Às 22 horas e 30 minutos, sabendo que o bilhete se paga à entrada e que qualquer pessoa pode aceder ao espectáculo desta noite, é de estranhar a forma perfeitamente tranquila como se processa a entrada no Lux. Está visto que a elegância e o requinte que são marca da discoteca se mantêm mesmo no dia em que um dos mais badalados artistas musicais da atualidade, Chet Faker, vem passar música.

Poderia parecer uma noite perfeitamente normal de Lux. Mas não. Era a noite da Warm Up Party do NOS Alive 2015 que, com a chancela e habitual coolness da Heineken, decidiu dar um cheirinho do festival com alguns dos artistas que estarão no Passeio Marítimo de Algés e que foram apresentar os seus dj sets: Nick Murphy (a.k.a. Chet Faker), João Vieira e Rui Maia dos X-Wife, Moullinex e Olugbenga (o baixista dos Metronomy acabaria por não vir graças ao cancelamento do seu voo para Lisboa).

Entretanto, já se vai fazendo um warm up do Warm Up. No bar, Pinkboy animava quem chegava e às 23 e 30, na pista, Ramboiage fumava tranquilamente o seu cigarro enquanto arrancava os primeiros e entusiásticos passos de dança de um público que, ainda assim, estava claramente à espera de Faker, que esta noite era apenas Nick Murphy. Enquanto isto Moullinex passeava-se alegremente enquanto se preparava para, em conjunto com Xinobi, colmatar a falta de Olugbenga antes da sua actuação propriamente dita.

Pouco depois da uma da manhã, as intenções do público ficam assumidamente declaradas quando Nick Murphy sobe à mesa e é recebido com aplausos. O australiano começa o set com uma versão remexida de Feeling Good de Nina Simone na qual se ouve a voz do próprio, começando assim uma hora e meia de dança que, não sendo absolutamente estonteante, brindou os dançantes com remixes chetfakerianos de músicas de nomes conhecidos como Hot Chip ou Caribou e ainda serviu para mostrar um Chet Faker amável, despido de qualquer vedetismo e assumidamente feliz. E é normal que esteja já que, no fundo, está a ser pago para passar uma semaninha de férias em Portugal enquanto “assina” quatro actuações (Lux, Coliseu, NOS Alive) para um público que sabe que gosta de si. Assim, é com naturalidade que a sua despedida se tenha feito em tom de agradecimento e de um “eu amanhã volto, amigos”, enquanto ao seu lado já estava Moullinex que descia à pista para a segunda actuação da noite. O set do dj de Viseu começou a chamar a atenção através de uma versão pujante de Louder Places de Jamie XX.

No bar, João Vieira e Rui Maia dos X-Wife despertam os desatentos com NEW DORP, NEW YORK dos SBTRKT e dão avanço a uma actuação relaxada que entreteve quem não quis meter-se na confusão da pista.

Comparado com o de 2013 onde a antevisão do Alive se fez com Dead Combo e Legendary Tigerman, nunca se poderá dizer que este foi o melhor dos aquecimentos, uma vez que o constante formato de DJ Set se tornava cansativo e, em certa medida, repetitivo, já que as escolhas foram idênticas entre todos os artistas. No entanto, se na balança for também pesado o facto de tudo isto se ter passado dentro da atmosfera perfeitamente glamourosa do Lux, poderá ser encarado como mentiroso aquele que disser que este Warm Up foi mais um Cool Down.

Fotografias de Élio Santos.