O mundo da dança está de luto. No passado dia 9 de agosto, o bailarino Jonathan Ollivier morreu num acidente de mota em Londres, horas antes da sua última atuação em The Car Man, no teatro Sadler’s Wells, em que tinha o papel principal. Nesta edição do Passo a Passo recordamos o trabalho do bailarino, que o coreógrafo Matthew Bourne considerou “um dos mais carismáticos e poderosos bailarinos da sua geração”. 

Jonathan Byrne Ollivier nasceu a 26 de abril de 1977, em Northampton, Inglaterra. Cedo percebeu que a dança era um caminho a seguir. Duas das suas três irmãs faziam ballet e levaram-no a experimentar, sendo o único rapaz nessa aula. Jonathan acaba por sofrer bullying devido a esta opção não frequente na sua localidade.

Aos 16 anos, em busca de mais oportunidades, vai para Londres. Se primeiro ambiciona estudar na Royal Ballet School, muda de ideias e escolhe a Rambert School of Ballet and Contemporary Dance, por ter um reportório mais abrangente e mais flexibilidade em termos de estilos de dança. O seu primeiro trabalho veio a ser na Cape Town City Ballet Company, em África do Sul, onde se torna bailarino principal e conhece a bailarina Desiré Samaai, a sua futura esposa.

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Jonathan Ollivier em La Traviata com a sua esposa Desiré Samaai

Em 1999, Jonathan regressa a Inglaterra, onde ingressa na Northern Ballet. Aqui vem a ter um papel de destaque em A Streetcar Named DesireWuthering Heights, Jekyll and Hyde ou Swan Lake. Em 2007, passa para a Alberta Company, mas é em 2009, quando se junta à companhia de Matthew Bourne, a New Adventures, que tem um dos maiores reconhecimentos da sua carreira. Em Swan Lake é descrito no Wall Street Journal como um bailarino ainda mais atraente que Adam Cooper, que estreou a peça em 1995, quando Jonathan ainda era estudante. Entre 2011 e 2012, também trabalha com o coreógrafo Michael Clark.

Os palcos trouxeram-lhe alguns reconhecimentos. Em 2002, foi nomeado para Outstanding Young Male Artist nos Prémios Nacionais de Dança e em 2003, para Melhor Bailarino nos mesmos prémios. Em 2006, recebe a bolsa honorária da University of Northampton. Ao longo da sua carreira também foi conquistando a crítica e conseguiu arrecadar pontuações de 4 e 5 estrelas.

Aos 38 anos, morre antes do seu último espetáculo em The Car Man. O diretor artístico da companhia, Matthew Bourne, enviou as condolências à família e destacou a personalidade única do bailarino. “Ele era também uma inspiração e um modelo para os bailarinos mais novos que ambicionam ter a sua técnica e presença em palco”, afirmou.

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Jonathan Ollivier como Luca em The Car Man com Ashley Shaw como Lana. O bailarino era descrito como “um parceiro forte, bom ator e um dançarino com uma extraordinária intensidade física e emocional.”

Também David Nixon, o diretor artistico da Northern Ballet, lhe dedicou algumas palavras. “A morte prematura do Jon é uma perda para o mundo da dança e trágico para a sua família. O legado do Jon irá viver através das memórias das suas performances e dos papéis que encarnou”, disse.