Começou ontem mais uma edição do festival MEO Marés Vivas, realizado na Praia do Cabedelo, em Vila Nova de Gaia, que se prolongará por mais dois dias (17 e 18 de julho).

Num festival que raramente sofre mutações no seu espaço, este ano, ao contrário das restantes edições, o Palco Santa Casa esteve deslocado do seu recanto habitual e mais solarengo do que o costume, dada a inexistência de uma proteção superior capaz de toldar um público maioritariamente jovem.

O cartaz desta edição do MEO Marés Vivas é marcado por uma certa homogeneidade, estando composto por nomes garantidamente chamativos: para além de John Legend, Lenny Kravitz, The Script e Jamie Cullum irão igualmente marcar presença no recinto gaiense, sendo expectável uma numerosa moldura humana. Contudo, o MEO Marés Vivas não vive só de concertos e as distrações pareciam infindáveis, desde a animação protagonizada pela Rádio Comercial e pelas barracas da Moche e Ben & Jerry’s ao humor presente no Coreto Caixa.

Capicua, MEO Marés Vivas

Após o concerto de Diana Martinez & The Crib, chegou a vez de Capicua subir ao Palco Santa Casa, pelas 19h15, na companhia de M7 (mais conhecida pela sua cómica personagem de nome Beatriz Gosta), D-One e Virtus. Abrindo com Alfazema, um dos temas presentes em Sereia Louca, álbum editado em março do ano passado, a rapper portuense rapidamente contagiou o público presente, que incansavelmente movimentava os braços e se divertia imenso (não só em Vayorken, penúltima música do espetáculo). Ana Matos Fernandes aproveitou para convidar a plateia a assistir, pelas 23h, a um concerto de jovens do Bairro do Cerco, inserido no âmbito do projeto OUPA! e, influenciada por Sérgio Godinho e Sophia de Mello Breyner, sentenciou que a liberdade não é algo invocável unicamente numa data, mas algo conquistável diariamente. Capicua tem, de facto, Mão Pesada no rap português e comprovou a sua realeza.

Capicua, MEO Marés Vivas

Começando com um atraso relativamente significativo, os Blind Zero abriram o Palco MEO, trazendo na bagagem Kill Drama II, trabalho que conta com colaborações de nomes como Mark Kozelek, Sandra Nasic e Jorge Palma. Num concerto um pouco desinspirado, os portuenses dedicaram From You a Nick Cave, agitaram a multidão com Recognize e fizeram versões de Wrecking Ball e Whole Lotta Love, sem deixarem cair em esquecimento temas como Shine On, Snow Girl e Slow Time Love, tema que encerrou a atuação da banda liderada por Miguel Guedes.

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Mais tarde, o britânico John Newman subiu ao Palco MEO, deixando a plateia em êxtase com Blame, música que partilha com Calvin Harris e que deu início ao espetáculo. John Newman não possui um repertório extenso, o que o levou inevitavelmente a centrar a sua atuação em Tribute, o seu primeiro registo em estúdio, constituído por singles como Cheating, Losing Sleep e Out of My Head, todos eles tocados agradavelmente num concerto que, apesar da excessiva energia corporal, foi perdendo fulgor. A soul e a pop do artista oriundo de Settle tiveram o seu apogeu em Love Me Again, num encore em que este aproveitou para exibir orgulhosamente a bandeira portuguesa.

John Newman

Chegou o momento mais aguardado da noite: a estreia de John Legend em solo portuense, cuja atuação teve particular foco no disco Love In The Future, o quarto álbum do cantor norte-americano. Made to Love deu início a uma noite marcadamente prometedora, com algum histerismo sobreposto. “We are going to have fun tonight, Porto!” e “I’m going to be the best you ever had”, foram algumas das palavras proferidas por Legend, em tom intimista, diante de um público deliciado com o r’n’b e a soul do artista. Neste que foi o seu último espetáculo da tour europeia, houve ainda tempo para Lay Me Down, a popular All of Me e Glory, tema inserido na banda sonora do filme Selma e que foi interpretado irrepreensivelmente aquando do encerramento do concerto.

John Legend

Com o recinto ligeiramente mais vazio, coube a Richie Campbell entreter os ânimos de uma plateia derretida pelas baladas de John Legend. Com In the 876, lançado em maio do presente ano, aquele que é provavelmente o nome mais mediático do panorama reggae nacional foi incumbido de convencer os mais descrentes, acabando por rechear o recinto do Cabedelo com coloridos ritmos jamaicanos, saltos ondulados e boas vibrações. 911, tema que conta com a colaboração de Kymani Marley, filho de Bob Marley, Blame It On Me, Missing You foram alguns do êxitos presentes num concerto brilhantemente executado e com inúmeras palavras carinhosas dirigidas a um público que recebeu calorosamente Richie Campbell e a sua competente 911 Band.

Richie Campbell, MEO Marés Vivas

No after-hours, o entretenimento ficou a cargo de Maze (Dealema), Nitronious, membro do coletivo Monster Jinx, e do DJ D-One.

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