OVNIs, uma bruxa cujo maior transtorno é não ter um filho, abóboras assassinas… O único segmento que merece destaque é Grimm Grinning Ghost. Assinado por Axelle Carolyn (presente na sessão e de quem partiu a ideia deste projeto), segue uma jovem mulher a caminho de casa que parece ser perseguida por um fantasma. Tem a dose certa de humor e um jump scare final que mereceu o aplauso do público. Quase que compensou a baixa qualidade das restantes partes de Tales of Halloween. Quase…

Texto de Ricardo Rodrigues e Sebastião Barata

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