Depois do sucesso que foi o primeiro dia, foi tempo de descansar o mínimo de horas possível e entrar com toda a energia na segunda dose de música indie diária. Desta vez, com o cartaz mais extenso, o Indie Music Fest prometia alguns grandes nomes – Os Capitães da Areia, Modernos, Taipa + The Blackbirds e Brass Wire Orchestra – e alguns outros em ascensão e que provaram estar à altura do desafio, como os Baixo Soldado, The Gypsies, The Electric Reeds e Los Black Jews. Como prometido, o Espalha-Factos conta-te tudo.

Atrasado: foi assim que arrancou o segundo dia do Indie Music Fest, que nos deveria ter dado música a partir das 16h01, mas que devido a problemas de eletricidade só começou, oficialmente, às 18h01 – ninguém disse que era fácil viver no bosque, certo? No entanto, as primeiras atuações valeram tanto a pena que todos os percalços foram logo esquecidos e desculpados. Quem inaugurou o dia 4 de setembro foram os Baixo Soldado, no Palco Antena 3, que com bons ritmos e boas guitarras deram um bom momento ao público – com direito a mosh, obviamente – pelo que, ao contrário do que diz a sua canção, não precisaram da ajuda de Deus.

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Entretanto, no Palco Cisma, a dupla The Black Zebra proporcionava rock ligeiramente hardcore e totalmente instrumental, excelente para adeptos de headbanging, que chamou uma multidão imensa para os ver.

Mas estava ainda para vir um dos melhores concertos do segundo dia do Indie Music Fest. The Gypsies vieram diretamente de Leça da Palmeira para o palco Antena 3, prontos para dar ao bosque um estilo completamente novo daquele que até então lhe tinha sido oferecido. Imaginem que estão num concerto de indie rock, mas com uma flauta transversal, com uma pandeireta, com ritmos diferentes e uma vontade quase incontrolável de dançar de todas as maneiras e feitios: The Gypsies são isto e muito mais, uma genial fusão de estilos aliada a uma presença em palco muito boa, de quem parece que já faz isto há mais de vinte anos. A banda foi muito bem recebida pelo público, que rapidamente se rendeu ao amor emanado e formou, no fim do concerto, um cordão humano dançante ao qual a gypsy Maria Carvalho se juntou. Após um dos melhores concertos que o Indie Music Fest já viu, The Gypsies provam-nos que vamos continuar a ouvir falar muito deles.

Já a noite começava a chegar quando The Electric Reeds se instalaram no Palco Cisma, com um rock alternativo bem ao estilo do Indie Music Fest e que é sempre bem apreciado do público (na verdade, quem não gosta?). Mais tarde, o palco principal era oficialmente aberto pelos Taipa + the blackbirds, totalmente em português e incrivelmente à vontade com o público, combinando o indie com as letras bonitas e um tanto ou quanto poéticas – houve ainda tempo para uma cover diferente mas muito bem conseguida de Happy, de Pharrel Williams, antes de Os Capitães da Areia tomarem conta do palco.

O prémio para o concerto mais animado e aleatório (no bom sentido) do Indie Music Fest vai, sem dúvida, para Os Capitães da Areia. Os ingredientes para esta receita tão bem conseguida foram música portuguesa, pão com marmelada (comido em direto por Pedro de Tróia), viagens a bordo do Apollo 70, uma ou duas referências a alces e uma raquete de ténis a fazer de guitarra. A verdade é que o recinto estava totalmente cheio e Os Capitães da Areia foram uns dos favoritos de todo o festival – dizia-se por lá que a atuação deles foi muito melhor que pão com marmelada – e uma hora muito bem passada depois, a banda despede-se de nós para ir jantar e caçar alces.

O testemunho foi passado aos Brass Wires Orchestra, que no Indie Music Fest tinham uma boa legião de fãs. Chegada de Lisboa, esta banda oferece-nos um estilo que combina o indie com o folk, uma espécie de mistura entre as bandas Beirut e Mumford & Sons em versão portuguesa. O concerto dos Brass Wires Orchestra ganhou pontos por ter sido um dos mais diferentes de todo o festival e a acabou por ser uma boa pausa da música mais pesada a que o público estava habituado. No fim, houve direito a um brinde inesperado: um pequeno medley com algumas das músicas mais populares dos Alt-J.

Os Modernos estiveram muito perto de deitar o palco principal abaixo, já que na plateia as grades quase cederam com o entusiamo e a energia do público. Com uma pequena intervenção de alguns membros dos Capitão Fausto, a noite foi feita de vários pontos altos – desde 24, à tão esperada Casa a Arder e ao final em grande com Sexta-feira, os Modernos cumpriram totalmente as expectativas e não deixaram que o bosque dormisse. Como disse Tomás Wallenstein, “isto até está a ser bacano.”.

A madrugada trouxe uma novidade – a Fábrica Eletrónica, onde pela noite dentro atuaram Ivvvo e Terzi, a encerrar o segundo dia do Indie Music Fest.

Fotografia: Luís Pereira