Correios foi o romance de estreia de Charles Bukowski e um dos seus (poucos) livros de prosa. Conta a história de Chinaski, o alter-ego de Bukowski, e a sua passagem pelos Correios Americanos.


Chinaski é, em bom português, um parvalhão de primeira. Esta personagem encarna o papel de um anti-herói moderno e podem ser-lhe atribuídos uma data de características menos positivas. O livro retrata o seu dia-a-dia nos correios, emprego que detestou desde o primeiro dia mas que o vai acompanhar por largos anos, as noites de excessos, regadas a álcool e acompanhadas por várias mulheres, e ainda a forma como os seus casamentos foram desabando, um atrás do outro.

Chinaski era detestado no local de trabalho – era detestado em quase todos os locais por onde passava, mas especialmente no local de trabalho – e arranjou vários problemas ao longo de toda a história. O chefe era quem o detestava mais, e fazia questão de lhe entregar as voltas mais longas e difíceis (especialmente quando percebia que Chinaski chegava aos correios ressacado).

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O livro roda à volta desta personagem, e, com tantos defeitos, o que é que faz com que este livro seja bom? A forma como Chinaski/ Bukowski descreve o seu dia-a-dia. O seu humor negro e incisivo faz com que até o leitor mais cético solte umas boas gargalhadas. Sim, é um livro para rir apesar de tratar de temas um pouco sensíveis, como a morte, as dependências, o divórcio.

É um livro que, pela forma como foi escrito, fala directamente com o leitor, interpela-o, obriga-o a olhar para a própria vida e a pôr tudo em perspectiva. É um livro que pede a altura certa para o ler porque a sua visão desencantada do mundo pode ser nociva para os mais sonhadores. Ainda assim não deixa de ser brutalmente verdadeira, num estilo de escrita que roça o grosseiro, e que acorda até as almas mais adormecidas.

Este é um livro que aconselharia para servir de iniciação ao mundo de Bukowski – apesar de tudo, é um dos mais fáceis de ler e um dos que considero mais divertidos. São 240 páginas de Bukowski em potência que vais adorar conhecer.

Nota final: 9/10

Título original: Post Office

Ano de lançamento: 1971

Páginas: 240

Editora: Antígona