Neste dia mundial da fotografia, a pergunta que se faz é: o que mais nos falta fotografar? Desde música até à catwalk, passando pelas peças de teatro e danças, pelos lançamentos de livros e abertura de novos espaços. Tantos festivais vividos, tantos programas assistidos, tantos concursos e gravações presenciadas.

Os editores do Espalha-Factos uniram esforços e resolveram vir descobrir mais sobre os fotógrafos EFianos.

Sendo que num espetáculo de dança estás sujeito a um permanente movimento, como surge o clique certo?

Bruno Mendes: Alguém me disse que a música é o silêncio que existe nos intervalos de som. Tecnicamente, quando fotografo dança, “sinto” que esta é um pouco como a música: há sempre aquele momento, aquela fracção de segundo em que o movimento deixa de o ser, em que um salto se torna num corpo a flutuar no ar. Em que uma perna, acompanhada pelo resto do corpo e em sintonia com ele, está no pico do esforço imediatamente antes de ceder à gravidade ou, simplesmente, em que se abre um sorriso rápido mas honesto de alegria e satisfação, que o estático pode ser fixado para sempre em imagem, para a qual tento trazer o tal movimento que ali não existia e, com ele, um pouco daquilo que me levou a escolher fazer o clique ali e não acolá.

Quais são as grandes dificuldades de fotografar paisagens? 

Pedro Cardoso: Ter o material indicado. Fotografia de paisagem requer material bom, tripés caros, filtros caros e lentes caras (se quisermos bons resultados). O levantar cedo e os locais até podiam ser uma dificuldade mas no entanto quem o quer fazer levanta cedo de bom gosto para tirar a melhor luz do dia para tal, e lugares investiga durante muito tempo!

O que procuras quando fotografas um prato?

Beatriz Nunes: O mais importante para mim são as cores. Pretendo fazer a comida brilhar e para tal uso cores muito saturadas. Quero que que se excitem os olhos e as papilas gustativas de quem as vê. Mas acho igualmente importante adequar os tons a cada sabor, encontrar uma harmonia e transmitir certa coesão.

Pode uma fotografia ter música? 

David Sineiro: É possível ver qualquer coisa numa fotografia, dependendo da linguagem da mesma e dependendo de nós mesmos quando olhamos para ela. Não acho fácil transmitir uma música, mesmo numa foto feita com essa intenção. Dito isto, muitas fotografias lembram-me letras que conheço, mesmo não tendo sido essa a ideia original.

Qual a história que mais te marcou quando fotografaste algum evento?

Catarina Alves: Tenho várias mini-histórias de quase todos os eventos que fiz pela primeira vez. Bem como as lembranças daquele pequeno nervosismo, de quem está à espera de ver o que vai acontecer. Recordo-me bem do primeiro concerto que fotografei para o EF, no antigo Pavilhão Atlântico – Blink 182. Lembro-me de ir atrás dos outros: tímida, curiosa e cheia de energia. Ainda sei que a adrenalina só me passou várias horas depois. Foi um sentimento espetacular.

Quando fotografas dança, além das questoes técnicas de fotografia, procuras ter em atenção algumas questões especificas da dança?

Catarina Veiga: Todo o tipo de fotografia tem determinadas caracteristicas a ter em atenção. No caso da dança, é preciso ter a capacidade de perceber o que cada passo quer fazer passar ao público. Além disso tem de haver um equilíbrio entre “congelar a imagem” e ao mesmo tempo fazer passar o ideia de movimento.

O que tentas destacar quando fotografas uma passagem de modelos ou Street Style?

Bárbara Sequeira: Gosto de destacar não só as roupas e os outfits mas dou também muita importância a luz, mesmo noutras áreas da fotografia, a luz tem um papel principal para mim, os contrastes fortes entre o escuro e o brilho

Qual achas que é o elenco duma série que daria a melhor sessão fotográfica?

Joana Mendes: Os Simpsons! Por todos os motivos possíveis: seria a única altura em que os sorrisos amarelos ficavam bem na fotografia; como estão sempre em peripécias teria bons momentos para registar; identifico-me muito com fotografia de retratos e teria a família mais expressiva – d’oh! E ainda podia comer donuts!

Que banda sonora escolhias para as tuas fotografias?

Júlio Proença: Into the wild é a banda sonora das minhas fotografias. É a banda sonora perfeita, que equilibra a paz da natureza com a rapidez do desporto. Ouvindo essa banda sonora consigo sentir o espaço envolvente e captar melhor cada momento.

Preferes fotografar as grandes paisagens ou os detalhes de objetos?

Andreia Martins: Depende da situação, mas de forma geral da me mais gosto e acho mais desafiante fotografar paisagens. Mesmo nas fotografias que vejo de outras pessoas procuro registos de locais que não conheço e que pela fotografia contam uma história.

Qual a maior dificuldade de fotografar um desfile de moda?

Catarina Alves: Ui! Várias. Fotografar um desfile é sem dúvida um desafio. Temos que ter tudo em atenção: o pé da frente tem que estar no chão e o modelo deve estar enquadrado, tendo ainda que se tentar focar bem, enquanto a foto deve parecer provida de algum movimento. É essencial perceber a altura perfeita para se fotografar, pois o momento antes ainda pode não ser o ideal e no momento seguinte já temos um modelo a querer virar-nos as costas. Por fim, há a questão da luminosidade, que apenas nos ajuda se soubermos esperar pelo timing ideal (e isto se tivermos a sorte de estarmos num local iluminado).

Como te preparas para fotografar uma peça de teatro/dança?

Ana Margarida Almeida: Primeiro, procuro saber algo sobre o local que irei fotografar. Vai ser num pavilhão, ou ao ar livre? As condições de iluminação irão condicionar a forma como me preparo para fotografar uma dança/teatro. Em segundo lugar é preciso tirar mesmo muitas fotos, pois como são eventos ritmados, é muito provável que mais de metade das fotos irão ficar desfocadas, devido ao movimento!

Preferes fotografar com a luz natural de concertos em festival ou com a parafernália dos coliseus ou salas fechadas?

Beatriz Silva: Um bocado dos dois mundos. Quando tenho luz natural, como por exemplo em festivais de Verão, torna-se bastante entusiasmante aproveitar as cores para fotografar. Mas por outro lado, é desafiante tentar fotografar em salas fechadas como nos coliseus porque, para além da técnica fotográfica, temos de saber jogar com os azuis e vermelhos fortes que muitas vezes são usados para iluminar os concertos.

Qual é aquele realizador(a) com quem mais gostarias de trabalhar como o seu diretor de fotografia?

 André Cardoso: Adorava trabalhar com o Quentin Tarantino como director fotográfico. Acho um realizador fora de série que não tem medo do que faz nem das críticas. Ia tirar muito desta experiência.

Para celebrar o Dia Mundial da Fotografia, o Arquivo Municipal de Lisboa – Fotográfico vai promover algumas atividades ao longo do dia:

15h30 – Visita guiada à exposição A Terceira Imagem – A fotografia estereoscópica em Portugal e o desejo do 3D: exposição dedicada à fotografia estereoscópica em Portugal que revela a cultura visual da época e de como a estereoscopia produziu um novo olhar sobre os temas, os géneros e as composições fotográficas, tendo por base o estudo das coleções de fotografia estereoscópica de museus e arquivos públicos nacionais. Por Sofia Castro;

  • Inauguração da exposição de fotografia I_Material, de Carlos Gote Matoso, inserida no Dia Mundial da Fotografia: I_Material é o projeto fotográfico que resultou da última ação de formação de Carlos Gote Matoso, ministrada por Susana Paiva, com o qual foi premiado pela Câmara Municipal do Barreiro, no concurso promovido no âmbito das comemorações do Mês da Fotografia, em novembro de 2014.

17h00 – Café & Letras, no Jardim do Palácio do Contador-Mor, Olivais Sul.