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bem-vindos ao bosque!

Indie Music Fest: bem-vindos ao bosque mágico

O primeiro de três dias cheios da melhor música indie e alternativa portuguesa, por entre as sombras das árvores do Bosque do Choupal, em Paredes, finalmente chegou. O dia 3 de setembro contou com os Moonshiners, Davide Lobão, BISPO, Eat Bear, Cave Story e Plus Ultra – divididos por vários palcos, mas seguidos com toda a lealdade pelo público. O Espalha-Factos esteve no Indie Music Fest a tomar conta da situação.

Ainda a tarde não ia meio, mas o recinto já estava mais que composto e os campistas totalmente instalados, por entre tendas e camas de rede, protegidos pela sombra do bosque. O ambiente, tão calmo e descontraído quanto a natureza que rodeava podia oferecer, era também de muito entusiasmo – ainda faltavam umas horas para o primeiro concerto, mas a festa já se começava a fazer pelos festivaleiros. E enquanto a hora não chegava, havia toda uma dimensão paralela a explorar: comprar camisolas de bandas, desfrutar de uma sessão terapêutica, perder a noção do tempo numa tenda de poesia e fotografia, comer crepes ou simplesmente ficar deitado numa cama vintage em frente a uma televisão, eram algumas das atividades oferecidas pelo indie market, local central no recinto.

Mas às 20h01 o Palco Cisma já chamava e foi no cair da noite que os Moonshiners inauguraram oficialmente o Indie Music Fest. Que o pouco público presente no início não sabia bem o que esperar, é um facto – mas que o panorama rapidamente mudou, também é uma verdade. Aparentemente, a combinação entre uma guitarra elétrica, uma bateria poderosa, um saxofone e uma harmónica foi o suficiente para chamar um mar de gente que, numa questão de quinze ou vinte minutos, já se tinha rendido aos Moonshiners. A banda fez apenas uma pequena exigência: “Vamos lá dançar um bocadinho”, ao que o público obedeceu com rigor. No final, o sucesso foi tanto que nem uma temporária falha de luz destruiu o ambiente estabelecido pelos Moonshiners, que logo deram a volta ao imprevisto.

O interveniente que se segue foi responsável pela total migração do público, do Palco Cisma para o Palco Antena 3/3.0: trata-se, claro, de Davide Lobão. O portuense escolheu Hemingway para o início daquele que viria a ser um dos concertos mais apreciados da noite e, se no início a calma da música pedia para ao público para ouvir e sentir, o peso do rock que se fez sentir a seguir podia perfeitamente ter deitado o Bosque do Choupal abaixo. Davide Lobão não se limitou a tocar na sua guitarra e a cantar as suas letras: interagiu com o público, construindo uma narrativa cantada sobre a sua vida. Quem acha impossível um músico agarrar os fãs num só concerto, desengane-se, porque Davide Lobão subiu a fasquia.

De volta ao Palco Cisma, desta vez para ver os BISPO – ou, pelo menos, o que seriam os BISPO se não se tivessem juntado todos os membros dos Capitão Fausto naquilo que foi, talvez, a maior festa do primeiro dia do Indie Music Fest. Que ninguém pense por um segundo que seja que uma banda instrumental não dá um espetáculo tão bom – nunca o bosque tinha visto um momento tão animado, tão cheio de dança e loucura como aquele. À boa moda dos Capitão Fausto, aquele que seria o concerto dos BISPO envolveu um mosh pit e vários momentos de crowdsurf que levaram o público ao rubro, se é que tal ainda não tinha acontecido.

Outro ponto alto da noite foi a atuação dos Cave Story, que sucedeu ao concerto dos Eat Bear, no Palco Cisma. Já grandes coisas tinham acontecido naquele palco, por isso a fasquia estava alta; mas esta foi uma daquelas situações em que três pessoas conseguem encher melhor um palco do que cinco ou seis, e ninguém ficou indiferente aos Cave Story: aliás, o crowdsurf foi a verdadeira tendência da noite e poucos foram os que não deslizaram por cima do público. Mas o rock é assim – quando nos enche as medidas, não há como parar.

A festa continuou pela madrugada dentro, com os Plus Ultra a encerrar o festival. Depois, foi tempo de o bosque descansar – afinal, ainda aí vêm mais dois dias de Indie Music Fest.

Fotografia: Luís Pereira

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