O Mêda + está de regresso, nos dias 23, 24 e 25 de julho, para a sua sexta edição, com D’Alva, Diabo na Cruz e Sam Alone & The Gravediggers como cabeças-de-cartaz. Juntando as principais novidades e fazendo algumas previsões, o Espalha-Factosparceiro e assíduo no festival, dá-te seis motivos para não faltares.

1. Novo formato

O Mêda + deste ano duplica o número de bandas no cartaz. Pela primeira vez, vai ter dois palcos. Às habituais nove bandas (e três DJ), juntam-se mais nove nomes, maioritariamente da região de Viseu, que vão atuar no novo Palco Cadeira Amarela. Limbo, Madame Limousine ou Blackbird dão-te mais razões para passear na cidade e são uma alternativa aos mergulhos na piscina: beber umas cervejas à sombra, sentado na relva do Parque Municipal, a dois minutos a pé do campismo. Espera-se que seja um novo espaço de revelação de talentos – sempre nas calmas.

2. Receção ao campista

É precisamente nesse local que, um dia antes do início oficial, se organiza a receção ao campista. A “receção ao campista” é um conceito só viável em festivais com uma certa mística adquirida, em que se começam a montar as tendas alguns dias antes e um warm-up existiria inevitavelmente, quer fosse combinado ou não. Se no ano passado a intensidade desta noite foi uma surpresa para a maioria, agora já sabemos ao que vamos: num espírito de reconhecimento do território, 22 de julho também é para marcar na agenda.

Mêda + campismo

© Carlos Lobão

3. Cartaz um passo à frente

A melhor explicação para o Mêda + chegar à sexta edição ainda em curva ascendente é provavelmente o invariável equilíbrio de todos os cartazes, sempre com algumas certezas da música nacional e a piscar o olho ao que está a rebentar. Este ano não é exceção. «Mas não conheço a maior parte das bandas do cartaz» é sentimento partilhado nas vésperas, a cada ano que passa; a programação desencanta nomes que nunca passaram por qualquer palco do distrito (e às vezes de toda a região) e que rapidamente mostram ao público as razões da escolha. Casos de surpresa e amor à primeira vista são muitos, com Nervo, Matilha, O Bisonte e Throes + The Shine à frente deste pelotão. Não é por acaso que há tanta malta de fora a fazer centenas de quilómetros para atracar na Mêda.

Não fosse esta cisma pela novidade e o Mêda + não teria uma personalidade tão talhada. Este ano há Alice, em fase embrionária de carreira mas já com refrãos para coro; D’Alva (a banda revelação do NOS Alive de 2014), há um ano a rasgar rótulos, a desfazer preconceitos e a fazer dançar plateias cada vez maiores; Low Torque no já tradicional slot pesadão; e o folk com antepassados hardcore de Sam Alone & The Gravediggers, que promete uma harmonia plena com a paisagem, espírito e voltagem deste festival (é deles a música do spot promocional).

http://www.youtube.com/watch?v=KDYEgSbFMhw

Os Diabo na Cruz merecem um parágrafo exclusivo. Não só pelo estado de graça que atravessam (a conquistar públicos de todas as idades e feitios, da capital às localidades mais remotas de Portugal, ora em salas de teatro ora em arraiais populares), mas também porque marcam um regresso especial. Em 2011, na segunda edição do Mêda +, a banda teve uma grande dose de responsabilidade nos primeiros passos da afirmação deste festival. Quatro anos volvidos, entretanto com mais dois álbuns e uma feição mais musculada, era inevitável o reencontro. Aliás, não estamos a ver melhor sítio para tocar e ouvir música rock com raízes tradicionais do que na Mêda.

4. Não gastes uma nota preta

Não é novidade, mas não custa recordar que a estadia na Mêda pode ser bem barata. O baixo custo de vida confere-se nas estatísticas, já a hospitalidade confirma-se pela experiência: com algum aconselhamento, conseguirás encontrar refeições a preços que são verdadeiros achados. A romaria nesse fim-de-semana não provoca inflação (pelo contrário, às vezes).

A entrada para o festival e o campismo continuam, como sempre, gratuitos. Não tendo vencido o prémio na categoria Micro-festival da última edição do Portugal Festival Awards (ficou entre os mais votados, mas o vencedor foi o Indie Music Fest), o Mêda + reclama agora o estatuto informal de melhor festival de entrada livre do país.

© Carlos Lobão

© Carlos Lobão

5. Não precisas de vir de bicicleta, como no vídeo

O grande imbróglio deste festival são os transportes. Afastada da rede ferroviária e com uma oferta de autocarros nem sempre agradável, a viagem até à Mêda pode tornar-se espinhosa. Através da parceria com o Thumbeo, este ano a aposta é nas boleias. Esta aplicação, gratuita, permite oferecer e procurar boleias, conversar com amigos e usar o filtro #mêdamais para agilizar o processo (a app notifica-te quando são criadas boleias registadas com a hashtag). O maior inconveniente é ainda não estar disponível para iOs.

6. Meet & Greet

Aqui não precisas de participar em passatempos para te habilitares a fotografias e apertos de mão com os artistas. O Mêda + é dos festivais onde existe mais proximidade entre público e bandas, onde se cultiva aquele velho hábito de sair do palco e ir beber uns finos para a plateia, onde há sempre histórias inusitadas para recordar. Depois de vermos o Manuel Cruz a aderir ao sound biteÓ prima, vem aqui ao micro”, termos os Parkinsons a passear pelo campismo depois do concerto e do vocalista dos Miss Lava ter prolongado a estadia para além do necessário e ter cozinhado para a organização, ficamos a aguardar novos relatos de 2015. Chama-se química.

O Espalha-Factos é parceiro do Mêda +. Mais informações em http://medamais.pt. Cartaz completo:

Cartaz VI Mêda +