Os cinemas UCI, em parceria com a Nos Lusomundo, propõem-se agora a projetar filmes menos conhecidos da generalidade do púbico e que triunfaram nos festivais internacionais um pouco por todo o mundo. Madame Bovary, filme de Sophie Barthes, abre as hostes deste ciclo que já revelou a programação para todo o ano de 2015.

Esta é uma obra adaptada do romance de Gustave Flaubert, publicado em 1857. Esta é a história de Emma, uma mulher sonhadora da pequena burguesia inglesa. Criada no campo, Emma aprendeu a ver a vida através da literatura sentimental. Bonita e requintada para os padrões provincianos, casa-se com Charles Bovary, um médico do interior tão apaixonado pela esposa quanto entediante. Emma, cada vez mais angustiada e frustrada, ao sentir-se presa a um indissolúvel casamento, busca no adultério uma forma de encontrar a liberdade e a felicidade. Apesar da intensa procura de uma vida plena, dificilmente consegue sentir-se satisfeita com o que é e o que tem.

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Apesar do tom muito melancólico, indolente e pachorrento que é muito característica de toda a narrativa desta obra literária, esta adaptação para o cinema consegue ainda ser mais parada e apática. O trabalho de Sophie Barthes na realização é meio desleixado e o argumento de Felipe Marino transforma esta história – que é já por si pouco interessante – numa dos filmes de época mais entediantes e esquecíveis dos últimos anos. Sabendo que é difícil realizar uma obra deste género com um budget pequeno de filme independente, sentimos no entanto que Barthes não consegue usufruir dos pontos fortes que a película poderia ter, como o elenco e a fotografia.

Recentemente vimos estrear no LEFFEST’15 uma obra algo semelhante a este género de filme. Amour Fou – que depois veio a ganhar o prémio para melhor longa-metragem no festival lisboeta –  soube muito melhor aproveitar das suas potencialidades técnicas e artísticas do que este desinspirado Madame Bovary. Este filme de Barthes assume-se assim como uma falhada tentativa de adaptação de um clássico da literatura francesa e o seu nível de pouca inspiração faz até lembrar o sofrível Bel Ami de Donnellan e Ormerod, protagonizado por Robert Pattinson.

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Longe também de se afirmar como um mau filme, Madame Bovary é antes um filme razoável e extremamente medíocre. E a partir do momento em que a realização e o argumento se revelam frágeis isto vai dar o tom a todo o filme e a todas as suas especificidades técnico-artísticas. Por exemplo o elenco. Mia Wasikowska afirma-se como um dos grandes talentos em ascensão em Hollywood e no cinema norte-americano mais independente. Depois de fazer um trabalho fabuloso em Stoker de Park e de ter uma fantástica performance no papel de Agatha no último filme de Cronenberg (Mapas Para as Estrelas), a atriz retorna às prestações medíocres que fazem lembrar o terrível papel de Alice em Alice no País das Maravilhas de Tim Burton.

Ezra Miller também não é um ator que devíamos olhar de lado. Tendo menos repertório para mostrar que Mia, ele usufrui de trunfos gigantes no mundo da representação que o confirmam como um dos mais talentosos atores da sua geração: Temos de Falar Sobre Kevin e As Vantagens de Ser Invisível. Já para não referir o Paul Giamatti que é o único que, talvez por toda a carreira que já detém sobre o seu nome, foi o único que realmente brilhou na câmera de Sophie Barthes.

Em suma, Madame Bovary é um filme que se for visto é imediatamente esquecido. Uma obra tão pouco memorável que nos deixa quase incrédulos com a sua mediocridade e falta de carisma. O elenco é forte na teoria, mas na prática deixou bastante a desejar, já para não falar da fraca realização e do chato argumento.

5.5/10

Ficha Técnica

Título: Madame Bovary

Realizador: Sophie Barthes

Argumento: Felipe Morino (filme); Gustave Flaubert (livro)

Com: Mia Wasikowska, Ezra Miller, Paul Giamatti, Henry Lloyd-Hughes

Género: Drama