Depression Cherry é o quinto registo em estúdio dos norte-americanos Beach House, editado pela Sub Pop, no dia 28 de agosto.

Contando com a coprodução de Chris Coady no sucessor de Bloom, álbum lançado em 2012, o duo formado por Victoria Legrand e Alex Scally manteve-se fiel à pop devaneadora e ao seu perfil lo-fi.

Opondo-se à lei da gravidade, a faixa inicial de Depression Cherry, Levitation serve-se dos teclados para guiar uma criatura humana perante o desconhecido, tirando-a da sua zona de conforto através de uma viagem que não tem uma época previamente determinada (“On the bridge levitating cause we want to / When the unknown will surround you / There is no right time / There is no right time”).

Segue-se Sparks, o primeiro single do álbum, lançado no mês de julho. Iniciada em jeito de retrocesso, o som sujo da banda invoca o shoegaze e o experimentalismo de My Bloody Valentine, Ride e Slowdive, anunciando a revitalização de uma cidade, que oscila entre momentos de prosperidade e de inquietude (“A vision turning green is all we’ve ever seen / And then it’s dark again”). Num tema repleto de indefinições, existe igualmente espaço para a introspeção e valorização pessoal, bem como para a rejeição de estandardizações de comportamentos.

Em Space Song, um sintetizador vincadamente presente é utilizado para dar consistência a um tema que explora as fragilidades humanas que subjazem ao fim de um relacionamento.

Posteriormente, a sonoridade celestial de Beyond Love ilustra uma procura incessante de algo que possui caráter de exceção dentro de um relacionamento, questionando a primazia do sentimento de empatia diante desse momento de partilha.

Tendo presente a ideia de transitoriedade, 10:37 é talvez uma das menos encorpadas canções do álbum, sendo, no entanto, embelezada pelos suaves sintetizadores e riffs de Scally.

Através de PPP, é analisada a possibilidade de dar um passo à frente a uma relação aparentemente estável, assumindo maiores responsabilidades e aceitando mutações naturais decorrentes do respetivo acontecimento. Contemplando o presente, Victoria recorre a suspiros na reta final do tema, não se mostrando insciente relativamente a um eventual encerramento de um ciclo.

Já em Wildflower, esquemas mentais são realizados, mantendo vivas as esperanças de atingir uma determinada meta ou objetivo de vida, na companhia de um ser corpóreo e não de uma entidade divina (“Need a companion /My head in prayer /You know you’re not losing your mind /What’s left you make something of it / Sky what’s left above it / The way you want nothing of it / Baby I’m yours”).

Com um refrão catchy, Bluebird referencia, novamente e à semelhança de Levitation, a impossibilidade de controlar tudo aquilo que se encontra para além da natureza humana.

Por fim, a sonoridade sombriamente contrastante de Days of Candy, a última canção do disco, que conta com a participação de membros do coro do Pearl River Cummunity College, culmina na aceitação do término de dias prazerosos, porém, inevitavelmente finitos.

Em Depression Cherry, foi notória a valorização dos sintetizadores e da guitarra, em detrimento da bateria, bem como o abandono de alguma da homogeneidade sonora que pautou o seu antecessor.

Não fugindo à sonoridade a que sempre nos habituaram, os Beach House continuam com os pés assentes na terra, ainda que os vocais suaves de Victoria, os arranjos simples e as melodias docemente estruturadas nos transportem para um lugar incomum.

Nota final: 7/10