Chegámos ao fim de junho, a verdadeira divisória. Agora que passaram seis meses desde o início do ano, a equipa de Música do Espalha-Factos escolhe os melhores álbuns de 2015… até agora.

Daniel Dantas:

Ghost Culture – Ghost Culture

Ghost Culture é o nome do álbum de estreia do músico James Greenwood, que conta com a assinatura da Phantasy, editora londrina fundada por Erol Alkan em 2007.

A artwork não induz ninguém em erro relativamente à sonoridade presente no disco: escuro quanto baste, fértil em sintetizadores e com um potencial desmesurado para agitar as pistas de dança mundiais. Não sendo descabidas as comparações com Pet Shop Boys, New Order e até mesmo com Depeche Mode, não é menos verdade que Greenwood bebe um pouco da fonte de outros artistas que compõem o catálogo da sua editora.

 

Kendrick Lamar – To Pimp A Butterfly

Depois do aclamadíssimo lançamento de good kid, m.A.A.d city, Kendrick Lamar regressou em força com To Pimp a Buttefly. O disco, que conta com a colaboração de nomes de peso do panorama musical atual como Pharell Williams, Flying Lotus e Thundercat, rapidamente se instituiu na crítica mundial como um dos álbuns a ter em atenção no presente ano.

Menos easy listening do que o seu antecessor, To Pimp A Butterfly é uma verdadeira homenagem à raça negra, um álbum obrigatório que, tendo o hip hop como género dominante,  se socorre de sonoridades jazz e funk para o apimentar.

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Tobias Jesso Jr. – Goon

Lançado pela True Panther Sounds, editora de Ty Segall e Shlohmo, Goon é o disco de estreia de Tobias Jesso Jr.. Tobias é um sofredor cuja simplicidade e honestidade se transparecem através de doces e suaves baladas, remetendo-nos para sonoridades que se situam algures no espaço temporal compreendido entre os finais da década de 60 e os inícios da década de 70.

Hollywood, How Could You Babe e Without You são alguns dos temas que figuram este disco introspetivo e que ilustram vincadamente o coração partido do músico canadiano.

 

Jefre Cantu-Ledesma – A Year With 13 Moons

A Year With 13 Moons é o mais recente trabalho em estúdio de Jefre Cantu-Ledesma. O multi-instrumentalista californiano presenteia-nos com um disco abstrato, ambíguo, experimental e manifestamente instável, dadas as constantes oscilações entre a música ambiente, noise, drone e shoegaze presentes neste registo.

A viagem tem uma duração aproximada de 40 minutos e é altamente recomendável.

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André Franco

Death Grips – Jenny Death

Embora seja a continuação de um projecto iniciado ainda em 2014 com niggas on the moon, é de todo plausível que consideremos Jenny Death, a segunda metade do álbum duplo The Powers That B, como um álbum de 2015. Também não é descabido considerar o disco como uma das ofertas mais viscerais e marcantes do ano até agora. Sendo provavelmente o output mais coerente da banda desde o controverso NO LOVE DEEP WEB, Jenny Death é uma dose concentrada de adrenalina desprovida de qualquer vontade de socializar. Faixas como Inanimate Sensation e Beyond Alive servem perfeitamente para ilustrar o ciber punk obscuro da banda que neste disco ganha um novo expoente. Uma das melhores ofertas desta primeira metade do ano.

 

Faith No MoreSol Invictus

Foram 17 anos de ausência e embora essas coisas se esqueçam com dificuldade, os Faith No More fizeram com que nos abstraíssemos disso e pautaram o seu regresso com um disco extremamente sólido. Sol Invictus é um regresso a todos os elementos que fizeram a banda especial em primeiro lugar. Desde a variedade vocal de Mike Patton até à fantástica noção melódica e rítmica incutidas nas suas composições metal, os Faith No More trocaram um pouco a sua componente de experimentação por um trabalho mais linear, contudo fresco e extremamente focado. A prova de que, em 2015, é possível para as castas mais antigas ainda nos ensinarem uma coisa ou outra.

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Joaquim Pedro Santos

Carlão – Quarenta

 

Alexandra Silva

Blur – The Magic Whip

The Magic Whip

Benjamin Clementine – At Least For Now

Sleater Kinney – No Cities To Live

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Pedro Miranda

PondMan It Feels Like Space Again

A vida tem corrido bem ao psicadelismo australiano. Seja o alegre dance pop dos Jagwar Ma ou o colorido rock dos Tame Impala, a mais recente prole musical de Down Under tem dado os seus frutos. Mas enquanto que estes últimos têm estado mais que visivelmente nas bocas do mundo, com a banda de Kevin Parker a arrebatar aos Arctic Monkeys o título de ‘Banda do Momento’, ninguém aparenta estar a dar aos Pond a atenção que tanto merecem. A banda de Perth, liderada por Nick Allbrook, e produzida pelo próprio Parker (que tem demonstrado uma consistência notável e já leva meia dúzia de discos no currículo) trouxe-nos este ano Man It Feels Like Space Again, um álbum estelar que circula inconspicuamente entre a ferocidade rock e o potencial caleidoscópico dos seus elementos. Um dos primeiros grandes álbuns do ano de uma banda que ainda tem muito a mostrar ao mundo – ainda que não muita gente esteja a prestar atenção.

Ghostface Killah & BADBADNOTGOOD – Sour Soul

Desta vez de terras norte-americanas, chega-nos uma colaboração com tanto de improvável quanto de eficaz. De um lado, o veteraníssimo membro de um dos mais aclamados grupos de hip-hop de sempre que, para relativa vergonha dos seus contemporâneos da outra margem (veja-se o que tem feito Ice Cube nos últimos tempos), continua tão astuto quanto à altura do lançamento de Enter the Wu-Tang (36 Chambers). Do outro, um dos mais interessantes e ambiciosos trios a sair da jovem guarda de Toronto, mesclando influências rítmicas do hip-hop com inclinações melódicas mais jazzísticas. O resultado não poderia ser outro: os versos aguçados de Ghostface Killah deslizam sempre tão fluída e concordantemente sobre as incisivas batidas e divagantes instrumentais dos BADBADNOTGOOD, num dos mais agradavelmente contemplativos e introspetivos discos destes primeiros meses de 2015.
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Panda Bear – Panda Bear Meets the Grim Reaper

Num misto das mais vibrantes cores e texturas, e depois de uma série de bem sucedidos álbuns e EPs, Noah Lennox retorna aos discos com Panda Bear Meets the Grim Reaper. O norte-americano-feito-lisboeta reflete o trabalho de uma carreira neste quinto álbum de originais que não resiste lembrar os Animal Collective: das aventuras pop de Merriweather Post Pavillion às mistelas cacófonas de Centipede Hz, Panda Bear colhe em 50 minutos os frutos de quase duas décadas de trabalho com Avey Tare, Geologist e Deakin, num disco com tanto de bonança (Sequential Circuits) quanto de tempestade (Boys Latin). Numa sequência de ébrios vislumbres, impressões e ideais (com direito a referência a uma das mais célebres zonas de Lisboa), Panda Bear mostra-nos porque é bom ser-se fora do vulgar.