Ontem o Teatro Nacional D.Maria II apresentou a sua nova temporada. Tiago Rodrigues, novo diretor artístico, mostrou-se empenhado em mudar e melhorar uma série de aspectos, aproximando o teatro das pessoas e as pessoas do teatro. Numa temporada que o próprio anuncia ser “intensa” mas em que a palavra “abertura” teve destaque.

A temporada inicia-se com um programa gratuito para todas as pessoas. Chama-se Entrada Livre porque “O gesto de entrar num teatro nacional e fruir da criação artística é, mais do que um direito ou um dever, um gesto de liberdade”. Há estreias absolutas, leituras encenadas, exposições, músicos e DJs na varanda. Todas as atividades pensadas para que haja ligação entre a comunidade e o teatro.

As primeiras peças a ir para cena são estreias absolutas de três peças da autoria de Tiago Rodrigues que desde que assumiu o cargo de diretor artísticos se mostrou disposto a continuar o seu trabalho de dramaturgo e encenador. Ifigénia, Agamémnon e Electra são três visões das tragédias gregas de Eurípedes, Sófocles e Ésquilo.

Ifigenia Aganemnon Electra ©Magda Bizarro

Outra das apostas do D. Maria II é o Ciclo Recém-Nascidos em que serão levadas a cena peças de Raquel e André, Os Possessos, Silly Season e Terceira Pessoa . “São percursos artísticos inovadores que dão os primeiros passos, e que merecem ser vistos com a vitalidade e a esperança que só se encontra em quem acabou de nascer para o teatro”, afirma o diretor  artístico.

Os clássicos são para ser revisitados e por isso Ricardo III, a célebre peça de William Shakespeare sobe a palco pela mão do encenador Tónan Quito. Depois de mais de dez anos sem pisar palcos nacionais, Rodrigo Garcia, um dos nomes do teatro contemporâneo regressa ao país para apresentar 4.

Tiago Rodrigues empenhou-se nas parcerias e na ligação com outros teatros e companhias. Via haver uma colaboração com o Teatro Nacional São Carlos com o espetáculo Canto da Europa por Ana Borralho e João Galante, o Romeu e Julieta sobe a palco do Teatro Camões pela mão de Rui Horta e da Companhia Nacional de Bailado, o Minho ocupa-se do TNDMII e as três pelas vão mais tarde regressar a suas casas. Ainda se mantém a ligação com o Teatro Nacional São João. O teatro português vai ser levado para o resto da Europa numa parceria com o Théâtre de la Bastille de Paris, parceria que se mantém por mais duas temporadas. Há ainda espaço para uma colaboração com o festival de cinema Lisbon & Estoril Film Festival e com o Alkantara festival.

As crianças e os adolescentes vão ter lugar no D.Maria II. Além de peças dedicadas a eles há masterclass e workshops para que o crescimento nesta área seja melhor e mais acompanhado. Tiago Rodrigues mostra-se preocupado com aqueles que querem fazer teatro ou apenas tirar proveito dele, uma vez que a palavra seja escrita ou falada os influência muito e pode fazer a diferença.

“Vai ser uma temporada intensa” em que vai ser preciso fazer “das tripas coração para ser uma casa do teatro, uma casa aberta, presente em todo o país e para lá das nossas fronteiras, ocupada da infância, da juventude e das escolas, empenhada na pesquisa e na inovação, atenta à vida pública e capaz de contribuir para a felicidade dos portugueses”, rematou Tiago Rodrigues.

Para o novo diretor artístico do Teatro Nacional D.Maria II, este teatro é “a casa que pertence a todos, uma casa nova mas que já vai fazer 170 anos” e que vai ter uma festa de aniversário com espetáculos, exposições, lançamentos de livros e uma série de surpresas e atividades ainda não reveladas.

Miguel Honrado, membro do conselho de administração, anunciou mudanças na estrutura do TNDMII. A primeira a acontecer já em setembro no logo marca do teatro que se vai apresentar com uma nova cara por ser preciso adaptar-se às novas dinâmicas sociais e à comunicação que querem fazer. Falou ainda na reabilitação do Café Garrett com abertura de uma esplanada no Largo D. João da Câmara e na renovação do átrio de entrada do público.

O secretário de estado da cultura, Jorge Barreto Xavier, revelou que a escolha de Tiago Rodrigues para o novo cargo de diretor artístico do TNDMII se prendia com o factor de renovação geracional e de projecto. Reconheceu que o encenador “representa um desafio à política cultural” por não permitir que se “fique no quentinho das nossas casas”. Barreto Xavier vê esta nova temporada como “uma chama imensa” que vai permitir “a afirmação do teatro como um ato de cidadania”.