Chega às salas de cinema portuguesas um dos filmes mais dramáticos do ano. Passado no período da Primeira Grande Guerra, Testemunho de Juventude é um filme e uma história que carrega uma imensa carga emocional e humanitária.

Vera Brittain, uma mulher britânica, conta-nos a sua história de como foi ver a sua inocência de juventude ser roubada pela Primeira Grande Guerra que estalou na década de 10 do século XX. Esta é uma história do amor de juventude, da futilidade da guerra e de como encontrar sentido até nos momentos mais negros.

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Habituados que já estamos a ver tanta atrocidade no cinema que é incrível como é que filmes como este nos continuam a surpreender. Testemunho de Juventude é um filme que se baseia nos escritos de Vera Brittain que escreveu uma auto-biografia contando a sua terrível experiência na I Guerra Mundial. E aqui temos um dos pilares basilares de todo o filme: a história de Vera. Esta terrível fábula é assustadoramente penosa de se ver enquanto espectador ciente da realidade dos factos. O sofrimentos de Vera – de há quase 100 anos atrás – é agra sofrido por cada espectador que se propõe a ver este filme. Mas que a dor desta mulher não seja mostrada em vão: a mensagem pacifista muito característica deste filme de James Kent é talvez também um dos pontos mais fortes de toda a argumentação e elaboração deste projecto.

E é neste cariz algo mais intervencionista que vemos o filme a realizar-se. É em Alicia Vikander que o filme acaba por encontrar o seu maior aliado. Esta excelente actriz sueca – que já tinha dado cartaz em Royal Affair, Anna Karenina e mais recentemente Ex Machina – é talvez das mais talentosas actrizes da sua geração. Se estes filmes representam uma entrada de Vikander no mercado de Hollywood, a sua participação neste filme britânico só a vem confirmar e ajudar a dar então o pontapé de saída para mercados não europeus. A sua performance enquanto Vera Brittain foi, sem quaisquer dúvidas, fenomenal e talvez o elemento mais forte de toda a película foi mesmo o trabalho desta actriz. Todo o filme é carregado às costas por ela e pelo olhar atento da câmera de Kent.

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Posto isto basta só falar de outro elemento da narrativa que se destacou, talvez, pela negativa. Kit Harrington tem de parar de brincar aos actores. Talvez a história que tinha mais potencial para ser uma apaixonante fábula foi apenas mais uma em tantas outras. Esta história dos dois amantes separados pela trágica guerra não é novidade para o espectador. Em Expiação todos nós sofremos por Robbie e Cecilia, na Casablanca com Rick e Ilsa, etc. Mas aqui a prestação de Harrington comprometeu toda esta linha narrativa. A empatia que o argumento tentou criar entre a relação de Vera com Roland e o espectador não se deu devido exclusivamente ao mau trabalho de Kit enquanto actor. A história dos condenados apaixonados viveu sempre na sombra de outras histórias, como por exemplo a relação de Vera com o seu irmão Edward, encarnado por Taron Egerton.

Em suma, este é um filme que nos desperta para dois momentos importantíssimos da História Mundial. O período da Primeira Guerra Mundial que ceifou milhares de vidas e surgiu de um capricho bélico. E o período imediatamente após a este conflito que, graças à intolerância e desejo de vingança, levou a outro cataclismo armado que foi ainda mais sangrento. A história de Vera é importante para perceber o quão retorcido é esta ideia de guerra e o quanto as pessoas podem sofrer, como ela própria disse no seu livro: “a nossa geração nunca mais será jovem. A nossa jovialidade foi-nos roubada”.

7/10

Ficha Técnica

Título: Testament of Youth

Realizador: James Kent

Argumento: Juliette Towhidi (filme); Vera Brittain (livro)

Com: Alicia Vikander, Kit Harrington, Taron Egerton

Género: Drama, Biografia, Guerra, História