No decorrer desta semana, Paris abriu portas aos criadores de alta-costura, ou assim não o tivesse determinado o Chambre Syndicale de la Couture Parisienne. Durante cinco dias, vários espaços em toda a metrópole receberam as coleções de high fashion correspondentes ao próximo outono/inverno 2015/2016. O Espalha-Factos esteve, virtualmente, de olhos postos nas passerelles para te poder fazer um resumo do evento e começar a apostar em quantos destes vestidos vão passar pelas passadeiras vermelhas no próximo ano.

  • Domingo, 5 de julho de 2015

Atelier Versace

Apesar da tentativa de chamada de atenção de Adeline André, ao colocar modelos aparentemente mais velhos a desfilar, o grande destaque do dia foi para o desfile de Atelier Versace. Donatella não só mudou de corte de cabelo como também introduziu uma mudança no estilo da sua coleção. Se nas temporadas passadas foram apresentadas coleções inspiradas na saga As Cinquenta Sombras de Grey, este ano a designer apresentou uma coleção mais romântica. Mais que isso, Donatella Versace conseguiu incorporar o movimento hippie na alta-costura e, ainda assim, manter as suas linhas de sensualidade. Foi também um desfile rico em modelos, como Lara Stone, Anja Rubik, Joan Smalls, Kendall Jenner ou Karlie Kloss.

“Existem duas faces. Quisemos mostrar o lado mais suave da Versace” – Donatella Versace, designer da marca

 

  • Segunda-feira, 6 de julho de 2015

Christian Dior

O segundo dia amanheceu cedo, porém, para muitos só começou às 14:30h, quando foi dada ordem de entrada às primeiras modelos do desfile de Christian Dior. Com um considerável número de celebridades a ocuparem a primeira fila, como Lupita Nyong’o, Emily Blunt e Anna Wintour, o desfile destacou-se pelo cenário mas também pelas peças que por ele passaram. O diretor criativo da Dior empenhou-se em atribuir uma boa dose de feminilidade ao desfile ou não fosse a marca a criadora do “new look” dos anos 50. Consegui esse feito através de vestidos, tanto longos como compridos, com tecidos esvoaçantes e padrões floridos e brilhantes. Outro grande destaque foi para os casacos que acompanham todo o comprimento das peças que cobrem.

“Quisemos desconstruir uma herança tão vincada, mais especificadamente nos casacos” – Raf Simons, diretor criativo da Dior

 

Ralph & Russo

Com menos celebridades mas com peças (arrisco-me a dizer) mais interessantes do que o anterior, o desfile de Ralph & Russo seguiu-se logo após ao de Christian Dior, mas não ficou, de modo algum, na sua sombra. Uma coleção candidata à passadeira vermelha, abrange os tons escuros e metalizados mas, também, as cores mais suaves como brancos e rosas. Uma atrás da outra, não houve peça a que consegui apontar algo de muito negativo. As cores, os padrões e as silhuetas conjugadas na perfeição são a prova de que a marca de Tamara Ralph e Michael Russo tem vindo a mostrar melhoras ano após ano.

“(…) um espétaculo carregado de maravilhas do amor (…)” – Lily Templeton, redatora do site NOWFASHION

 

 Giambattista Valli

Apesar do já visto desfile em ziguezague, as peças revelaram-se um pouco diferentes do habitual, ainda que mantendo algumas características da marca. Dos looks, destacou-se um já aprovado por Sarah Jessica Parker: o vestido sobre calça. Ainda assim, não faltaram as saias compridas e volumosos de Giambattista Valli que fazem vista a qualquer mulher que o use (exceto se essa mulher for Lena Dunham). Porém, algo falhou este ano. As famosas saias foram mal conjugadas com a parte superior do conjunto e por serem tão grandes fizeram com que algumas modelos tivessem dificuldade em desfilar.

“Nunca poderíamos dizer que o Valli não gosta de arriscar” – Tim Blanks,  editor-at-large do site Style.com

 

  • Terça-feira, 7 de julho de 2015

Chanel

Kristen Stewart entra apaticamente num salão de jogos onde já se encontram algumas personalidades à sua espera. De seguida, outras como ela entram e, sem darmos por isso, o cenário de casino enche-se de nomes como Julianne Moore, Rita Ora e AnnaSophia Robb. Elegantemente bem vestidas e sob os olhares atentos de Anna Wintour e Suzy Menkes, as figurantes desfilam entre mesas de jogo, cumprimentam-se como se não tivessem estado juntas nos bastidores, sentam-se nos lugares previamente definidos e fazem apostas fictícias, soltando enormes gargalhadas quando ganham o tudo e o nada. Dá-se início ao desfile. As verdadeiras modelos desfilam (des)organizadamente e interagem com os falsos jogadores, observando-os.

Karl Lagerfeld surpreende quem o observa todos os anos, os seus cenários e performances. Porém, este ano, para além da surpresa, Karl gerou também um sentimento de alívio. Finalmente, o criador regressou aos clássicos e deixou-se de invenções. Este desfile, ao contrário dos últimos, transpareceu aquilo que Gabrielle Bonheur Chanel projetou para a marca e voltou a definir o seu público alvo. Numa coleção repleta de verdadeiras obras de arte, o designer conseguiu modernizar, mantendo o clássico. O velho conjunto casaco e saia foi desenhado sobre tecidos metálicos e com padrões geométricos e a sua silhueta transformou-se e foi rematada com franjas. Para além disso e porque Lagerfeld se esforça por tirar a Chanel dos armários das avós, surgem peças que diferem das restantes pelo seu vanguardismo.

Os atores que desempenham o papel de bons entendedores do poker deixam o salão. Os dealers arrumam as fichas e as modelos desfilam uma última vez. Karl Lagerfeld surge subtilmente por dois segundos e Anna Wintour aplaude sem sorrir. Está feito!

“Lagerfeld, hoje, permitiu que ela fosse a avozinha glamorosa” – Tim Blanks,  editor-at-large do site Style.com

 

Giorgio Armani Privé

Há alguns anos, Giorgio Armani conseguiu criar uma coleção de quase meia centena de peças com apenas três cores: preto, vermelho e branco. Este ano, o criador conseguiu fazê-lo num degradê de cores que vai desde o preto, passa pelo azul e roxo, acabando no rosa. A coleção destacou-se pelas suas silhuetas arrojadas e padrões chamativos adornados com franjas e muito brilho.

“Combinadas com uma paleta rica em cores, as peças, nesta coleção de alta-costura, foram, no mínimo, impressionantes” – Jessica Michault, editora-chefe do site NOWFASHION

 

  • Quarta-feira, 8 de julho de 2015

Elie Saab

Chanel pode ser um clássico mas é por Elie que todas suspiramos. Ano após ano, a dificuldade em descrever a coleção da marca vai-se acentuando. Não faltou o esplendor e o requinte de sempre, assim como não faltou o usual brilho e tecido esvoaçante. Porém, este ano, o criador apostou em peças diferentes, como macacões e em silhuetas com mais volume. Como fã da marca, custa-me dizer que temo que as coleções se estejam a tornar repetitivas e que não mostrem nada de novo. Elie Saab já viu melhores dias!

“(…) se a coleção sofreu de algumas repetições, houve, também, algumas beldades” – Nicole Phelps, editora executiva do site Style.com

 

  • Quinta-feira, 9 de julho de 2015

Zuhair Murad

Para começar o último dia e, simultaneamente, fechar os desfiles de vestuário de alta-costura deste ano, Murad esforçou-se para que as celebridades que venham a vestir as suas peças sejam eleitas para a lista das mais bem vestidas. A marca levou o inverno a sério e carregou o desfile de cores frias. Sem esquecer o céu estrelado das noites de inverno, o criador investiu no brilho e em jóias com o formato de estrela. O foco de luz sobre tantos brilhantes cria um efeito fantástico. Destacam-se as transparências, os rendados, os tecidos fluídos, os pelos e o veludo.

“(…) a extravagância absoluta que somente uma sóbria elegante é capaz de trazer” – Frédérique Bel, atriz francesa

 

Desfile de Alta-Costura de Valentino

O Chambre Syndicale de la Couture Parisienne determinou que as coleções de alta-costura só poderiam ser apresentadas na sua cidade-berço: Paris. Porém, Valentino Garavani fugiu à regra e apresentou o seu desfile em Roma. E porque o Espalha-Factos não discrimina ninguém, deixamos-te aqui as imagens do desfile.