Das 5 às 7 é o mais recente romance de Hollywood. Realizado por Victor Levin e com atores vindos de Star Trek ou Skyfall, conta-nos a história de um amor improvável.

Brian Bloom, interpretado por Anton Yelchin, tem 24 anos e é um escritor fracassado cujo dia-a-dia é passado a lutar contra a rejeição de todas as editoras e jornais para os quais envia os seus textos. Ainda mal percebemos a história base do protagonista quando, a meros 5 minutos do início, o filme vai direto ao assunto que propõe, apresentando-nos de imediato Arielle Piermont. Esta personagem interpretada por Bérénice Marlohe será então o par romântico de Brian, numa relação que surge à porta de casa.

O escritor vai a passar numa movimentada rua nova-iorquina e é surpreendido pela elegância da forma como Arielle fuma o seu cigarro, do lado oposto da rua. Este adivinha a origem francesa da mulher de 33 anos e interpela-a, recebendo uma abertura inexpectável por parte desta. Estabelece-se uma química entre os dois e ambos planeiam encontrar-se uma vez por semana, sempre das 5 às 7 da tarde — horário estabelecido por Arielle, numa alusão ao termo francês “cinq à sept”, sinédoque que reporta para a hora em que originalmente os homens se encontravam com as suas amantes.

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Em conversa, Brian vem então a saber que Arielle é casada e mãe de dois filhos. Mas este não é um mero caso de adultério, como inicialmente se possa pensar. Tanto a co-protagonista como o seu marido, Valery (interpretado por Lambert Wilson), se encontram consentidamente com os respetivos amantes no horário referido. Esta particularidade da relação faz confusão a Brian e ao espectador, sobretudo pelo facto de, tanto Arielle como Valery, conhecerem e conviverem com os amantes de cada um e estabelecerem regras tão restritas como a proibição de beijar o amante publicamente. Se, ao tomar conhecimento do rigor em que se inserem as coordenadas do casamento de Arielle, Brian hesita em embarcar nesta aventura amorosa, o protagonista acaba por decidir deixar de parte as questões éticas que o impedem de avançar.

Contudo, torna-se complicado para Brian saber gerir as emoções e comandar o seu coração a amar Arielle apenas durante 2 horas, situação que se agrava quando esta conhece os pais conservadores do seu amante. De facto, ambos estão certos de que se amam irremediavelmente, mas desde que aceitaram a relação a que se propuseram, com todas as condições adjacentes bem clarificadas, que os dois sabiam a existência de compromissos que não poderiam ser quebrados. A cumplicidade entre os dois torna-se insustentável para uma co-existência com o casamento de Arielle, e é esta quem decide, através de uma carta, pôr um ponto final na relação adúltera que deixou evoluir demasiadamente.

Anos mais tarde, a dupla reencontra-se junto ao Guggenheim de Nova Iorque, local de um dos seus primeiros encontros, acompanhada pela respetiva família. Aqui, é notória a cumplicidade ainda existente entre os dois, bem como um não-esquecimento mútuo, expresso no olhar que ambos trocam. Discretamente, Arielle tira uma das luvas que cobre a sua mão e mostra que ainda enverga um anel outrora oferecido por Brian, metáfora para um claro “não foste esquecido”.

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Não consigo não olhar para Das 5 às 7 como um filme que aspira a Woody Allen mas que não lhe chega aos calcanhares. Numa tentativa de criação de uma história romântica original, o filme acaba por não trazer nada de novo ao universo cinematográfico do amor, por muito que tente introduzir alguns planos que fogem à normalidade do cinema de Hollywood. Se misturados com uma realização banal, Victor Levin deveria aperceber-se de que não surtem o efeito esperado de surpresa no espectador, caindo numa cinematografia que em nada nos pasma. Contudo, nem tudo é mau nesta trama e penso que o que a demarca das demais do mesmo género, é talvez o contraste cultural entre as personagens — se bem que nos faz acreditar numa generalização da cultura francesa que talvez não corresponda à realidade (pelo menos tão linearmente). De facto, a mulher surge com um pensamento liberal face à vida e ao amor, mostrando-se segura de si própria e das suas ideias, enquanto o escritor revela um maior nervosismo e insegurança face aos riscos que corre, fruto também da sua conservadora educação judaica. A décalage entre as idades de ambos é notória, mas torna interessante a química improvável que nasce deste affair.

A banda sonora é fiel ao habitualmente escutado nos filmes românticos americanos, mas é certo que só ganharia se surpreendesse. Pelo contrário, opta pelo facilitismo dos pianos que choram com as personagens e, não seria a amada francesa sem a doce composição de Carla Bruni em “Le ciel dans une chambre”, que não deixa de ser um cliché.

Resumindo, este é um filme que não nos fica na memória, mas que tem alguns rasgos de elementos bem-feitos e que se afastam de um comodismo cinemático que seria previsível. Aproveita-se a última frase do filme que nos remete para o facto de, sendo qual seja a nossa obra literária preferida, esta foi sempre escrita com vista a ser lida por um leitor específico, pensado pelo escritor.

4/10

Ficha Técnica

Título: 5 to 7

Realizador: Victor Levin

Argumento: Victor Levin

Com: Anton Yelchin, Bérénice Marlohe, Olivia Thirbly, Glenn Close, Lambert Wilson, Frank Langella

Género: Romance