A rubrica “5“, iniciada em fevereiro de 2014, pretende trazer aos leitores cinco factos cinematográficos de quinze em quinze dias. O tema varia em todos os artigos e a abrangência do mesmo é quase inesgotável.

O tema desta edição do “5” centra-se em cinco obras cinematográficas que marcaram e mudaram a História do Cinema. Todas elas têm, ainda hoje, um cariz muito controverso associado ao seu nome. São cinco filmes bastante elogiados pela crítica e os intelectuais de cinema, mas isso não evitou as sucessivas polémicas em que cada um destes filmes entrou. E não, não estamos a falar do The Interview, apesar de esse ter quase começado uma guerra diplomática.

The Birth Of a Nation (1915)

The Birth of a Nation (1915) Directed by D.W. Griffith Shown: Walter Long (as Gus) surrounded by Ku Klux Klan members

Apesar de ser uma das primeiras longas-metragens da história da 7.ª arte e um dos seus maiores épicos de sempre, The Birth of a Nation, cem anos depois, é um dos mais polémicos filmes de sempre. Tanto para o público na sua generalidade como para os cinéfilos há uma constante guerra de opiniões sobre o cariz da narrativa. Griffith, o realizador, era uma claro apoiante da causa sulista na guerra civil norte-americana. O filme é uma clara homenagem à Ku Klux Klan – nome de várias organizações racistas dos Estados Unidos que apoiam a supremacia branca e o protestantismo. Por este cariz mais ideológico, o filme é ainda hoje alvo de imensas críticas e alguns descredibilizam toda a película por este seu caráter mais polémico. No entanto um dos argumentos que temos de ter em conta quando se analisa tal obra é o contexto histórico e o homem que Griffith foi.

O Grande Ditador (1940)

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Este é talvez o filme mais polémico da carreira de Charles Chaplin. Estreou nas salas norte-americanas em plena II Guerra Mundial e é uma paródia do regime nazi alemão. Este filme foi banido depois em vários países e captou a atenção de Adolf Hitler, que o baniu na Alemanha nazi e em todos os países ocupados pela mesma. No entanto testemunhas oculares admitem que o ditador pediu uma cópia do filme e que o viu duas vezes na sua sala privada. Chaplin admitiu no ano em que o filme foi lançado que um dos seus maiores desejos era o de saber o que Hitler pensou ao visionar a película. Por razões históricas o filme de Chaplin só foi permitido na Alemanha a partir de 1958, 13 anos depois do fim da Grande Guerra.

Laranja Mecânica (1971)

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O Laranja Mecânica é hoje, a par com o The Shining, um dos filmes mais conhecidos da filmografia de Kubrick. No entanto é também dos seus filmes mais polémicos e que, quando estreou nos anos 70, gerou uma intensa discussão entre o público e a crítica. Além deste filme ser bastante violento e sexual, o maior fator para o seu cariz polémico é antes a proximidade que é dada entre a audiência e a personagem principal: um psicopata.

Salò ou Os 120 Dias de Sodoma (1975)

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Este é talvez um dos filmes mais polémicos de sempre. Pasolini é hoje um dos realizadores mais conhecidos e admirados do mundo do cinema italiano, mas Salò é ainda hoje um filme bastante criticado pela sua temática demasiado sexual e violenta. Um filme que estreou em 1975 mas que ainda hoje seria alvo de muita polémica no seio do público e dos meios de comunicação. Esta é a história de adolescentes que eram raptados na Itália fascista e que eram depois usados como objectos sexuais dos nazis. As cenas mais controversas incluíam o mais variado leque de abominações como: violação anal, suicídio, amputações, mutilação genital, incesto, homicídio e coprofagia. Este filme foi banido em vários países e Pasolini nunca conseguiu responder às ondas de indignação e polémica que foram levantadas contra o filme, visto que o realizador foi brutalmente assassinado pouco tempo depois da sua estreia.

A Paixão de Cristo (2004)

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Por fim, a Paixão de Cristo, realizado por Mel Gibson, é talvez dos filmes mais polémicos da história do cinema mais recente. O ator e realizador foi completamente atacado por grupos judaicos e foi acusado de antissemitismo graças às diferenças que a narrativa tem dos textos bíblicos, pintando assim a comunidade judaica de uma forma que não agradou aos mais altos representantes da religião. Se por um lado é sempre bastante complicado não gerar controvérsia com temas tão delicados quanto os religiosos, este foi sem dúvida o filme do novo século que mais fez correr tinta até agora.