‘’Aceita o convite para dançar, escuta a história do Andanças sussurrada entre passos, rodopia em sorrisos marcados e entra na magia de um ritmo partilhado. Na mudança de direcção, guia e deixa-te guiar, canta a beleza do lugar e partilha as músicas no sonho da próxima dança.’’  É este o convite de entrada para a vigésima edição do Festival Internacional de Danças Populares, que foi levado (ou dançado) à letra, pela esmagadora maioria dos visitantes.

Ao longo de sete dias, crianças, jovens, adultos e idosos deixaram para trás os hábitos e rotinas de vidas de estudo e trabalho e lançaram-se numa terra e oceano cheios de cor, música, movimento, ensinamento, gastronomia e animação. O último dia de Andanças, apesar de menos preenchido, foi o reconhecimento oficial de dois dos grandes pilares do festival: Comunidade e Voluntariado.

Por trás das bancas de artesanato, das barracas e rulotes de refeições e dos bares, dos postos de saúde, de carregamento de baterias, de serviço à imprensa, do centro operacional, da segurança, dos transportes, das bilheteiras e serviços de controlo de campismo, de limpeza e tantos outros, saíram à rua as mãos e sorrisos que deram pernas e cabeça ao Andanças. O desfile da tarde que marcou a despedida de uma semana de muito trabalho e simultâneo lazer foi, no entanto, antecedido por algumas oficinas e atividades.

O Espalha-Factos acompanhou o trabalho de Marta Costa no Espaço Criança com os Teatritos com Pequenitos e a Oficina de Danças Clássicas Indianas – Bharatamatyam/ Devadwani II, a cargo de Hiten Mistry.

Eram 15h quando Marta, rapariga com pequenas tranças cor de mel e saia pintalgada de cor, subiu ao estrado do Espaço Criança acompanhada de três músicos (que conheceu na presente edição do Andanças). Durante 45 minutos, pais, avós e dezenas de crianças deixaram-se entreter com um projecto infantil que viveu unicamente de alusões à natureza e ao reino animal. Jogos de sons e ritmos, de imitações e adivinhas e cantigas, danças e conversas foram a poção certa para deslumbrar os mais novos que ora se sentiram leões, ora gatos ou borboletas. Marta, uma menina muito expressiva e apaixonada pela natureza que nos envolve, foi espalhando sorrisos, festinhas, abraços, cor e ensinamentos num agradecimento especial pela possibilidade de marcar presença no evento.

Logo de seguida no Palco Mimosas, um dos palcos mais centrais do festival, Hiten Mistry, bailarino e professor de danças clássicas indianas, subiu a palco acompanhado de duas jovens bailarinas. Uma hora e meia de oficina foi suficiente para dar a conhecer e ensinar a cerca de uma centena de pessoas posições e movimentos básicos de mãos, braços e pernas deste tipo de movimento e introduzir alguns dos ritmos e melodias sequenciais utilizados em homenagem e representação dos deuses e deusas da mitologia hindu.

Depois dos participantes terem conseguido executar vários passos em sequência e cumprir os ritmos propostos, Mistry explicou os pilares que suportam as danças indianas e crenças indianas e, sempre com humor à mistura, fez alguns paralelismos com a cultura e tradições portuguesas.

Às 17h, a praça central do Andanças, diante do Palco X, estava já repleta: funcionários, empregados, voluntários, organização, artistas, convidados, participantes e muitos outros uniram-se numa marcha de comemoração deste ano redondo do festival. Ao som de dezenas de instrumentos de sopro e percussão, a animação instalou-se e de lágrima no olho, a organizadora subiu a palco para ser fugazmente aplaudida.

De pulmões abertos uma praça cheia de cor e calor cantou os parabéns à iniciativa, à semana e acima de tudo à dança por tão feliz deixar todos os que com ela se cruzam. No final, houve sangria e bolo grátis para todos, ao som de ritmos e danças africanas. “Na verdade, o Andanças não acaba… Nós não paramos de dançar e nós somos o Andanças, sublinhou uma das voluntárias emocionada.