No Andanças são muitas as atividades que podemos escolher. Para o terceiro dia, trazemos-te ainda um pouco das preparações para os bailes da noite e de uma conversa sobre cosmética natural. Foi de todo um dia marcado pela descoberta do nosso bem-estar.

Falar através do movimento

“Quão pequenos somos neste festival”, diz lentamente Catarina Ascensão, variando entre português e inglês. Os participantes, com vendas nos olhos, não podem falar, apenas lhes é pedido que escutem o que os rodeia e depois um abraço, mas atenção, “este não é um abraço de negócios”, como avisa a Catarina. Este abraço é uma troca de energia. Os participantes têm de adaptar a posição do abraço ao seu companheiro. Depois surgem músicos que perpassam entre eles e ajudam a dar cor à energia do momento.

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Esta é a Oficina Conexão e Escuta no Baile. Catarina Ascensão é formada em dança clássica e contemporânea e desde há quatro anos que se dedica ao contexto folk.  Quanto a esta oficina, Catarina afirma que não prepara apenas para os bailes, mas também tem a ver com a relação entre as pessoas e com a sua proximidade. “Estar num baile é muito isso, é estar com os outros, respeitar-nos mutuamente e partilhar coisas escutando-nos”, diz.

Catarina pede aos participantes que tentem ouvir pequenos movimentos, que tentem ouvir o que se faz nos outros palcos, ou seja, que tentem receber todos os estímulos possíveis. Retiram as vendas e a instrutora pede que vão ao seu caminho, em várias direções, e se alguém perguntar com um movimento, que respondam com outro movimento.

No final, são muitos os participantes que perguntam a Catarina se dá workshops em Lisboa, sentem a necessidade de parar e libertar esta energia. Catarina percebe esta necessidade. “Tem muito a ver com o tempo, nomeadamente em que eu peço às pessoas para fecharem os olhos e colocarem uma venda. O tempo muda muito e é mais nesse sentido. Quando fechamos os olhos o tempo transforma-se”, explica. “Quando estamos normalmente na nossa vida diária, principalmente as pessoas que vivem numa cidade, vivemos num ritmo muito frenético. Não há tempo para parar, para ouvir, para observar, para nos escutarmos a nós”, acrescenta.

Contudo, avisa que não há muitos esoterismos, para ela a energia é algo muito natural, que existe no nosso corpo, algo tão simples como beber água.

Fazer os próprios cosméticos

“Todos compram os seus cosméticos no supermercado? E costumam ver os rótulos?”, foram estas as questões iniciais da Oficina e Conversa sobre cosmética natural. A resposta foi pouco efusiva. Poucas pessoas no público responderam de forma afirmativa à segunda questão.

Há 10 anos, Maria José Fernandes tinha um trabalho complicado e uma vida agitada. Decidiu adoptar um novo estilo de vida, mudando a alimentação e começando a fazer exercício físico. De forma auto-ditacta, começou a ter mais atenção aos rótuloes e fez uma lista de componentes que os cosméticos não deveriam ter, daí até à prática foi um passinho e tirou o curso de Biocosmética no Instituto Português de Naturologia. A partir daí não parou e é a fundadora e organizadora do Festival Luso-Zen.

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Esta foi uma conversa de partilha sobre experiências em biocosmética, pois há muitos produtos que podem ser feitos em casa. Por exemplo, sabias que o óleo de coco é o ideal para hidratar os cabelos rebeldes e secos ou que o chá verde é uma boa receita para tratar o acne? Ou ainda que o açúcar com limão é uma boa receita para hidratar as mãos? Tudo isto com produtos bem acessíveis em casa e sem gastar muito dinheiro. Maria José Fernandes explicou que há muitos produtos deste género à venda, mas a maior parte são muito caros.

“Ler e experimentar”, porque cada organismo é diferente, foi a principal dica de Maria José. Além da beleza, a biocosmética é também uma forma de estar.

Quem já dançou a pachanga?

Já alguma vez ouviste falar da pachanga? Este é um estilo de dança, variante da salsa, mas que tem arranjos especiais na música como o violino ou a flauta, e muitas vezes pode-se dançar a solo. James Brown foi um dos grandes reis da pachanga e Raquel Santos e João Fanha não deixaram isso passar em branco na oficina que lecionaram.

“Vamos acordar o corpo”, foi este o pedido de Raquel e João, dois dos seis membros do projeto Mambo Time, que propõe ao público que dance salsa, pachanga e chachachá. Hoje foi mesmo o dia da pachanga! O primeiro passo foi mesmo perceber como se caminha, o essencial em qualquer dança. Depois de uma passagem pelos pés, chega a parte do balanço, para que se possa construir uma linguagem evolutiva e possa chegar ao “twist de James Brown“.

Com a ajuda de alunos do Estúdio 8, onde lecionam em Lisboa, Raquel e João dançaram salsa e pachanga, para que os participantes visualizasse o que podem sentir ao dançar.

Foi com o ritmo do mambo, formado pela secção mais energética e acelerada da orquestra, primeiramente chamada diablo, que terminámos o terceiro dia no Andanças, para seguir para os bailes nas próximas noites.