Lisboa e Porto, duas cidades que desde sempre andaram em guerra. A menina e moça nunca foi à bola com o ar grave e sério da mulher do norte e vice-versa. O que vale é que lisboetas e portuenses acabam as discussões regionalistas num qualquer café da esquina a beber uma bela cerveja, ou se preferirem, uma imperial ou um fino, porque afinal de contas somos todos gente da mesma terra.

No primeiro sábado de cada mês o Espalha-Factos passa a ser o campo de batalha para um confronto mensal entre duas belíssimas cidades portuguesas. Nesta guerra de regiões, palavras, fotografias e vídeos são as únicas armas permitidas. A vitória!? Será decidida por ti através dos teus comentários.

Neste mês debruçamo-nos sobre os dois rios que correm por estas duas cidades, conferindo-lhes um encanto distinto. Contudo que história há por detrás do Tejo e do Douro? O Espalha-Factos vai-te falar um pouco destes dois cursos de água, bem como de algumas atividades que podes fazer à beira rio em ambas as cidades.

O Rio Tejo

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O Rio Tejo nasce na serra de Albarracín, em Espanha, e percorre 1007 km até banhar a capital portuguesa. É considerado o rio mais extenso da Península Ibérica e os nuestros hermanos chamam-lhe rio Tajo.

É o Tejo que separa Lisboa da Margem Sul. No entanto, há duas pontes que unem as suas margens: a Ponte 25 de Abril (antiga Ponte Salazar) que liga Lisboa a Almada e a Ponte Vasco da Gama que liga Lisboa a Alcochete. Esta última é a ponte mais longa da Europa e a nona mais extensa do mundo.

Foi o rio Tejo que serviu de ponto de partida para os descobrimentos portugueses – crê-se que foi a partir da Ribeira das Naus que saíram as embarcações que descobriram o caminho marítimo para a Índia, a costa africana e o Brasil. O Terramoto de 1755 é também um dos marcos incontornáveis da história de Lisboa e de Portugal devido à destruição quase completa de uma grande parte da capital. A reconstrução da cidade foi largamente incentivada pelo Marquês de Pombal, sendo a baixa pombalina uma das obras mais destacadas.

Um dos ex-libris da cidade, o Cais das Colunas, foi também construído nessa altura. Os dois pilares são de inspiração maçónica e pretendem representar as colunas do Templo de Salomão. Este cais serviu para o desembarque da rainha Isabel II na sua visita a Portugal, em 1957.

A marginal é o lugar preferido para o descanso dos turistas. Os bares, cafés e restaurantes servem coisas tão variadas que vão desde pizza à tradicional ginjinha e ao pastel de Belém. É frequente ver pessoas a correr e a andar de bicicleta pela marginal. Os passeios em embarcações turísticas também são populares assim como as visitas aos monumentos emblemáticos da capital, como o Padrão dos Descobrimentos.

Rio Douro

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O Rio Douro é um dos principais rios da Península Ibérica, a sua nascente situada nos picos da Serra do Urbião, na província de Soria, no norte de Espanha, a mais de 2000 metros de altitude. Com 927Km de comprimento, é o terceiro rio mais extenso da Península Ibérica. A origem do seu nome vem do latim Durius, que poderá ter vindo das tribos celtas que habitavam a região antes dos tempos romanos.

A Região Vinhateira do Alto Douro foi considerada pela UNESCO como Património Mundial a 14 de dezembro de 2001. Antigamente, o famoso Vinho do Porto era transportado ao longo do rio em barcos de fundo plano, chamados rabelos, para armazenamento nas caves de Vila Nova de Gaia. Contudo, à medida que barragens foram sendo construídas ao longo do rio durante os anos 50 e 60, esta forma tradicional de transporte foi abandonada.

A foz do Douro situa-se tanto na cidade do Porto como de Vila Nova de Gaia, sendo a fronteira que divide as duas cidades. Seis pontes possibilitam a travessia entre ambas as cidades, sendo elas a Ponte D. Luís, a Ponte do Freixo, a Ponte D. Maria, a Ponte do Infante, a Ponte da Arrábida e a Ponte de São João. A zona da Ribeira, no lado do Porto, e o cais de Gaia são excelentes pontos turísticos, onde as pessoas se poderão maravilhar com as vistas únicas de cada uma das cidades.

O Rio Douro é na verdade uma fronteira entre duas vertentes tão distintas, mas que ao mesmo tempo se complementam. Para quem gosta de uma visita ao passado e de um serão mais tradicional, o cais da Ribeira é a escolha ideal, com os seus vários restaurantes à beira-rio e a possibilidade de um bom passeio junto aos edifícios rústicos que parecem contar uma história. Para aqueles que preferem apreciar a vista da Ribeira de longe e ao mesmo tempo visitar uma zona mais moderna e ainda ter a possibilidade de visitar as Caves do Vinho do Porto, o cais de Gaia vai fazer as delícias de qualquer um.

Texto da autoria da Alfacinha  Inês Chaíça e do Tripeiro Tiago Costa.