É um assunto discutido há mais de uma década nas publicações, nos grupos de comunicação e nas universidades. Mas o advento do jornalismo digital parece estar finalmente a colher frutos.

Um milhão de subscritores online. É o número redondo que o jornal norte americano New York Times (NYT) alcançou no final do mês de julho. Em termos práticos, estes leitores decidiram subscrever uma assinatura para acederem a todos os conteúdos que o NYT disponibiliza na sua página, tais como notícias e reportagens completas, textos de opinião, infografias, fotografias e vídeos.

Este é um resultado que vem dar um novo rumo na discussão em torno das novas formas de jornalismo através das plataformas digitais. Segundo o diretor executivo do jornal sediado em Nova Iorque, Mark Thompson, num comunicado enviado aos órgãos de comunicação, a chegada ao milhão de subscritores “é um aspeto que se sobrepõe face às outras publicações” e que “é um tributo ao trabalho intensivo da redação e da estratégia de marketing adotada pelo jornal”.

As receitas oriundas do número de subscritores e dos anúncios da edição online do New York Times vieram contrabalançar as perdas nas receitas publicitárias da edição impressa. Relativamente ao segundo trimestre deste ano, o jornal americano conseguiu aumentar as suas receitas em 80% face a igual período do ano passado. Qualquer coisa como 14 milhões de dólares a mais relativamente a 2014.

Apesar dos números apresentados, ainda é muito cedo para o jornalismo em geral e o NYT, em particular, poderem respirar de alívio. O caso do jornal nova iorquino é singular por se tratar de um dos órgãos de imprensa de maior dimensão em todo o mundo. Por este motivo, a Fortune alerta para o facto de “ser muito difícil replicar a fórmula de sucesso do New York Times em publicações mais pequenas“.

O New York Times possui alguns trunfos face às publicações mais pequenas. A internacionalização, a credibilidade e a idade jogam a favor do matutino nova iorquino.

Outro aspeto a ter em conta é também o dinheiro encaixado com as adesões ao online. Os subscritores digitais representam cerca de 165 milhões de euros em receitas, o suficiente para cobrir as despesas da redação. Contudo, e como refere o analista Ken Doctor ao Nieman Lab, as despesas de um jornal vão para além da redação. No caso do New York Times, Doctor avança que os custos de manter uma publicação como o matinal nova iorquino poderão ascender aos mil milhões de euros por ano. Neste sentido, as receitas totais do número de leitores digitais é uma minoria – pouco mais de 10%.

Ainda assim os dados estão aos poucos a serem lançados para cima da mesa. Até há alguns anos atrás, seria impensável afirmar que os conteúdos pagos nas edições online teriam aceitação por parte dos internautas. O caso do New York Times vem de certa forma trazer alguma luz no fundo do túnel para o debate do futuro do jornalismo e do acesso online da informação, gratuito ou pago.