MEO Marés Vivas, Dia 18 de julho: Um trono sobre pianadas genuínas

O último dia do festival MEO Marés Vivas não divergiu dos contornos presentes nos dois dias que o antecederam. A azáfama nos inúmeros pontos de interesse espalhados pelo recinto, a jovialidade e a inquietação nos palcos foram uma constante na Praia do Cabedelo.

Para aquele que viria a encerrar a edição 2015 do festival MEO Marés Vivas estava reservado um dia inteiramente lotado, recheado de música nacional, com DEAU, The Black Mamba e Ana Moura, e onde nomes esclarecidamente chamativos como Jamie Cullum e The Script eram os principais responsáveis pela afluência de gente, firmando novamente as suas legiões de fãs em território nacional e aproveitando para conquistar os mais descrentes.

O dia começou com uma atuação dos Like Us no Palco Santa Casa, seguindo-se, pelas 19h15, no mesmo espaço, uma atuação do rapper DEAU. que teve na sua companhia o DJ D-One e Ruca. A admirável instantaneidade da empatia gerada entre o artista e o público conduziu o espetáculo a momentos intimistas, que tiveram o seu expoente máximo no terno tema Teresinha, dedicado à sua pequena irmã, igualmente presente em palco. Num final de tarde acinzentado, DEAU proporcionou um momento díspar, desvendando, em improviso, a história por detrás do tema Andorinha, que partilha com Expeão, membro do coletivo Dealema, dizendo “Não filmem, guardem na memória, guardem no coração”. Diz-me Só, canção que inclui a participação com Bezegol, e 4400 foram algumas das músicas interpretadas pelo gaiense, que se despediu de coração cheio, afirmando que não poderia ter terminado o seu dia de melhor forma.

Na abertura do Palco MEO e com Dirty Little Brother na bagagem, o seu mais recente registo em estúdio, os The Black Mamba iniciaram a sua atuação com Give It Up To That Funk. O mix de blues, rock, soul e funk da banda serviu para aquecer uma noite que se avizinhava auspiciosa. Torna-se pertinante sublinhar que os The Black Mamba foram promovidos este ano, justamente, ao palco principal do festival, após uma passagem, no ano transato, pelo Palco Santa Casa. O tema Canção De Mim Mesmo, recebido calorosamente pelo público, a surpresa exótica de Sweet Lies e Wonder Why Love, com a presença de Kika Cardoso, foram algumas das canções tocadas com irrequietude e empolgação diante um público que os acolheu de braços abertos, num concerto onde ainda houve tempo para um pedido de casamento, uma fotografia conjunta e infindáveis agradecimentos.

A madrinha do festival, Ana Moura, trouxe consigo raízes idiossincrasicamente portuguesas. Com um espetáculo repleto de sentimentalidade e com longas passagens instrumentais, a fadista apresentou um alinhamento em jeito de best of, tocando êxitos como Os Buzios e Leva-me aos Fados, assim como as canções Amor Afoito, A Fadista e E Tu Gostavas De Mim (escrita por Miguel Araújo), inseridas em Desfado, o seu quinto álbum de originais, lançado em 2012 com o selo da Universal Music. Na reta final do concerto, Ana Moura agradeceu à organização o convite e aproveitou para salientar a singularidade do festival.

Ana Moura, MEO Marés Vivas 2015

Naquele que, para além do melhor concerto do dia, foi indubitavelmente o melhor espetáculo desta edição do festival MEO Marés Vivas, o britânico Jamie Cullum abriu a sua atuação com The Same Things, seguida de Get Your Way. A hiperatividade, a eloquência, a subtileza e todo o ardor que Jamie emprega aquando das suas interpretações deixaram uma plateia extasiadamente afortunada ao som de Frontin’ de Pharell Williams, Everything You Didn’t Know e Everlasting Love. Com versões subtis, pouco duradouras e com algum beatbox à mistura, canções como Drop It Like It’s Hot, de Snoop Dogg, 1 Thing, de Amerie e Bitch Better Have My Money, da norte-americana Rihanna, também foram agradavelmente tocadas. Cullum experienciou fisicamente a energia emanada pela plateia, pousou uma bandeira portuguesa sobre o seu piano, parabenizou um espetador e admitiu a curiosidade em ver The Script ao vivo. Disparmente habilidoso, Jamie Cullum tocou When I Get Famous, antecedida de histórias relativas à sua adolescência e do seu percurso escolar, tendo ainda havido tempo para uma cover de Don’t Stop The Music, apimentada com breves agudos, e para uma High And Dry, música da autoria dos Radiohead, irrepreensivelmente interpretada. “This has been one of the best days of my life”, sentenciou efusivamente para uma imensidão de gente que, radiante, aplaudiu em força o artista.

Jamie Cullum, MEO Marés Vivas 2015

Feita uma contagem descrescente, foi a vez de o Palco MEO receber, por volta das 01h15, os irlandeses The Script, que, não perdendo tempo, colocaram o público a saltitar ao som de Paint The Town Green. Num alinhamento dominado por faixas do seu quarto álbum de estúdio, No Sound Without Silence, não faltaram êxitos como Breakeven, Before The Worst, We Cry  e The Man Who Can’t Be Moved, todos eles executados competentemente. Para rejúbilo da plateia, Superheroes foi tocada e dedicada a todos aqueles que, presentemente, estão a atravessar momentos árduos e, interagindo com o público, o frontman Danny O’ Donoghue proferiu algumas simpáticas palavras (“You sound totally amazing! That’s the Portugal I remember!”). Para o encore estavam reservadas The Energy Never Dies, For The First Time, No Good In Goodbye e Hall of Fame, euforicamente entoada pela plateia. Terminado o encore, a banda desfilou com uma bandeira portuguesa, fez uma vénia conjunta e pediu aos fãs para exigirem o seu regresso ao festival na sua próxima edição.

The Script, MEO Marés Vivas 2015

O after-hours ficou a cargo de Wilson Honrado e João Vaz, que animaram o recinto até às 6h da madrugada, encerrando derradeiramente a edição 2015 do festival MEO Marés Vivas.

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