O Andanças 2015 já começou oficialmente e com ele chegaram danças de todo o mundo à Barragem de Póvoa e Meadas, em Castelo de Vide. Neste primeiro dia, o Espalha-Factos assistiu a duas oficinas de dança e a um concerto no miradouro. 

Quem quer aprender o Fandango? Este é Basco

Vindo diretamente do Norte de Espanha, o Fandango Basco foi a primeira experiência do Espalha-Factos no Andanças. Se por terras lusitanas o fandango é bem conhecido, nuestros hermanos partilham essa herança popular connosco. Agitado e dançado a pares, a oficina de dança conduzida por Maria Sanchez Cubero mostrou que o fandango transmite o mesmo, quer seja em português ou em espanhol.

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Pelo segundo ano no Andanças, a bailarina que acompanha muitas vezes os grupos Martina Quiere Bailar e Parapente700 organizou duas rodas de forma a que na viragem ao terceiro tempo os participantes se cumprimentassem. Se num primeiro tempo ensinou o fandango, depois utilizou a expressão Arin Arin. Para Maria, estes dois estilos são o mesmo, só que lhe deram nomes diferentes ao longo do tempo. Para ensinar os participantes, utilizou essa diferença.

Questionada se os participantes ficam a dançar o fandango com a sua aula, Maria diz que dá para desenrascar para os bailes do festival, mas depois é melhor ter mais umas aulinhas. “Agora é fácil de praticar porque há vários grupos e músicos que tocam estas músicas”, afirma a bailarina.

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Depois de uma aula bem animada, com direito a esclarecimento de dúvidas, Maria constata que há um número crescente de público na sua oficina.

A energia tem de sair do coração para se aprender as danças colombianas

Foi com o tão reconhecido quente sol alentejano, que a oficina de Dança Afro-Colombiana começou. “Não é uma energia que vem da explosão, é uma energia que vem de dentro”, foi este o pedido inicial de Roxana Suárez. Com raízes maternas na Colômbia, a bailarina formou o projeto Pies Descalzos, inspirado na vontade de trabalhar as danças da América do Sul. Decidiu começar pelas danças colombianas e é por isso que está a pelo segundo ano no Andanças.

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“Mãe natureza” e “sorriso na cara” foram as expressões mais utilizadas durante a oficina. Em espiral ou individualmente, os participantes são colocados a agradecer à natureza aquela dança, sempre com uma “energia que deve vir diretamente do coração” e ser soprada para fora.

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Este é como se fosse um encontro numa aldeia, neste caso é a aldeia do Andanças, e este encontro tem o objetivo da celebração e da diversão. Para Roxana, as danças afro-colombianas refletem a energia da mistura na América do Sul. “Têm muitas das raízes que os indígenas tinham nos seus rituais, das raízes que os escravos trouxeram de África e um pouco da cultura espanhola que ficou”, explica-nos a bailarina.

É com o jogo de sedução entre homem e mulher e sempre com os pés bem apoiados na terra, para que todos sintam a energia a subir, que Roxana propõe que tanto os homens como as mulheres mexam a anca da mesma forma. “É assim que se faz na Colômbia,” diz exemplificando.

Com oficinas e outras animações até domingo, Roxana promete deixar-se levar pela energia que os Andantes lhe transmitem, porque a sua dança, aquela que ganhou em pequena, na Colômbia, é de interação e liberdade. Depois, Pies Descalzos saem de solo alentejano para worshops nas cidades de Porto e Lisboa em setembro.

Um final de tarde ao som de música celta

A tardinha é sempre um dos momentos mais aguardados no dia alentejano. Depois de largas horas de calor, a brisa da Barragem Póvoa e Meadas chega ao ritmo da música celta.

O trio Espiral, composto por flauta, violino e harpa, protagonizaram um momento íntimo e relaxante num miradouro, onde a paisagem da barragem era bem visível. Por instantes, a Bretanha, a Irlanda e a Escócia deslocaram-se a Castelo de Vide.

Os Andantes foram convidados a bailar. Alguns aceitaram, porque é assim que se faz no Andanças até dia 9 de agosto, dança-se!