Mais um ano letivo chega ao fim na Escola de Dança do Conservatório Nacional. De 3 a 5 de julho, os alunos da EDCN apresentam no Teatro CamõesValsa, Mazurca, Aula Concerto, Reframed e La Ventana. Para 19 alunos é também um momento de despedida. O Espalha- Factos falou com Pedro Carneiro, Diretor da EDCN , para saber como foi este último ano.

Das salas de aula do Bairro Alto, os alunos da Escola de Dança do Conservatório Nacional passam para o palco do Teatro Camões no Parque das Nações. Em quatro espetáculos, os 200 alunos da EDCN dividem-se em grupos para dançarem num palco de profissionais.

“Este ano foi um ano que correu especialmente bem” – Pedro Carneiro

“Este ano foi um ano que correu especialmente bem”, afirma Pedro Carneiro, Diretor da EDCN. Os alunos da escola têm vindo a aumentar, quer em número como em qualidade. As audições no final de junho refletiram isso mesmo. Existiu um número recorde de alunos estrangeiros a candidatarem-se e a entrarem na escola. Neste ano letivo, a escola tinha 10% de alunos estrangeiros com nacionalidade japonesa, arménia, polaca, chinesa ou dos EUA.

Os alunos vindos de outras partes do país também tem crescido. Relativamente ao ingresso de alunos fora de Lisboa, o Diretor louva a iniciativa da Associação de Pais, que criou uma residência para esses alunos.

Para este número crescente de interessados em ingressar na EDCN, Pedro Carneiro justifica-o pela aposta na internacionalização e numa nova metodologia aplicada quando entrou para a escola, sendo Vice-Presidente do Conselho Executivo desde 2003 e Diretor a partir de 2008. “Quando eu comecei na direção, houve uma metodologia da escola para que todos trabalhassem com o mesmo estilo. Começou-se a investir na internacionalização, que consistiu na participação dos alunos em concursos, mas também no trabalho com coreógrafos e professores estrangeiros”, conta.

La Ventana © Henrique Morais

Só neste ano letivo, Miguel Pinheiro e Mitsuto Ito foram distinguidos no Prix de Lausanne (Suiça). Maria Fonseca e Caetana Dias conquistaram o 1.º e o 2.º lugares, respetivamente, na categoria de Dança Contemporânea, e os alunos Motoya Fukushima e Ruri Matsuya alcançaram o 3.º lugar na categoria Dança Clássica – Pas-de-Deux no TanzOlymp. Maria Ribas também conquistou a medalha de prata no Valentina Kozlova International Ballet Competition. “Foi um ano que tínhamos uma turma muito boa, com pessoas muito talentosas”, constata o Diretor.

“Mas nem só os alunos finalistas fazem a escola“, acrescenta. Têm sido muitos os esforços da escola na formação dos alunos desde o primeiro ano. Todos os anos vem à EDCN uma professora da Vaganova dar aulas aos mais novos durante um mês.

Para o espetáculo final, em fevereiro, Duncan Rownes foi até à escola para trabalhar a coreografia Reframed com os alunos. Pedro Carneiro conheceu o coreógrafo em Lausanne, pois era professor de contemporâneo, e decidiu trazê-lo até Portugal.

Reframed ©Henrique Morais

Mas antes já os mais novos tinham começado a trabalhar com a professora russa a Valsa, com coreografia de Alla Shirkevich e a Mazurca, com coreografia de M. Petipa. E como é sempre um bom cartão de visita, este ano leva-se de novo a palco a Aula Concerto, com coreografia de K. Sergueiev.

Aula Concerto © Henrique Morais

Por fim, há La Ventana de August Bournonville, remontado por Frank Andersen, já Diretor da Royal Danish Ballet, e Eva Kloborg.

Num espetáculo com clássico e contemporâneo, Pedro Carneiro afirma que na escola, embora a carga horária de clássico seja maior, há um equilíbrio entre estas duas disciplinas nucleares. “Tentamos ter as duas vertentes, porque eles têm de ter uma formação eclética”, diz.

E há quem termine o percurso na escola. Este ano são 19 os finalistas. Alice Pernão, Francisca Costa, Catarina Godinho, Daia Kashiwaba, Diana Duarte, Francisco Patrício, India Nunes, João Costa, Maria Lua Carreira, Maria Ribas, Michael Pontius, Miguel Pinheiro, Nare Sukiasyan, Patrícia Rodrigues, Patrick Lempicki, Pedro Garcia, Shigeyuki Kondo, Teresa Dias Tsz Ching Chow despedem-se da Escola de Dança. Com a sua saída vem o objetivo da profissionalização. Mas até a esse nível a EDCN teve bons resultados.

“Este ano temos um número muito elevado de alunos que já têm uma colocação profissional” – Pedro Carneiro

“Este ano temos um número muito elevado de alunos que já têm uma colocação profissional”, revela Pedro Carneiro. “Este ano temos mais alunos, do que alguma vez tivemos, que vão começar numa companhia”, acrescenta. Na procura pela companhia, a escola dá uma ajuda. Logo no início do ano, há uma reunião com os alunos para que eles comecem a pensar no caminho a seguir. “Eles têm de pensar que tipo de companhia se enquadra nos objetivos que eles têm, nas qualidades que eles têm e depois têm de fazer um trabalho de pesquisa e candidatarem-se. Depois algumas [companhias] organizam audições e eles têm de fazer um plano de sítios consoante as respostas que obtiverem e  onde pretenderem ir”, explica o Diretor sobre o processo dos alunos na procura de um futuro.

La Ventana © Henrique Morais

O objetivo da escola é que saiam preparados para a profissionalização, mas o Diretor afirma que isso depende da maturidade do aluno. Alguns alunos continuam a ter formação em escolas e outros começam por ingressar nas companhias jovens e depois poderão então entrar nas companhias.

Para o próximo ano, o desejo de Pedro Carneiro é que se continue o trabalho que se tem vindo a desenvolver até agora. Logo em dezembro, o CCB recebe a escola com Quebra-Nozes. Os professores convidados vão ser regulares. E se na parte clássica se irá montar D.Quixote, Vasco Wellenkamp será o escolhido para trabalhar com os alunos na dança contemporânea. Em março, um ex aluno da escola, que dançou no Ballet de Monte Carlo, irá estar na Oficina Coreográfica. O Programa de Jovens Coreógrafos também continuará. Pedro Carneiro considera-o “promissor, porque o grupo que será finalista para o ano, este ano fez trabalhos muito interessantes.”

Em setembro começará tudo de novo, por enquanto dança-se o final deste ano.

Fotografias de Henrique Morais