Ana Hatherly, professora, escritora e artista plástica portuense morreu esta quarta-feira, aos 86 anos de idade num hospital em Lisboa. A informação foi avançada pela Lusa segundo uma fonte da Fundação Calouste Gulbenkian.

A artista plástica nasceu no Porto em 1929, era licenciada em Filologia Germânica e doutorada em Estudos Hispânicos. Foi professora catedrática na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde co-fundou o Instituto de Estudos Portugueses. Foi também membro da direcção da Associação Portuguesa de Escritores e ajudou a fundar o P.E.N. Clube Português, que acabou por presidir.

A obra da autora é caracterizada pelo cruzamento entre o cinema, as artes plásticas, a poesia e a prosa. De entre os livros que escreveu, destacam-se Eros frenético (1968), Anagramas (1969) e A dama e o cavaleiro (1960). A sua obra enquanto artista visual caracteriza-se pela expressão visual da poesia: o poema é escrito no papel como uma pintura.

Em 1976, representou Portugal na Bienal de Veneza com o filme Revolução que retratava as expressões artísticas depois do 25 de abril, nomeadamente os cartazes e os grafittis. 

Podem encontrar-se trabalhos de Ana Hatherly em várias coleções, nomeadamente na Fundação Calouste Gulbenkian, no Museu de Arte Contemporânea de Serralves e no Arquivo da Cinemateca Portuguesa.

Ana-Hatherly