Espalha-Factos continua a marcar presença no NOS Alive, que tem decorrido desde o dia 9 de julho, no Passeio Marítimo de Algés. Num dia onde o cartaz parecia pouco apelativo, alguns dos concertos revelaram-se bastante interessantes.

O cartaz neste segundo dia de festival contou com nomes como Mumford & Sons, Blasted Mechanism, The Prodigy, James Blake, Kodaline, entre outros. Nota-se uma enorme diferença na afluência ao festival relativamente ao dia anterior. Talvez muitos subestimaram o cartaz, mas o NOS Alive recebeu atuações impressionantes neste segundo dia.

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Exatamente à mesma hora de Marmozets, começava a agitação de DJ Kamala no Clubbing, com um verdadeiro exército de estrelas do hip hop nacional. Para quem estava nas primeiras filas, era uma verdadeira emoção ver quem é que aparecia no canto do palco… Tudo começou com Virgul, que entoou a saudosa Dúia, que levou o público à loucura. Seguiram-se MGDRV, NBC, Tekilla, Sir Scratch… E até Sam The Kid. E este era apenas o primeiro set de DJ Kamala

Ainda sem arredar pé do palco Clubbing, é a vez de Capicua, que começa por dizer que tem uma “barbatana” lesionada. Ninguém diria. A energia de Capicua e M7 é transcendente. A surpresa de Valete, para acompanhar em Medusa, foi a verdadeira chave de ouro.

Ao cair da tarde, o Palco NOS acolheu o concerto dos Sheppard. O ambiente no recinto era um tanto pacato – horários de concertos coincidentes têm coisas destas. Os vocalistas eram simpáticos para com a plateia, interagindo. Para além do maravilhoso cabelo azul de Amy Sheppard, o grande destaque deste concerto vai para o famoso tema Geronimo, que fez com que o público tivesse uma reação mais efusiva.

O mesmo palco recebeu de seguida os Mumford & Sons, uma das atuações mais aguardadas neste segundo dia de NOS AliveMarcus Mumford grita um “boa noite” sem qualquer sotaque” e os gritos do público cedem lugar a Snake Eyes. No tema seguinte, I Will Wait, a multidão entra em euforia e em palco surge aquele que em tempos pensámos que estaria desaparecido: o banjo! Foi um concerto onde houve lugar para demonstrar o melhor dos seus três álbuns. Marcus interagiu com frequência com o público. O momento alto do concerto foi quando o próprio desceu do palco e se manteve a cantar uma música junto dos seus fãs na primeira fila. Sem dúvida, a atuação do dia.

No Palco Heineken, os Future Islands já estavam a dar um concerto fantástico. Samuel Herring incorpora uma espécie de personagem em palco. Transforma-se num ser que dança e se desloca por meio da sua música. O ambiente estava espetacular e a música era perfeita, no entanto, houve momentos em que parecia que se estava a ouvir sempre a mesma canção. Sentia-se uma energia estonteante vinda do palco e Welmers não escondeu a sua satisfação por estar perante um público tão entusiasmado.

Um pulinho até ao palco NOS – um eufemismo, já que as deslocações em multidão são sempre difíceis. The Prodigy entram num palco decorado com a capa do novo álbum, The Day Is My Enemy. Mas optam por aquecer o Passeio Marítimo de Algés com Breathe. Basta apenas um “come breathe with me” para milhares de pessoas entrarem em estado de loucura. Seguiu-se Omen, Firestarter, Voodoo People… Os êxitos de sempre muito bem intercalados com músicas do novo álbum, que parecia ser desconhecido para muitos. Numa palavra: espetacular, tanto a nível sonoro quanto visual.

Para quem já não tinha tanta energia, o palco Heineken era uma boa opção para ver (mais) um bom concerto, com o britânico James Blake. Muitas foram as expetativas depositadas neste concerto. Sente-se a euforia no ar com a entrada de Blake, do baterista Ben Assiter e do guitarrista Rob McAndrews. “My brother and my sister don’t speak to me/ But I don’t blame them/ But I don’t blame them”, são os versos que iniciam I Never Learnt To Share e que o público gritava sucessivamente. Ao som do recente tema 200 Press instala-se um clima de grande entusiasmo. Outro ponto alto foi ao som de Limit To Your Love, uma música bastante conhecida do público, que não hesitou em acompanhar o músico. Nessa altura Blake atrapalhou-se um pouco, ao ouvir o público a cantar com uns versos de avanço e decidiu recomeçar a música, soltando um breve riso para a plateia. Porém, nem tudo foi perfeito. O concerto de Blake foi francamente curto, e a atuação de Retrograde foi prejudicada devido a falhas no som de The Wilhelm Scream os fãs gritam os poucos versos que constituem a música, na esperança de que o britânico reconsiderasse e decidisse tocar mais alguma música. No entanto, Blake despediu-se do público e a escuridão invadiu o Palco Heineken.

Fotografias de Beatriz Silva