Porque nem todos os clássicos têm de ser sérios e tristes, Coppélia é um dos primeiros bailados trágico-cómicos. Melodramático, intenso e macabro, Coppélia merece o destaque nesta edição do Apsarases.

Este bailado de três actos tem coreografia original de Arthur Saint-Léon, música de Léo Delibes e libreto de Charles Nuitter. Este útimo baseou-se em duas histórias do famoso escritor alemão E.T.A. HoffmmanDer Sandmann (O Homem da Areia) e Die Puppe (A Boneca). Coppélia foi apresentado em 1870  no Teatro Imperial da Ópera de Paris, tendo a jovem Giuseppina Bozzacchi no principal papel.

Coppélia conta assim a história de Swanilda e Franz, um casal de jovens apaixonado e pronto a casar. Na aldeia onde vivem existe o estranho e misterioso Doutor Coppelius, um inventor que enlouquece com a morte da sua filha. Acaba por construir uma boneca bailarina que todos os dias coloca na janela. Quando Franz a vê, fica completamente apaixonado e só pensa em conhecer a nova jovem da aldeia. Swanilda decide entrar na casa do Dr. Coppelius para descobrir o que se passa naquela casa misteriosa e quem é a jovem que roubou o coração do seu amado.

Ao entrar na casa do Dr. Coppelius, Swanilda e as amigas descobrem uma série de bonecos mecânicos em tamanho real e a própria Coppélia, ficando muito mais descansadas. Quando o Dr Coppelius chega a casa e vê toda a confusão criada, expulsa as raparigas, mas Swanilda consegue esconder-se e trocar de roupa com Coppélia, deixando a boneca com vida. Durante todo este tempo, também Franz decide subir pela janela e descobrir quem é Coppélia.  Quando o vê, o Dr. Coppelius opta por não o expulsar de casa. Ele precisa de uma alma humana para dar vida à sua filha mecânica. Apercebendo-se de tudo, Swanilda sai da personagem, salva Franz e casam-se.

Durante a cerimónia, o confuso e desnorteado Dr. Coppelius não sabe o que fazer com tantos estragos causados. Indignado exige uma indemnização e Franz e Swanilda decidem oferecer-lhe o dote do casamento. Coppélia acaba com a Valsa das Horas, uma das coreografias mais reconhecidas e onde se destacam os quatro momentos do dia: amanhecer, manhã, tarde e noite.

Giuseppina Bozzacchi foi a primeira Swanilda da história, sendo esse o papel que ficou registado na sua curta carreira. Depois de conseguir o estrelato aos 16 anos, Giuseppina morre um ano depois por doença.

Atualmente, as modernas apresentações de Coppélia já não se baseiam no bailado original, mas sim na reedição de Marius Pepita dos finais do século XIX. Em 1974, George Balanchine coreografou este bailado mantendo apenas o Ato II de Pepita. Recriou o último ato e no primeiro ato alterou as mazurcas, czardas e o solo de Franz.