O festival de terror mais assustador de Portugal volta a Lisboa e ao Cinema São Jorge. Com as duas sessões de abertura completamente esgotadas, o MOTELx volta a trazer o melhor do cinema de terror ao público português.

O Espalha-Factos foi à sessão de A Visita, o mais recente filme de M. Shyamalan. Uma sessão que estava cheia há quase uma semana e que comprova o grande sucesso que o MOTELx já tem junto do público lisboeta. Quem foi ontem ao São Jorge viu que esta foi um animado começo na rentrée cinematográfica de Lisboa.

A visita – 6/10

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Sessão de Abertura completamente esgotada para assistir ao regresso de M. Night Shyamalan ao género do terror/thriller. A Visita junta-nos a Becca e Tyler, dois irmãos que vão conhecer os seus avós e com eles passar uma semana de férias numa pacata vila, e com eles vamos começando a presenciar comportamentos bastante bizarros por parte dos dois idosos.

Filmado na terra onde cresceu e autofinanciado, o filme não é bem o que seria de esperar vindo de Shyamalan. Tem, à semelhança dos seus primeiros trabalhos mais conseguidos (O Sexto Sentido, O Protegido e Sinais), um par de personagens interessantes, uma quantidade aceitável de jump scares e um clima de tensão bem construído, para o qual contribui nos instantes finais o típico plot twist shyamalano que acentua o nosso nervoso miudinho. Contudo, a decisão de rodar A Visita em estilo found footage faz com que a narrativa seja preenchida por muitos lugares comuns e algumas implausibilidades que advêm diversas vezes dessa forma de filmar, tornando a fita mediana.

Mas o que diferencia este filme não só dos anteriores de Shyamalan mas também de tantos outros dentro do género é o facto de nunca se levar muito a sério. No cinema de terror encontramos demasiados exemplos de títulos presunçosos que não passam de um desfile de clichés e banalidades, e o próprio realizador já nos tem vindo a oferecer trabalhos anedóticos que ele próprio vê como boas obras. Desta vez, vêem-se no meio da história momentos assumidamente cómicos, levadas a cabo essencialmente pelos dois protagonistas pré-adolescentes (que seriam extremamente desinteressantes não fossem os risos que nos provocam) e que tornam a visualização da obra muito mais divertida (é sempre melhor rir com o filme do que dele).

E apesar dos últimos minutos serem preenchidos por uma falhada (e escusada) tentativa de puxar pela lágrima do espectador (por muito que nos divirtam ou assustem, nunca é criada grande relação afetiva com as personagens), não se pode dizer que a hora e meia do filme seja mal passada. A Visita dá-nos alguns arrepios na espinha, por um bom par de ocasiões faz-nos saltar da cadeira e, surpreendentemente, ainda nos entretém com algum humor descontraído. Dentro do universo Shyamalan, é um curioso regresso aos projetos de aceitável qualidade. Fora dele, não deixa de ser um título diferente do que estamos habituados e cansados de ver neste género. E é ainda uma boa maneira de abrir o MOTELx 2015, que promete continuar a assustar Lisboa nos próximos dias.