Se, por um lado, no sexto dia do Andanças já se notam alguns rostos cansados, por outro o amor e vontade de dançar não os deixa esbater ou esmorecer. A Oficina de Apanha Sonhos, a Oficina de Massagem Tailandesa e a Performance Little Garden foram algumas das alternativas aos workshops e oficinas de dança que decorreram nos grandes palcos desta vigésima edição do Andanças.

Eram já 16h quando, aos poucos, foram chegando famílias e jovens à zona dedicada às Actividades Paralelas para participar na Oficina de Apanha Sonhos. Um aro, 1,5 metros de linha de cor, quatro missangas, penas e conchas foram ração para cada andante. A azáfama inicial para escolher feitios, cores e tamanhos logo se dissipou quando Márcia, instrutora da oficina, lançou as primeiras linhagens de construção.

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Ao longo de duas horas miúdos e graúdos foram tecendo as teias que viriam a ser o núcleo dos seus apanha sonhos e que, aos poucos, iam ganhando cor e personalidade. No final, cada um pôde deixar os seus pensamentos no gigante apanha sonhos do Andanças. Cor-de-rosa com borboletas, verde com missangas, brancos com penas ou azuis com conchas. “O primeiro dreamcatcher é o mais importante, é aquele que nunca vão largar!”, sublinhou a instrutora orgulhosa dos trabalhos finalizados.

Eram quase 20h quando o sol começou a baixar. Um céu claro e rosado pingado da brisa que já se sentia, acolheu centenas de participantes no palco Mimosas para a Oficina de Massagem Tailandesa a cargo do Centro Zen. A lotação (já mais que esgotada) não impediu os andantes de usufruir da sessão de relaxamento e o terreno em torno do Mimosas foi sendo ocupado por toalhas e panos.

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Durante uma hora e meia exercícios de compressão e imediato alívio, de força e de repetição foram o ponto de partida para uma massagem de sucesso. Em pé, deitados ou sentados, cada par pôde ter a experiência tanto de receber a massagem como de a aplicar ao seu parceiro.

A noite já escura e estrelada recebeu, por volta das 21h, a Performance Little Garden, criada e protagonizada por Márcio Pereira. Este que foi um dos mais contemporâneos espectáculos do festival não acolheu plateia cheia mas foi alvo de aplausos e elogios rasgados. Uma estrutura de cubo luminosa envolvia um largo e imponente tronco de árvore. Do outro lado de um riacho, uma rocha delgada serviu de tela de projecção para os movimentos ora secos e cortados ora fluídos e elegantes do bailarino.

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Entre sonoridades e melodias da natureza até zumbidos graves e electrizantes, Márcio lançou-se naquele pedaço de floresta à procura de si mesmo, do seu núcleo limpo, não mascarado. Ora em luta ora em jeito de entrega e resiliência, o bailarino assumiu-se como caçador e presa, como vencedor e vencido. Sempre mascarado. Agarrado ao mais elevado ramo da árvore, o bailarino despiu o fato camuflado que o cobria e, no meio das raízes que lhe deram origem, encontrou-se.