No segundo dia de Bons Sons a proximidade entre todos já salta à vista. Sentados na relva da praça principal, pelas diversas esplanadas espalhadas pela aldeia ou a passear pelas ruas, a tarde solarenga é a altura ideal para meter a conversa em dia.

Em frente à igreja, no palco Outonalidades, o duo Minta & The Brook Trout dão um concerto íntimo. As suas delicadas vozes são acompanhadas por uma acústica cuidada e embalam aqueles que se aglomeraram na estreita praça.

Minta & The Brook Trout

Também Sequin , com a sua fina voz sintetizada e sorriso encantador, conquistou o Giacometti. É auxiliada na voz pelos espetadores nos seus hits mais conhecidos, que se transformam em versões prolongadas. Logo ao lado, uma pequena porta aberta dá acesso a uma acolhedora tasca onde se pode pedir caracóis, moelas, entre outros petiscos. Pelas traseiras seguimos para uma estreita rua com artesanato exposto nas bancas. Vendedores a falar com eventuais compradores, todos os recantos servem para trocar um ou dois dedos de conversa.

Sequin

No palco Lopes-Graça, Criatura fizeram uma pausa da sua música mirabolante para dar tempo de antena ao Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa para mostrarem o Cante Alentejano que levaram à UNESCO. Num momento de grande respeito e admiração, os visitantes do Bons Sons mostraram que, mais que um simples conjunto de concertos, é a celebração e união que se vive neste festival o seu forte.

Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa

Mesmo nos maiores espetáculos, todos se comportam como um grande grupo de amigos. Carlão, que tal como o álbum diz, já vai nos quarenta, parece aquele tio porreiro que reencontramos nos jantares de família e que nos conta hilariantes histórias da sua juventude, ao mesmo tempo que nos dá bons conselhos de adulto. Tem por trás uma completa banda a dar o ritmo, roubando-lhe por vezes as atenções, tal é o valor instrumental das músicas deste rapper.

Carlão

Clã devem-se ter inspirado com este concerto, e com uma Manuela Azevedo imparável continuaram noite dentro com o seu pop de marca. A música festiva entrelaçada com umas românticas baladas cria um bom misto de festejo e de sentimentalismo. O “só ‘pra dizer que te amo” é cantado apaixonadamente por todos, igualando-se somente momentos depois com um “hey, tenho asas nos pés” em plenos pulmões.

Clã

Já a noite ia longa quando os Salto fizeram questão de agradecer a todos os que mesmo próximo das 3 da manhã voltaram ao Eira para mais um passo de dança. Sintetizador a brincar com a sua própria voz, delícias feitas aos que ansiosamente esperaram todo o dia por este concerto. Ainda com um DJ set para os resistentes no Aguardela, o duo fez com que no segundo dia de Bons Sons já todos ouvissem música como amigos.

O festival continua hoje com Ana Moura, D’Alva, Bruno Pernadas, entre outros.