Jurassic World, a nova sequela da saga Jurassic Park, chegou a semana passada aos cinemas com a promessa de um retorno ao conceito que tornou o primeiro título da série num clássico do cinema. Até agora, o filme de Colin Trevorrow tem manifestado o desejo do público pelo regresso dos dinossauros ao cinema com a angariação de uns estrondosos 524 milhões de dólares no fim-de-semana estreia. Mais interessante é ainda constatar que Jurassic World responde com qualidade ao fenómeno de sucesso de bilheteira que já constituiu.

Se existe um factor histórico que coloca o cinema de Hollywood na lógica de uma cultura universal, esse é o do entretenimento. Se há 22 anos, Steven Spielberg tinha provado com o inovador Jurassic Park que um filme de série B podia alcançar o estatuto dos grandes filmes americanos, então o primeiro grande trunfo de Jurassic World é, indubitavelmente, a consciência dessa sua herança.

Neste sentido, o filme desenvolve um argumento que traduz uma fórmula muito semelhante à do original, com um tom que é, porém, muito mais conformista com o estilo dos blockbusters da nossa altura. O enredo coloca assim o problema num dinossauro “maior e mais poderoso”, evidenciando desde o ingrediente principal de uma típica sequela americana. Esta nova espécie de dinossauro, denominada de Indominus Rex, lança o pânico quando escapa do seu cárcere em Jurassic World, um novo e bem-sucedido parque temático, responsável por colocar o Homem num contacto saudável com os dinossauros.

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Nesta equação, surgem as personagens principais interpretadas por Chris Pratt e Bryce Dallas Howard enquanto Owen e Claire. Owen é um investigador de dinossauros especializado no seu comportamento e Claire a gestora de operações do parque. A dupla improvável assume-se (não só narrativamente) como uma das grandes energias do filme, mantendo-o sempre interessante e apresentando uma química de atores tão forte como o carisma conferido às suas performances, traduzido numa forte credibilidade das suas personagens.

Jurassic World tem também, evidentemente, bastantes falhas. De facto, o argumento não tem nada que o distinga especialmente, repetindo a mesma fórmula que já tantos outros filmes de acção usaram. Destes destacam-se essencialmente a coragem de um grupo de crianças, a crueldade do homem corporativo, o problema mais recorrente do aproveitamento e da destruição da Natureza.

A questão é que se o enredo do filme é incrivelmente previsível, e manifesta alguns dos mais esperados clichés do género, ele consegue quase sempre surpreender visualmente com um desenlace fantástico de momentos chave. E efectivamente o filme exige ainda a predisposição certa ao espectador, e essa é efectivamente a da consciência de que a acção é francamente implausível e regida pelos propósitos de distracção e entretenimento.

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Um dos outros problemas parece estar ao nível da realização na criação do conceito da própria sequela. A película dá muitas vezes a sensação de se associar mais a um remake do que a uma sequela. É verdade que as várias referências a Jurassic Park são refrescantes e mais que bem-vindas, mas por vezes parece que estas expressam mais uma espécie de reminiscência do que propriamente uma ideia de continuidade em relação à acarinhada série.

Esta decisão não prejudica, no entanto, outras escolhas meritórias como as da apropriação dos timings certos para as cenas, o uso correcto de violência, e a revitalização de alguns efeitos práticos, popularizados pelos grandes realizadores de ficção científica e acção, que continuam ainda a ser sinónimo de magia e fascínio no cinema.

No final de contas, Jurassic World cumpre os seus objectivos. É efectivamente caracterizado por um retorno ao monster movie estando, simultaneamente, adaptado para satisfazer um público mais geral. Não é, porém, por isso que deixa de perder a sua espectacularidade e originalidade.

7.5/10

Ficha Técnica

Título: Jurassic World

Realizador: Colin Trevorrow

Argumento: Rick Jaffa, Amanda Silver, Colin Trevorrow e Dereck Connoly;

Com: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Jake Johnson, Ty Simpkins, Nick Robinson;

Género: Acção e Ficção Científica