Na rubrica Lost In Translation, o Espalha-Factos dá-te a conhecer séries estrangeiras de inegável qualidade que, por algum motivo, não têm alcançado grande sucesso em Portugal. Esta semana, trazemos à ribalta Vikings.

Sucinta e essencialmente, Vikings é um drama histórico que retrata a vida de Ragnar Lothbrok, herói nórdico que, segundo a maior parte dos registos existentes, viveu no século IX. A série, criada por Michael Hirst em 2013, conta já com três temporadas e vinte e nove episódios, transmitidos originalmente pelo canal norte-americano History. De facto, a co-produção canadiana/irlandesa tem sido bastante bem-sucedida em países anglo-saxónicos, apresentando, neste momento, uma média de 3.33 milhões de espectadores por capítulo.

Contando com nomes como Travis Fimmel (Ragnar Lothbrok), Katheryn Winnick (Lagertha), George Blagden (Athelstan), Clive Standen (Rollo), Gustaf Skarsgård (Floki), Linus Roache (Ecbert) ou Kevin Durand (Harbard), Vikings explora de forma muito satisfatória a vida do povo nórdico que lhe dá o nome. Na verdade, e apesar de ser baseada em acontecimentos e personagens reais, a série toma bastantes liberdades, preenchendo e evitando eficazmente as inúmeras lacunas e inconsistências que existem nos registos históricos disponíveis daquela época.

Vikings

De uma forma geral, Michael Hirst mostra-nos a ascensão gradual de Ragnar Lothbrok, de simples camponês a Rei do seu povo. As famosas incursões vikings às terras inglesas e a Paris estão obviamente presentes, associadas a longas e entusiasmantes cenas de ação, se bem que sem a atualmente habitual violência gratuita – apenas a necessária. Também não faltam as inevitáveis rivalidades internas entre as muitas comunidades nórdicas, sendo que a série não teve medo de, aos poucos, ir expandido os seus horizontes e aumentando o número de personagens e localizações do seu enredo.

Outra das temáticas extensivamente abordadas em Vikings é, sem dúvida, a religião. A série mostra-nos muitos dos costumes e tradições associados às crenças nórdicas, fazendo o contraste com o cristianismo que imperava naquela época. Isto é conseguido, sobretudo, através de Athelstan – um monge cristão raptado por Ragnar e levado para a Escandinávia – e Floki – um crente fanático em Odin –, duas das personagens mais complexas e cativantes da história.

Vikings

Em Portugal, a série é transmitida pelo canal TV Séries, algo que pode explicar, em parte, os poucos fãs que o drama tem por cá, já que se trata de um canal premium. Contudo, com os meios e opções existentes hoje em dia, esse facto apenas atenua a estranheza associada ao pouco sucesso que Vikings tem alcançado em terras lusas. Apesar das várias nomeações para prestigiantes prémios – incluindo os Emmy Awards –, a série tarda em afirmar-se definitivamente em território nacional.

A quarta temporada da história de Ragnar está já confirmada para 2016. Se és um dos poucos fãs portugueses e estás curioso, podes ver o trailer aqui: