Quando era pequenina, dizia que queria ser bailarina ou peixeira. Cresceu, licenciou-se em Filosofia, mas acabou por ir parar ao teatro. Estamos a falar de Cucha Carvalheiro, a atriz portuguesa que já passou pelo teatro, o cinema e a televisão. 

Olinda Maria Carvalheiro da Fonseca e Costa, mais conhecido por Cucha Carvalheiro, nasceu a 21 de outubro de 1948, em Lisboa. Enquanto se licenciava em Filosofia, sempre foi participando no teatro universitário. “Vi um espectáculo memorável: o Volpone de Ben Johnson pelo Grupo Cénico da Faculdade de Direito de Lisboa com encenação de Adolfo Gutkin. Eu estava no 2.º ano da Faculdade de Letras”, disse sobre a sua opção de fazer teatro universitário, numa entrevista ao blogue de Mário Lisboa. Embora essa fosse uma paixão, nunca pensou que se tornasse a sua profissão, pois durante sete anos ainda foi professora.

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“Desisti do ensino e fui para o teatro, embora sabendo que ia ganhar menos e ter uma grande insegurança. Mas não me arrependo“, disse ao jornal Guia TV

Foi em 1979, com 31 anos, que se profissionalizou como atriz no Teatro do Mundo, onde foi aluna de Manuela de FreitasJean-Pierre Tailhade. Nesta altura, ainda escreveu livros escolares e uma obra infantil, porque precisava de se sustentar. Além disso, também trabalhou como argumentista e deu aulas de interpretação na Escola Superior de Teatro e Cinema.

No seu currículo em teatro, constam alguns autores de comédia como Feydeau, Eduardo de Filippo, Alan Ayckburn e Neil Simon. Na tragédia representou obras de Sófocles, Eurípedes, Kleist. No drama interpretou Nicholas Wright, Tchekov, Tennessee Williams, Brian Friel e na farsa, Jean Genet, Richard Dérmacy e Gil Vicente.

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Senhora Klein de Nicholas Wright (1994)

Em 1995, juntamente com Fernanda Lapa funda a Escola de Mulheres – Oficina de Teatro.  Também integra o elenco de Portas Comunicantes (1997), na Comuna, e Casamento Em Jogo (2011), no Teatro da Trindade. Em 2004, pelo seu desempenho em A Cabra, de Edward Albee, na Comuna, vence o Globo de Ouro para Melhor Atriz de Teatro. Em 2006, encena Hotel dos Dois Mundos, de Eric-Emmanuel Schmitt, na Sala Estúdio do Teatro Nacional D. Maria II.

Em 2009, é nomeada para dirigir o Teatro da Trindade, cargo que exerce até 2013. Em declarações ao Expresso, Cucha Carvalheiro disse ter sentido esta missão cumprida. “Ter feito a direção artística durante estes últimos quatro anos, foi sem duvida um desafio que me trouxe uma visão da ‘Cultura para todos’ e de serviço público para todos nós”, afirmou.

Até ao Trindade levou peças como a ópera bufa Quixote, de António José da Silva, com encenação de João Brites, Máquina de Somar, com encenação de Fernanda Lapa, Vale, de Madalena Victorino ou a adaptação para teatro do romance de Lídia Jorge, O Dia dos Prodígios. Não se Ganha, Não se Paga, de Dario Fo, com encenação de Maria Emília Correia O Libertino, de Éric-Emmanuel Schmitt, com encenação de José Fonseca e Costa foram outras das peças que se destacaram no seu período no Trindade. Além disso, também procurou dar ao público peças clássicas de TcheKov (Vânia), Shakespeare (Otelo), Arthur Miller (Do Alto da Ponte), Beckett (Dias Felizes e O quê?) e Edward Albee (Casamento em Jogo).

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Cucha Carvalheiro enquanto diretora artística do Teatro da Trindade

A atriz estreou-se no cinema com Silvestre, de João César Monteiro (1982). Também participou em Balada da Praia dos Cães, Os Cornos de Cronos, Cinco Dias Cinco Noites e Fascínio, de José Fonseca e Costa. Além disso, deu a voz a Úrsula em A Pequena Sereia, Rainha de Copas em Alice no País das Maravilhas, Flora em A Bela Adormecida e Shenzi em O Rei Leão.

Cucha é também uma cara bem conhecida da televisão, estreando-se na novela A Paz dos Anjos (1994). A partir daí também interpreta papéis em A Mulher do Sr. Ministro (1997), Ballet-Rose (1998), Olhos de Água (2001), Baía das Mulheres (2004), Vingança (2007), Flor do Mar (2008), Depois do Adeus (2013), O Beijo do Escorpião (2014), A Única Mulher (2015), entre outros projetos.

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Em A Única Mulher (2015)

Cucha Carvalheiro tem conquistado o seu lugar na representação em Portugal e custa-lhe não existirem as condições devidas no país para a sua profissão. Já pensou em abandonar o teatro, mas não consegue. “Sou infeliz se não representar”, disse à revista Tabu.

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Em Mar Me Quer , no Teatro Meridional