A presente edição do Apsarases dá destaque especial a Arenal, criação que data de 1988, levada a cabo por Nacho Juan Ignacio Duato Bárcia, comummente conhecido como Nacho Duato. Estreada no Muziektheater, em Amesterdão, Arenal é um retrato fiel do contraste entre a alegria de grupo do carácter Mediterrânico e o peso da solidão de uma vida dura e de trabalho. À coreografia de Nacho Duato alia-se a voz e letras de María del Mar Bonet.

A alegria de viver, de festejar e celebrar os ritmos aquecidos, as cores quentes, a vida rápida e despreocupada da cultura mediterrânica é mote para um role de homens e mulheres, em jeito desinibido e animado pela música instrumentada e periclitante que os acompanha, ocupar o palco. Os figurinos de tons nude e terra balançam-se no espaço com elevações largas e redondas extensões em brincadeiras ora a pares, ora em grupos de três e quatro.

Por outro lado, um longo e trabalhado vestido rodado comporta um corpo pesado que, sob quatro temas cantados a capela, se desliza pesadamente no palco cru da vida. De movimentos mais repentinos e desnivelados, a mulher de preto lamenta e implora, mas logo vai buscar força para sobreviver à luta.

Danças alternadas e intervaladas com saídas e entradas subtis do espaço de espectáculo deixam claro, em palco, o contraste entre as duas realidades de uma cultura e os dois pesos de uma tradição. Se, por um lado, estamos perante uma dança de regiões, por outro vislumbramos pedaços e questões maiores, de escala planetária. Passados 22 anos da estreia da peça, Arenal foi a coreografia escolhida, pelo seu criador, para celebrar as duas décadas enquanto director artístico da Companhia de Dança Nacional.

Coreografia: Nacho Duato

Música : Mª del Mar Bonet

Bailarinos: Emmanuelle Broncin, Ruth Maroto, Ivano Rossetti, Africa Guzmán, Luis Martín Oya, Cristina Hortiguela, Karen Waldie, Livio Panieri e Nicolo Fonte