Blood é o título do segundo projeto discográfico da cantora Lianne La Havas. Trata-se de um belíssimo trabalho de soul contemporâneo, pautado pela conjugação perfeita entre a voz da artista e arranjos instrumentais muito bem conseguidos.O álbum sucessor de Is Your Love Big Enough foi lançado na passada sexta-feira (31) e produzido pela Warner Bros. Records. A estadia de Lianne pela Jamaica trouxe ao seu registo apontamentos de reggae e RnB.

No passado dia 26 de julho, Lianne La Havas passou pelos Jardins do Marquês de Pombal em Oeiras, na última edição do EDP Cooljazz, com uma atuação que já incluiu faixas deste seu novo trabalho.

Unstoppable faz com que o ouvinte seja transportado para um mundo onírico. É uma faixa que garante uma boa previsão daquilo que se espera com a audição deste disco. Este é o primeiro single de Blood, e sem dúvida, uma das melhores faixas deste longa-duração. Não é preciso ouvir muito mais para comprovar a excelência e o requinte por detrás do som de Lianne. A pujança vocal do refrão perdura nos ouvidos, que contrasta com um arranjo instrumental lento e calmo.

A melhor faixa deste álbum é, de longe, o segundo single. What You Don’t Do é um dos temas que capta mais a atenção de quem escuta este álbum. Um soul com um twist mais moderno e atual e um ritmo e uma letra que conferem uma certa sensualidade ao tema são os ingredientes que o tornam tão especial.

Green & Gold é o foco mais explícito de RnB do álbum, ainda que agarrado às trompetes do soul, mostrando assim uma certa coerência musical por parte da artista. O toque de guitarra ameniza o ritmo e a suavidade no timbre de Lianne La Havas faz desta música um ponto alto do álbum. No mesmo sentido encontramos também a faixa Midnight, que apresenta características semelhantes. Difere apenas num maior pendor para o soul.

Never Get Enough é uma canção de enormes contrastes. O registo acústico e tranquilo das guitarras, acompanhadas por uma sobreposição uníssona da voz de Lianne, cruza-se com momentos mais agressivos de guitarra elétrica e voz em lo-fi. É a grande surpresa deste álbum, por apresentar o maior afastamento do registo habitual da cantora londrina.

O único ponto fraco deste álbum reside na sétima faixa. Grow pode ter uma letra interessante, mas a voz da cantora nos refrões, apesar de não desafinar, destoa um pouco; as “batucadas” também não ajudam nada. Não é uma má música, mas está longe de ser tão boa como aquelas acima referidas. Mas tenho de voltar a referir a letra, que é mesmo interessante!

Lianne La Havas despede-se de quem a ouve com Good Goodbye. Este é um tema mais sinfónico, com versos apaixonantes como “I don’t need faith, I just want you”. É o encerrar de um excelente álbum, com poucas falhas a apontar. Lianne está a progredir no sentido certo, com uma sonoridade que serve de “lufada de ar fresco” no contexto musical atual. Brindemos:

“Everybody raise a glass, here’s to a good goodbye”

Nota Final: 8,8/10