O ShopAlike Portugal, um centro comercial online especializado em moda e lifestyle, preparou um artigo de 10 símbolos da Emancipação Feminina, com uma série de pequenas histórias por detrás de cada objeto que figura na lista. 

A lista dos 10 objetos, aparentemente normais mas que em muito contribuíram para desencadear uma série de mudanças na cultura feminina, foi desenvolvida pelos criativos da ShopAlike Portugal, um centro comercial online que reúne produtos de diferentes lojas para que não seja preciso o consumidor dispersar-se por vários websites. O Espalha-Factos partilha agora esta mesma lista, com algumas informações adicionais, como é o caso do cigarro se ter tornado símbolo da libertação feminina através de uma campanha de publicidade concebida por um sobrinho de Freud.
Typewriter

A invenção da máquina de escrever está no topo da lista por representar o momento chave para a independência feminina financeira. Isto por ter permitido às mulheres executar funções como secretárias, dactilógrafas ou mesmo repórteres. A primeira máquina de escrever a obter sucesso comercial foi a Sholes and Glidden, também conhecida como Remington No. 1, desenhada pelo inventor americano Christopher Latham Sholes e desenvolvida com a assistência de Samuel W. Soule e Carlos S. Glidden. Foi ainda a primeira máquina com o layout de teclado QWERTY, até hoje utilizado em computadores e smartphones.

A partir do fim do séc. XIX Bicyclee começo do séc. XX, já no campo dos transportes, a bicicleta passou a representar um importante símbolo feminino, por ter dado oportunidade às mulheres de se transportarem de forma autónoma. Susan B. Anthony, uma das principais líderes dos direitos das mulheres nos EUA, disse em 1896 que “a bicicleta fez mais pela emancipação feminina do que qualquer outra coisa no mundo”. Nesse mesmo ano, Annie Cohen Kopchovsky, mais conhecida por Annie Londonderry, foi a primeira mulher a viajar pelo mundo de bicicleta, tendo o seu feito sido descrito pelo New York Newspaper como “a mais extraordinária jornada feita por uma mulher”. Infeliz e atualmente, as mulheres ainda não estão autorizadas a andar de bicicleta em países como a Coreia do Norte ou a Arábia Saudita, no qual também não é costume o uso do fato de banho ou biquíni, a não ser por estrangeiros.

Aliás, até ao início do séc. XX, inclusive no Ocidente, as mulheres utilizavam combinações pouco confortáveis e frescas sempre que frequentavam praias ou piscinas. Foi a nadadora, atriz e escritora Annette Kellerman queSwimsuit revolucionou o mundo feminino ao ser presa por atentado ao pudor em Revere Beach, em Massachusetts (EUA). Kellerman, a primeira mulher a protagonizar uma cena de nudez em cinema, vestia um fato de banho, deixando apenas o pescoço e os braços a descoberto, que se tornou um ícone do Bikinifeminismo, após as queixas terem sido retiradas. Mas só em 1946, Louis Réard criou o biquíni, que aquando do seu lançamento não alcançou grande sucesso. A stripper Micheline Bernardini foi na altura a única mulher disposta a usá-lo em público. Em 1957, a revista Modern Girl declarou que as mulheres com bom gosto e decência não estariam dipostas a usá-lo. O traje tornou-se popular quando algumas atrizes começaram a usar biquínis na vida pessoal.

Em Trousers1919, Luisa Capetillo, líder sindical porto-riquenha e ativista dos direitos das mulheres, foi presa por usar calças, um crime na época. Nos anos 30, a atriz e cantora alemã Marlene Dietrich foi constantemente fotografada a usar calças, tendo sido outra das mulheres a apresentar a peça polémica na cultura feminina ao mundo. 30 anos depois, as calças tornaram-se unisexo com a introdução de um modelo de jeans exclusivamente femininos, por André Courréges, um estilista francês. Contudo, as mulheres só passaram a ser autorizadas a usar calças em 1993 no Senado dos EUA. Por estas razões, esta peça também representa um símbolo da emancipação feminina.
Cigarette

Também o cigarro consta da lista. No início do séc. XX, a indústria do tabaco já era poderosa em quase todo o mundo ocidental, sendo possível fumar até mesmo em hospitais. Contudo, não era bem visto que as mulheres fumassem em público. No domingo de Páscoa de 1929, foi organizada uma marcha, em Nova Iorque. As mulheres marcharam enquanto fumavam aquilo que intitularam de “tochas da liberdade”, símbolo da igualdade de direitos para ambos os sexos. Na verdade, as mulheres presentes eram modelos contratadas para uma campanha de publicidade, concebida pelo sobrinho de Freud e pai das Relações Públicas, Edward Bernays, que foi contratado para derrubar o tabu que impedia as mulheres de fumarem em público e, consequentemente, de serem consumidoras ativas. Bernays, influenciado pelas teorias do tio, percebeu que o cigarro é um símbolo fálico, associado a ideias de poder, independência e liberdade. Neste sentido, foi fácil entender que as mulheres poderiam adotar o cigarro como um desafio ao poder masculino. Por mais polémico que este feito possa ser considerado, a verdade é que o cigarro se tornou um símbolo da libertação feminina e, durante muitos anos, a imagem da mulher que fuma e a da mulher forte e independente estiveram associadas.

Um dos síHeadkerchiefmbolos mais conhecidos da História das Mulheres é a Rosie the Riveter, um ícone cultural dos EUA, criado pelo artista gráfico J. Howard Miller a serviço da Westinghouse Company. A imagem de uma operária a envergar uma bandana vermelha com o slogan “We can do it!” foi originalmente utilizada durante a 2ª Guerra Mundial, para melhorar a moral das mulheres que trabalhavam em fábricas de armamentos. Só passou a ser um símbolo da força e independência feminina com a sua redescoberta na década de 80.

Em 1Miniskirt963, a estilista britânica Mary Quant inspirou-se no carro Mini para inventar a mini-saia, que deveria ser usada sempre com leggings ou meia-calça. A mini-saia veio trazer às adolescentes a possibilidade de se distinguirem das suas mães, desafiando a moralidade e a moda da época. Outra revolução no vestuário, que também revolucionou a cultura feminina, trata-se do sutiã. Antigamente, os corpetes eram usados como suporte dos seios. No começo do séc. XX, com a invenção do sutiã, asBra mulheres passaram a ter a opção de roupa interior mais confortável e saudável que, para além de oferecer o suporte adequado aos seios, permitiu que as mulheres conseguissem respirar melhor e mover-se mais livremente. O sutiã pontiagudo, combinado com um pullover, foi um look icónico dos anos 40 e 50.

No desporto, um dos atualmente mais praticado por mulheres, ajudou em grande escala a Raquetluta pela igualdade de géneros. O ténis é um dos poucos desportos em que homens e mulheres competem em conjunto, em duplas mistas. A tenista e golfista profissional americana Althea Gibson foi uma das diversas tenistas que atingiram fama mundial, além de ter sido também a primeira atleta negra a quebrar a barreira racial no desporto. Em 1973, decorreu o jogo que ficou conhecido com a Batalha dos Sexos, no qual Billie Jean King, considerada uma das melhores tenistas e atletas de todos os tempos, venceu o tenista Bobby Rings.

Hoje em dia, as mulheres ainda lutam pelos seus direitos. Em muitos países, os símbolos aqui retratados ainda não significam liberdade, como é o caso da bicicleta na Coreia do Norte e na Arábia Saudita. O feminismo é cada vez mais um movimento social, filosófico e político em ação. Emma Watson é um dos famosos rostos do feminismo, depois do seu discurso emocionante em 2014. Recentemente, Maisie Williams, a atriz que representa Arya Stark na série Game of Thrones, discursou em Nova Iorque a favor do fim das limitações de género.