One Hit Wonders. Já há poucos artigos a falar sobre esta temática na internet, não é verdade? Aqui no Espalha-Factos não somos indiferentes a este tema e resolvemos, também nós, fazer um artigo com uma seleção de temas que fizeram dos seus autores verdadeiras estrelas, ainda que por pouco tempo.

Em que difere, então, este artigo dos outros? Tem canções portuguesas, esta é a primeira grande particularidade. Está repleto de curiosidades e de histórias peculiares. O rock, a electrónica e a pop estão unidas harmoniosamente e, acima de tudo, está dividido em duas partes. Boas escutas.

Century – Lover Why

Os Century são um grande exemplo de que ter 15 minutos de fama nem sempre significa desaparecer na obscuridade. A banda francesa teve um percurso fugaz pela música, lançando apenas dois álbuns, mas foi mais do que suficiente para deixar uma marca no coração dos brasileiros e das rádios portuguesas. Lançado em 1986, o primeiro álbum da banda continha uma grande canção que, durante várias semanas, esteve no top português e francês. Lover Why é uma power ballad algo lamechas (“por que é que as flores morrem?” A sério?), mas os sintetizadores hipnóticos e a força que a canção ganha até atingir o refrão fazem dela uma grande malha. Uma pérola da altura onde os grandes hits ainda tinham solos de guitarra.

Jáfumega – Latin’América

Esta é outra banda que se fez ouvir durante muito pouco tempo. Os Jáfumega foram uma espécie de eterna promessa do rock português, mas nunca confirmaram o potencial que alguns viram na sua música. Os portuenses cedo ganharam fama com Latin’América, o que lhes valeu até uma presença no festival Vilar de Mouros, em 1982. Acusados por muitos de plagiar Message in a Bottle dos The Police, os Jáfumega estiveram apenas três anos no ativo. As letras ornamentadas e a sonoridade radio friendly – a fazer lembrar os Legião Urbana – podiam ter levado, de facto, a banda a voos mais altos, mas quem tem Jáfumega como nome de banda não se pode queixar da sorte…

Bomfunk MC’s – Freestyler

A Finlândia é, normalmente, associada a sonoridades mais pesadas, mas, em 1999, a música que mais tocava no país dos mil lagos não estava relacionada com guitarradas e blast beats. A malha que colocou a Europa a dançar é uma mistura de drum & bass, electrónica e hip hop e foi produzida por JS16, o mesmo homem que produziu Sandstorm (não há coincidências). O primeiro álbum dos Bomfunk MC’s esteve 69 semanas (!) no top de vendas discográficas da Finlândia, ganhou alguns prémios e continua a ser um dos álbuns mais vendidos no país. Ainda assim, o projecto terminou sem arte e glória em 2005. Digno de nota é também o videoclip desta Freestyler, onde um miúdo ‘guna’ finlandês descobre que consegue parar as pessoas com o seu mp3. Spoiler: no final era tudo imaginação e ele esteve sempre sentado num banco. Caso ainda exista quem nunca tenha visto…

A Flock of Seagull’s – I Ran (So Far Away)

Se, em 1982, o Frágil ou a Green Hill não tocassem esta música quase que mais valia fecharem. Os jovens que saiam à noite no início da década de 1980 ouviam era disto e ai da discoteca que não fizesse a vontade à clientela. A new wave estava cada vez mais pejada de sonoridades eletrónicas e de excentricidades nos vídeos musicais. Os A Flock of Seagull’s não quiseram ficar para trás e também eles apanharam a onda deste género musical. Mas, ao contrário, de uns Human League ou de uns Orchestral Manouveurs in the Dark, o grupo dos irmãos Mike e Ali Score conseguiu criar apenas um trabalho capaz de chegar às massas. A Flock of Seagull’s, o álbum, lançou dois singles, mas apenas I Ran (So Far Away) caiu nas boas graças das pessoas. O vídeo musical do tema teve a sua quota parte no caminho para o sucesso: isto porque o quarto forrado a papel vegetal e repleto de espelhos nas paredes visível no teledisco distinguia-se dos demais. A recém-criada MTV ajudou no resto.

Chris Isaak – Wicked Game

Pode um realizador de cinema ajudar a catapultar a carreira de um músico para voos mais altos? David Lynch e Chris Isaak responderiam certamente sim a esta pergunta. De facto, o cantor norte-americano, que faz recordar o estilo de Elvis Presley ou Roy Orbinson numa escuta mais desatenta, teve dois temas selecionados para a banda sonora do mítico Blue Velvet, de 1985. Mas se com esta ajuda Chris Isaak continuou mais ou menos desconhecido, o volte-face finalmente aconteceu em 1990, com Wild at Heart. Nesta longa-metragem, novamente assinada por Lynch, o tema Wicked Game foi uma das escolhas para figurar na banda sonora da história que junta Nicholas Cage e Laura Dern nos principais papeis. A voz quente e rouca de Isaak, aliada ao teledisco sugestivo e sensual, fez o resto: um one hit wonder que fica para a posteridade, entre outras coisas, pelo número de covers feitos, como por exemplo a dos HIM.

Descobre na próxima semana as restantes cinco canções da lista.

Artigo redigido por: Pedro Afonso Afflalo, com colaboração de Pedro Bento