Nesta edição do Apsarases, a escolha foi para Ballet for Life (Le Presbytère). Esta é uma coreografia de Béjart com música de Mozart e Queen, numa homenagem a Freddie Mercury e Jorge Donn

Freddie Mercury e Jorge Donn morreram ambos vítimas de SIDA com 45 anos. Mercury em 1991 e Donn em 1992. O vocalista dos Queen e o bailarino argentino da Béjart Ballet Lausanne  foram motivo de uma coreografia de Béjart.

Através do ballet, o coreógrafo junta duas personalidades muito diferentes, que têm em comum as suas atuações carismáticas. Béjart sempre deixou claro que esta era uma homenagem a quem morria jovem e não à SIDA. Por isso, também escolheu algumas músicas de Mozart, que morreu aos 35 anos.

As músicas selecionadas de Queen são: It’s A Beautiful Day, Let Me Live, Time, Brighton Rock, Heaven For Everyone, I Was Born To Love You, A Kind Of Magic, Get Down, Make Love, Seaside Rendezvous, You Take My Breath Away, Radio Ga Ga, A Winter’s Tale, The Millionaire Waltz, Love Of My Life, Bohemian Rhapsody, I Want To Break FreeThe Show Must Go On. De Mozart são utilizadas: Cosi Fan Tutte,Thamos, Piano Concerto No. 21, 2nd mvt, Masonic Funeral Music K477Sinfonia Concertante in E Flat Major K364.

Nos figurinos, Béjart contou uma vez mais com Versace, que dá primazia ao branco e preto nesta peça. O designer desenhou os figurinos pouco tempo antes de ter sido assassinado na sua residência em Miami.

O espetáculo estreou a 17 de janeiro de 1997, no Théâtre National de Chaillot, em que estiveram presentes Elton John e os três membros sobreviventes dos Queen –  Brian May, John Deacon e Roger Taylor.

No papel principal esteve Gil Roman, que desde 1979 trabalhava com Béjart e é o atual diretor artístico da Béjart Ballet Lausanne Ao todo estão em palco 37 bailarinos nesta peça de 105 minutos. Desde 1997, já foram realizadas mais de 350 atuações em todo o mundo.

Béjart disse sobre Ballet for Life: “Este é um bailado de juventude, esperança e otimismo, porque eu também acredito que apesar de tudo o espetáculo tem de continuar, tal como cantaram os Queen.”

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Em grupo, em duetos ou em solos, a companhia de Béjart dança a juventude, seja em que época for. O movimento de Jorge Donn e a música de Freddie Mercury são motivos para uma dedicatória a todos os que partem cedo demais e ao que deixaram para trás, quer seja nos seus relacionamentos ou a nível profissional. Como afirmou Béjart: “Os meus bailados são encontros: com a música, a vida, a morte, o amor…”