Aquela que é por excelência a festa dedicada à arte de dançar não esmorece. Ao quarto dia do Andanças, miúdos e graúdos encheram o recinto criado em torno da Barragem de Póvoa e Meadas com a mesma energia e vivacidade com que lá chegaram. Em mais um dia repleto de oferta no que concerne  a concertos, bailes, actividades, oficinas e espectáculos, o Espalha-Factos dá-te os detalhes de três grandes atracções da programação: a oficina de Danças Africanas a cargo do grupo Ballet Tradicional Kilandukilu, a performance circense dos madrilenses Circobaya e a atuação de Danças Urbanas do inovador projecto Light Roots.

Já passava das 19h quando a brisa de fim de tarde finalmente chegou ao universo português das danças tradicionais. Da barragem para o recinto, centenas foram os jovens e famílias que, de programação em punho, correram para as actividades prediletas. Para os mais pequenos bailarinos não foi excepção! O Espaço Criança, delimitado por compridas e contorcidas árvores e arbustos, foi palco para a oficina de Danças Africanas a cargo do grupo angolano Kilandukilu. Diversão é o que dá nome e caracteriza esta vasta equipa cujo intuito é preservar as suas raízes e difundir a arte e tradições africanas.

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“Pequeninos e pequeninas, vinde! Primeiro as crianças e depois os ‘’cotas’’!” foi o mote lançado por Petchú, voz e protagonista de toda a oficina. O modesto estrado de madeira fez-se rapidamente preencher, primeiro, por dezenas de crianças entusiasmadas e por jovens, adultos, pais e avós que os mais novos foram acompanhar. Entre Não me toca e os reconhecidos ritmos e melodias do Rei Leão, a plateia foi sendo introduzida aos movimentos base do movimento africano. Mascarados de situações divertidas e quotidianas, as pernas flectidas, a torção de tronco, o jogo de anca e a firmeza de braços foram alguns dos exercícios técnicos introduzidos na oficina. Com mais ritmo, maiores sorrisos e um pedaço de energia a menos toda a plateia se despediu com uma dança de kizomba a pares.

Sem que por isso o público dispersasse, a performance marcada para as 19h no Palco X foi, por motivos técnicos, atrasada uma hora. Circobaya, o duo circense já diversas vezes premiado, foi uma das grandes atrações do dia tanto para os mais novos como para os amantes de teatro e circo. Quatro monoblocos rectangulares revestidos de papel de jornal foram, primeiramente, o cenário e apoio da performance que, ao longo de uma hora, manteve as gargalhadas no público.

Charo Amaya e Javier González apresentaram-se no maior, mais central e imponente palco do festival como dois corpos e rostos de plasticina capaz de transportar até qualquer um as mais variadas sensações e os mais profundos sentimentos. Em jeito de comédia, a história de um casal que está em permanente desencontro e aflições foi pintada em jogos mudos e mímicas rápidas e entusiasmantes, malabarismos e acrobacias que ganhavam vivacidade com a entrada de melodias ritmadas e alegres. No final, um jogo de xilofones, na berma do palco, reuniu dezenas de crianças ansiosas por alcançar os tão corajosos e divertidos ‘’palhaços’’.

Ainda não eram 21h30, quando cinco músicos e seis bailarinos faziam a resenha do que pouco depois se viria a passar no Palco Mimosas. Durante cerca de meia hora a vasta e entusiasmada plateia assistiu à personificação de um dos grandes pilares do festival: dança e música. Em palco, um breve e periclitante concerto de sonoridades jazz, funk e soul acompanhou e fez-se acompanhar da atuação ora a solo ora conjunta de seis bailarinos de breakdance.

Light Roots dá nome a este colectivo onde as artes se encontram, complementam e exprimem, em palco, como um bolo final. Oriundos de Badajoz, os onze artistas reforçaram o prazer de estarem presentes em Portugal e tão bem recebidos. No meio da atuação, dois meninos foram convidados a mostrar os seus dotes de b-boying e ”Pase lo que pase, la vida continua”, refrão de um dos temas entoados, abraçou os bailarinos e os rapazes num círculo por um público já dançante.

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A partir das 22h, os bailes em todos os palcos principais fizeram a delícia dos jovens e adultos que a par, em grupo ou a solo, aproveitaram o estrelado céu alentejano para celebrar e exibir a beleza de quem dança.