A banda desenhada, também conhecida por narrativa figurada ou arte sequencial, conjuga texto e imagem para dar vida a histórias dos mais variados géneros e estilos literários. Considerada a 9ª Arte, a banda desenhada é atualmente publicada impressa e digitalmente, abrangendo um universo de criações, que muitas vezes é adaptado aos jogos, às artes plásticas ou até a produtos de merchandising. O Espalha-Factos decidiu não só contar-te um pouco da sua história, mas também apresentar-te seis BD’s a não perder.

Com raízes na Europa, só alcançou a maioridade nos EUA. O artista gráfico e escritor suíço, Rodolphe Töpffer, foi o primeiro a perceber o seu potencial, embora o escritor e ilustrador alemão Wilhelm Busch seja considerado o seu precursor com a obra Juca e Chico – Histórias de Dois Meninos em Sete Travessuras. A primeira BD a ganhar um Pulitzer foi Maus: A Survivor’s Tale, de Art Spielgman, um romance gráfico que narra a luta do pai do autor para sobreviver ao Holocausto e no qual diferentes grúpos étnicos são retratados através de várias espécies de animais.

Em Portugal, o seu início deu-se em 1850 e, posteriormente, Rafael Bordalo Pinheiro desenvolveu a técnica, editando em 1872 o primeiro álbum de banda desenhada, constituído por 14 páginas e 120 desenhos. O AmadoraBD – Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora foi criado em novembro de 1990 e festejou 25 anos em 2014.

6 Bandas Desenhadas a não perder

 

1. O Baile

O Baile, de Nuno Duarte e Joana Afonso, venceu o prémio de melhor álbum português no AmadoraBD 2013. A narrativa decorre em 1967, seguindo  a investigação do Inspector Rui Brás, da PIDE, que é enviado a uma vila costeira para impor a sanidade e o silêncio recomendáveis, a meses de uma importante visita papal. “Dividido entre um padre deslocado e resignado, e uma mulher desequilibrada acusada de invocar os mortos, o inspector acaba por entrar num “baile” de actos e consequências nefastas que poderá arrastar toda a vila para um desenlace trágico.”

Quanto ao grafismo, apresenta-se legível, mas artístico de cunho pessoal. O argumento é de terror clássico e tem sido alvo de excelentes críticas – e até de uma reedição, algo que é raro no mercado português de banda desenhada.

2. Evereste

Evereste, de Ricardo Cabral, conta a história da gloriosa subida do alpinista João Garcia e do seu amigo belga Pascal Debrouwer ao ponto mais alto do mundo sem recurso a oxigénio artificial, relatando também a dramática descida a que apenas Garcia sobreviveu.

3. Dog Mendonça e Pizza Boy

Dog Mendonça e Pizza Boy, de Filipe Melo e Juan Cavia Santiago Villa, é a série de banda desenhada portuguesa do momento. A narrativa decorre em Portugal, com Lisboa como pano de fundo, cidade onde todas as criaturas sobrenaturais procuraram refúgio durante a Segunda Guerra Mundial. Vampiros, lobisomens, gárgulas e fantasmas convivem pacificamente entre humanos, enquanto no subsolo o pior de todos os monstros prepara o seu regresso. Um jovem distribuidor de pizzas, um investigador do oculto, um demónio de seis mil anos e a cabeça de uma gárgula serão os únicos capazes de lhe fazer frente.

Em Portugal, a editora é a Tinta-da-China e nos EUA a Dark Horse Comics.

4. Blacksad

A série Blacksad, de Juan Díaz Canales e Juanjo Guarnido, segue as investigações do detetive privado, John Blacksad, um gato preto numa América antropormofizada. O primeiro volume, Blacksad – Algures entre as sombras, foi publicado em novembro de 2000, no mercado francês. Canales e Guarnido já receberam inúmeros reconhecimentos graças à série, incluindo três nomeações e duas vitórias no The Will Eisner Comic Industry Awards e um Angoulême Prize for Artwork.

O Espalha-Factos já partilhou a crítica literária não só ao volume 1 como ao volume 2, Blacksad – Arctic Nation, e ao volume 3, Blacksad – Alma Vermelha.

5. Finalmente o Verão

Finalmente o Verão, de Mariko e Jillian Tamaki, é uma novela gráfica de 332 páginas sobre o fim da infância, o início da adolescência e as dores de crescimento que acompanham esses processos de mudança. Detentora de uma já considerável lista de prémios, esta obra recebeu em 2015 um prémio Printz Honor, atribuído pela YALSA, e um Caldecott Honour, atribuído pela American Library Association. É possível folhear as primeiras cinco páginas no Planeta Tangerina.

6. O Fantasma de Anya

Anya’s Ghost, de Vera Brosgol, tem tradução brasileira da editora Jangada. Uma novela gráfica sobre a amizade entre Anya, uma rapariga que tenta sobreviver no mundo às vezes complicado de uma escola secundária, e Emily, um fantasma ressentido.