Os D’Alva são uma das bandas portuguesas emergentes do último ano. O grupo estreou-se no ano passado com o disco #batequebate e pisou palcos de festivais de renome e casas conceituadas. Preparam-se agora para um concerto no CCB, em Lisboa, no próximo dia 19, tendo atuado no sábado passado no Rivoli, no Porto.

Assumem, sem vergonha, a sua música como Pop, embora bebam das diferentes influências musicais que possuem. Encontrámos Alex D’Alva Teixeira e Ben Monteiro numa esplanada no Cais do Sodré para uma conversa frutífera em que abordámos diversas temáticas.

Espalha-Factos – Já percebi que é um dia importante para vocês, finalmente vocês estão os dois apenas a trabalhar na música…

Ben Monteiro – Não é só! Mas está quase.

Alex D’Alva Teixeira – Mais ou menos. Vem agora a season dos festivais e vamos estar mais concentrados…

BM – Sim, no Verão só vamos estar a fazer música, não vamos fazer mais nada.

ADT – Depois em setembro as coisas vão mudar um bocado…

EF – O verão é aquela época alta?

ADT – Sim, e temos de estar preparados. Há muito trabalho que é preciso ser feito para além daquilo que as pessoas veem no palco.

BM – Preparação, ensaios, produção…

ADT – Por exemplo, o Ben faz muito direção de espetáculos. Há muita coisa num concerto que é pensada. Até porque nós quando tocamos ao vivo não tocamos as músicas tal e qual… [elas são no álbum]. Há momentos que são diferentes e é preciso criar isso, é preciso compor essas partes.

EF – Passado um ano do vosso disco como dupla, para além do projeto em nome do Alex D’Alva Teixeira em que trabalharam os dois, é caso para dizer que #bateramquebateram?

BM – Batemos alguns recordes, para nós.

ADT – Houve muita coisa que mudou na medida em que agora há mais pessoas a ouvir a nossa música e a conhecer aquilo que nós fazemos. E cada dia que passa há sempre mais pessoas interessadas em conhecer e em quererem vir aos concertos. Antigamente, havia… sei lá, 300 pessoas, ou mais, vá, no máximo mil. Hoje em dia vamos ao Facebook e temos mais de 6 mil pessoas interessadas e nós não compramos likes (risos), não fazemos campanhas dessas cenas… Até porque queremos ter a certeza de que as pessoas que lá estão, estão mesmo interessadas no que temos para dar.

EF – Vocês ainda acham que estão a ser descobertos por muita gente, passado um ano?

BM – Sexta-feira ou sábado recebemos uma mensagem no Facebook… e quando alguém está a ouvir a tua música e se dá ao trabalho… “Não, eu vou ao Facebook, vou meter um like e vou mandar-lhes uma mensagem e dizer: “descobri o vosso disco na segunda-feira, estou a ouvir há uma semana e não consigo parar de ouvir, obrigado.” Sim, ainda há pessoas que estão a descobrir. Ao mesmo tempo, neste fim-de-semana, eu estive fora com a Ana Cláudia [Ben toca com a cantora] e num dos sítios estava uma pessoa que veio ter comigo só por causa de D’Alva, porque viu que eu tinha posto uma fotografia no Instagram e que estava naquela cidade e foi tentar perceber onde é que eu estava e veio-me dizer “E quando é que há outro disco? Precisamos de outro disco”. Portanto, nós estamos naquele tempo intermédio em que quem nos segue desde o início quer mais coisas. Mas ao mesmo tempo ainda há muita gente que nos está a descobrir. Mas, sim, o saldo é muito positivo. Por um lado eu tinha expectativas grandes para o nosso disco. Por outro, não eram na forma de como as coisas aconteceram. E aí foi completamente diferente.

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EF – Não estavam à espera desta projeção toda?

BM – Não é necessariamente ter muita projeção, mas o tipo de projeção. Nós temos alguns amigos que estão um bocadinho à nossa frente, outros que estão um bocadinho atrás, a nível de tempo de carreira. Mas toda a gente nos costuma dizer, para uma banda que tem um ano, que aquilo que está a acontecer connosco não é muito normal. Mas mais do que conseguir aferir isso a nível de quantidade e de qualidade, as portas que se têm aberto para nós são muito diferentes da maior parte [das “portas”] dos nossos colegas. Nós temos colegas que ganham mais, tocam mais, mas que provavelmente nunca vão fazer algumas das coisas que nós já fizemos… ou que estão agendadas para fazermos. Por exemplo, o princípio do ano é muito mais lento. E há alturas em que tu duvidas “Será que as coisas estão mesmo a correr bem?” E depois começamos a olhar, “mas espera, estamos a fazer isto, estamos a fazer aquilo”, e eu não estava à espera disso. Eu estava à espera de que a coisa corresse muito bem, mas não que acontecesse com os contornos que está a ter. E aí foi muito mais além do que qualquer expetativa. Aí, sim, bateu. Está a bater demais.

EF – Acham que é a vossa Pop alegre e descontraída, ou como o quiserem caracterizar, que atrai mais as pessoas?

ADT – Acima de tudo, as pessoas ouvem a nossa música, o nosso disco, e dizem que se sentem bué bem. E querem ouvir outra vez. Então, especialmente quando o álbum acaba, parece que querem sempre ouvir mais. Então quase que há uma vontade de ouvir tudo do início e em repeat mesmo. Especialmente no início, eu lembro-me de falar com as pessoas e elas diziam-me “Eu oiço esta música, antes de ir para o trabalho, ou então quando acordo de manhã, e é mesmo aquela música fixe para começar o dia”.

BM – Outra das coisas [que nos dizem] é que o disco tem estado non-stop a tocar no carro das pessoas, desde que entrou nunca mais saiu do carro… A leitura que podemos fazer é que este disco e a maneira como o fizemos cria uma qualquer atmosfera que é confortável e que sabe bem às pessoas. A música pode ser profunda mas não tem de ser profunda em coisas dark. O nosso disco tem tonalidades mais introspetivas mas fizemos um disco que nos fizesse sentir bem. E eu penso que, a partir do momento em que nós nos sentimos bem a fazê-lo, as pessoas ao ouvi-lo também se vão sentir bem. E depois nos concertos ganha outra dimensão ainda, aumentamos esse universo. Mas eu sinto é o peso da responsabilidade de continuar isso. Não sei como é que tu continuas… não sei, essa é a parte estranha agora. Mas acima de tudo parece que vai pela alegria, pelo bem-estar e pela boa disposição. E quando estávamos a fazer o disco eu estava a chegar a um ponto super complicado de uma depressão. Para teres noção… pelo menos metade deste disco, enquanto estava a ser feito, eu estava deprimido. Mas gravemente mesmo. E depois fui diagnosticado. Portanto, é bué interessante perceber como é que fazemos um disco tão fixe e eu estava no fundo do poço. Mas aconteceu.

EF – Vocês acham que as vossas influências de outros estilos musicais, de outros projetos que vocês já tiveram, foram decisivos para fazer este álbum?

ADT – Acho que sim. O álbum é muito heterogéneo e vai mesmo a muitos sítios diferentes. Parece que cada canção tem uma era e um estilo diferente… até porque nós ouvimos todas essas coisas. No fundo, acho que conseguimos aglomerar todas as coisas que gostamos nesse disco. Tens momentos em que são mais Rock, momentos que são mais dançáveis, mais introspetivos…

BM – Mais eletrónicos…

ADT – Acho que tens todas as cores possíveis do espectro. Se calhar com intensidades ou energias diferentes, mas está tudo lá…

EF – Falando agora um pouco sobre música portuguesa, como é que vocês avaliam o estado atual?

BM – A música portuguesa a nível criativo está muito boa. Talvez o melhor que esteve nos últimos dez anos. A nível do negócio, não está nada boa. O paradigma continua a mudar: como estar, como trabalhar música, como fazer música… E se fora de Portugal as acontecem um pouco mais depressa, se aí as grandes editoras ainda estão a tentar perceber como fazer as coisas, quanto mais aqui.

Nós fizemos o nosso disco em casa. Soube muito bem. Soube mesmo muito bem. Estamos super orgulhosos da maneira como soa. E se neste momento me oferecessem um estúdio para fazer o novo disco de D’Alva, eu acho que não aceitaria. Porque não preciso. E isso é uma diferença que eu vejo nos jovens músicos… aprendem a fazer tudo em casa, estamos aqui ao pé da ETIC onde montes de gente está a estudar produção [musical]. Portanto, nesse aspeto as coisas estão ótimas.

BM – A indústria… há muitos managers e editoras a trabalhar num formato estanque datado e vês coisas a acontecerem, tipo D.A.M.A., uma coisa que toda a gente concorda que musicalmente é fraca, ou melhor, não é nada de especial, – e eu respeito o trabalho deles, cada pessoa está livre de fazer o que quer – têm esta expressão mesmo a nível comercial e de concertos, mas daqui a dois anos já não tocam. Já ninguém quer saber. Porque as miúdas que agora estão malucas [com a banda] cresceram e de facto ali não há nada sólido.

Mas a indústria mais antiga continua a apostar neste tipo de coisa. Por exemplo, vês uma editora grande que tem os D.A.M.A. e a outra editora grande vai fazer uma coisa parecida. Por exemplo, quando os One Direction rebentaram, passados só para aí três anos é que em Portugal perceberam “ah, se calhar temos de voltar a ter… isto das boys band funciona”. Então uma editora grande fez uma boys band e outra editora grande fez outra boys band. E não resultaram. O que é que acontece? Destroem-se os sonhos destas pessoas que entram nisto porque querem cantar e fazer música e veem ali uma porta… mas estas pessoas nunca mais vão fazer nada. Esta maneira antiga de estar na música tem que cair. E aí Portugal está muito (…) muito atrás.

Nós não temos Ministério da Cultura, logo aí não há apoio como existem noutros países. Mas por exemplo, Portugal neste momento é o berço do Tradiio, que, para muita gente, mesmo fora de Portugal, é o possível grande rival do Spotify. E as editoras nem sequer estão a perceber muito bem como é que a coisa está a acontecer. Portanto, tens o pessoal antigo que é muito lento e tens o pessoal novo que pega num Mac e faz um EP. Eu penso que a nível criativo estamos melhores do que nunca. No dia em que tivermos as condições todas, eu nem quero imaginar sequer onde é que a música portuguesa pode chegar.

ADT – Eu não tenho nada a acrescentar (risos).

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EF – Em termos de novas sonoridades ou artistas, o que acham que podem ser as próximas tendências?

BM – O disco do Justin Bieber, com o Kanye West.

ADT – Não sei… o Kanye também produziu a Madonna e não foi assim… No fundo o que vai bater é aquilo que as pessoas estiverem dispostas a ouvir, tal como aconteceu connosco. Havia previsões, nós estávamos em listas “A próxima cena vão ser os D’Alva”, mas antes do álbum sair, estávamos cheios de medo. “Isto é bué Pop!”

BM – O pessoal estava-nos a pôr nas listas sem ouvir o disco… (risos)

ADT – Na altura o pessoal estava a ouvir os Linda Martini, os PAUS, ou seja, toda a gente estava a ouvir música bué alternativa, e o nosso disco é bué Pop! Mas aconteceu, as pessoas estavam dispostas. Queriam ouvir o Frescobol, o #batequebate. Há uma coisa que o Ben diz com frequência que é muito verdade: nós trabalhamos muito para fazer isto acontecer. Nós trabalhamos no duro mesmo. Mas também há uma variável que nós não controlamos, que é a sorte. E há sempre uma dose de sorte no meio disto tudo.

BM – Eu acho que nos próximos dois/três anos há muita Pop nova que vai aparecer, e forte. E eu quero tentar estar o máximo envolvido possível com esses artistas. E acho que é uma das coisas que eu sinto que estava a faltar na música agora em Portugal. Os refrões grandes… algum tipo de estética sónica…

EF – Mas acham que havia algum estigma contra a Pop?

BM – Sim, sem sombra de dúvida. Agora já não.

ADT – A palavra Pop começou a ficar muito suja a partir dos anos 90. Quando aparecem os fenómenos… de repente há imensas boys band, cantoras, cantores…

BM – A Pop começa a ser fabricada. A Madonna foi descoberta por não sei quem… não havia esta fábrica…

ADT – E havia coisas que eram suposto serem fabricadas, mas depois ganham um contorno diferente. Por exemplo, as Spice Girls. Houve um casting, elas foram escolhidas. Mas depois há uma altura em que elas estão a viver todas juntas e ficam amigas e estão a fazer músicas delas. Ou seja, as coisas levam tempo. Não é escolher esta pessoa, esta e esta… a música está pronta, vocês vão fazer esta coreografia. Ou seja, não tens poder de escolha nenhum sobre o que está a acontecer.

BM – E a nossa música é super genuína. Quando pensas em Pop, podes dizer o Justin Timberlake, ou a Jessie J, ou podes dizer a Jessie Ware. São as duas coisas Pop. Dentro da Pop cabe muita coisa. Há rappers que são Pop. Mas depois também tens o Justin Bieber, há pessoas que pensam no Justin Bieber e que pensam que Pop é aquilo. Nós uma vez demos uma entrevista na [Rádio] Radar e disseram-nos “Este disco está a soar um bocado, pronto… Pop”. E nós: “sim, e?” Começou a ser um problema. Para nós não é problema nenhum (risos). Mas felizmente agora há mais pessoas a fazerem.

EF – Vocês também ajudaram a “destigmatizar” a Pop em Portugal?

BM – Eu acho que sim. Não é que nós sejamos responsáveis pelo trajeto de outros artistas, eu penso que eles já iam nesse sentido, mas acho que o nosso disco ter aparecido foi uma ajuda fixe.

ADT – Mas eu ainda hoje pergunto: O que é que torna a tua música Pop? Há muita coisa que é relativa. Há discos Pop dos anos 90 que eu estou a ouvir e a música é um bocado esquisita.

BM – Não tem a ver com a estrutura nem com a forma.

ADT – Nós escolhemos a palavra Pop acima de tudo porque conseguia agregar todas as influências que nós temos e todos os estilos a que nós conseguimos chegar. Porque o que nós temos não consegues catalogar com uma palavra… Não é Hip-Hop, não é Rock, não é Indie, não é Metal, não é eletrónica…

BM – Para mim a Pop é quando a música comunica facilmente com muita gente. Podemos dizer que o Inglês é a língua mais Pop que existe porque é a língua que toda a gente sabe. Pop é um bocado isto, é música que comunica de forma bastante clara com muita gente.

ADT – Eu encaro a Pop como uma plataforma muito vasta. Eu oiço uma música que tem um beat Trap e aquilo pode ser Pop, e depois também há cenas mais Pop Rock… ou então depois há cenas mesmo Pop, nem que seja da Britney Spears, em que o arranjo é completamente Rock. Não sei, talvez até o próprio conceito de Pop muda consoante a década…

BM – Volto a dizer, não é a forma nem a estética, necessariamente. É a maneira como tu metes a tocar… por exemplo, houve um estudo para testar com miúdos autistas qual era a música a que eles reagiam mais ou que gostavam: era Beatles. Pá, Beatles, na sua maioria, é super Pop. O que é que acontece? Com a Pop tu não precisas… Por exemplo, nós gostamos muito de Hardcore, ou Post-Hardcore, ou Punk. E para perceberes aquilo, precisas de um contexto. Eu não chego e mostro um disco de Refused à minha mãe e ela vai perceber. Não vai (risos). “Porque é que ele está a gritar?” E eu vou ter de explicar.

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EF – Em coisas que se calhar têm uma subcultura associada…

BM – Exato. E a Pop não precisa disso. Não precisas de um manual de instruções. Ouves, reages. Nesse aspeto, até o Avicii e esses gajos são Pop… e o David Guetta. Pop não tem instruções. Olha, metes… e bate.

EF – Voltando um pouco a vocês, o que é que se pode esperar dos concertos no CCB e no Rivoli?

ADT – Há bué coisas que ainda são surpresa. Coisas que não fizemos antes… A formação da banda é ligeiramente diferente. É incrível, sempre que há uma coisa qualquer, seja um festival, uma coisa nova para os D’Alva, nós estamos sempre a fazer uma coisa que nunca fizemos. Há sempre coisas que estamos a fazer pela primeira vez. Posso adiantar… há props de palco (risos), há convidados [Isaura já foi anunciada pela banda], musicalmente há coisas que são diferentes… e mesmo em coisas mais básicas como as luzes e as projeções, até nisso nós pensámos. Tem de haver um upgrade. Acima de tudo não vai ser o concerto que as pessoas já viram antes.

BM – De todo. Vai ser mesmo digressão 2.0. Deu muito trabalho a montar.

EF – Foram os concertos mais complicados de preparar neste último ano?

BM – Sim… o ano passado foi muito complicado para nós preparar o Alive, porque íamos tocar com um coro de Gospel. Eram mais dez pessoas, era preciso fazer a pré-seleção das canções que eles iam tocar connosco, era preciso perceber onde é que eles iam cantar, como é que a coisa podia funcionar. Depois foi preciso estar com eles, perceber os arranjos… isso deu muito trabalho. E aqui está a ser equivalente. Porque uma coisa é estares a ver D’Alva ao ar livre e em pé, ou estares no Musicbox ou num clube em que estás em pé, outra coisa é sentado. E isso é a nossa grande barreira. E em Portugal… fazer música passa muito por dar concertos para pessoas sentadas. Isso para nós… é que o nosso concerto é super energético e agora vai ter de ser dinâmico, ou seja, nós vamos ter de fazer a coisa funcionar para quem está sentado.

EF – É um grande desafio para vocês?

BM – É. É porque nós vimos mesmo do Hardcore. E no Hardcore é 1, 2, 3, 4 e dás tudo de ti. Chegas ao final do concerto e tens nódoas negras…

ADT – Ou estás a sangrar! (risos)

BM – Exato e nós sabemos fazer isso bem. A questão aqui é conter melhor a energia. O que é que é difícil? Tu podes ter um carro super potente, mas se não tens mãos para o segurar não te vale de nada. É um bocado isso. Portanto está a ser uma aprendizagem…

EF – Mas sem ser essa parte da gestão dos convidados, os festivais são então mais fáceis para vocês?

ADT – Este ano, sim. No ano passado eu não diria que seria fácil porque estávamos no início e estávamos a fazer festivais grandes pela primeira vez. Acho que agora já sabemos como é que funciona.

BM – Já sabemos estar em palcos grandes e o ano passado tivemos a sorte de estarmos em palcos de grandes dimensões, o que também é importante… tu ensaias numa sala de ensaio que não é muito maior neste espaço onde nós estamos [Ben estica os braços], mas depois estás num palco gigante… e então isso é diferente, a dinâmica. Mas sentimos que nos festivais médios e grandes estamos completamente em casa. Portanto agora o desafio são estas datas assim, em que as pessoas estão sentadas. Eu sei que as pessoas esperam que nós digamos para se levantarem… mas a partir do momento em que fazes isso, e depois? Há pessoas que ficam sentadas e esses também têm de entrar… nós em janeiro demos um concerto num auditório considerável e tocámos exatamente como sempre tocámos e percebemos que não… não dá para ser assim. Correu bem à mesma mas percebemos que não. Portanto nós estamos a aprender… eu penso que é ótimo porque está-nos a fazer melhores músicos, está-nos a preparar melhor para o futuro que muita gente espera que tenhamos, que não sei se vamos lá chegar (risos)… mas sim. A partir do momento em que tens… os Buraka já fizeram o CCB?

ADT – Não sei…

BM – Mas nós já vimos os Buraka na Aula Magna. Portanto já vimos os Buraka num auditório. Epá, e aquilo correu muito bem…

ADT – Eu levantei-me. (risos)

BM – Eu também! (risos)

EF – Por falar em futuro, como estavas a dizer, o que é que os D’Alva vão andar a fazer em 2015? Muita estrada?

BM – No verão, sim.

ADT – Há coisas que queremos fazer, para além do óbvio, é óbvio que queremos fazer canções novas, mas há outras coisas que também queremos fazer. E acima de tudo há coisas que gostávamos de experimentar, até na forma como apresentamos a nossa música, como fazemos a nossa música chegar… mas para isso é preciso haver investimento, alguém que invista nisso, então… nós neste momento não temos dinheiro suficiente para o fazer. Mas nunca se sabe o que pode acontecer. Eu e o Ben estamos sempre a falar em ideias novas e plataformas diferentes…

BM – Mas neste momento estamos focados em tocar.

ADT – E para mim é o que eu gosto mais de fazer. Eu gosto imenso de fazer música, curto bué de estar com o Ben a fazer música… até porque cada canção é um desafio. Começamos a fazer tudo do zero, e é um processo muito artístico. É a mesma coisa que eu estar a dizer “I love my job” (risos). Mas para mim a melhor parte são os concertos. São aqueles 40 ou 90 minutos em que estamos no palco. Acho que é por isso que nós fazemos discos. É o mais importante. Mais do que haver um álbum, do que haver um quadrado guardado numa prateleira ou uma coisa redonda de que sai som, é o contacto com as pessoas.

BM – Mas uma das coisas que queremos fazer é, mais para o final do ano, fazer salas mais pequeninas, clubes mais pequeninos, cafés-concerto… Queremos fazer umas datas consideráveis. Para perceber como é que funcionamos assim porque a nossa carreira não vai ser sempre festivais grandes e auditórios como o CCB. E queremos mesmo perceber como é que funcionamos enquanto banda e como é que a coisa funciona aí… esse dia vai chegar. Vai chegar um dia em que só temos concertos mais pequenos e esses concertos têm de funcionar. E não só. Temos uma proximidade maior com as pessoas e isso para nós é importante. E assim permite-nos ir a zonas de Portugal que não dá para ir de outra maneira. E pronto, para já é isso. Nem estamos a pensar em fazer um disco novo…

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EF – Era a minha última pergunta…

ADT – (risos) Não, ainda não. Estamos a pensar em fazer coisas mas não é propriamente um disco… mas isso não exclui o facto de haver um disco mais à frente. Vai haver um disco mas não é agora. Não é em 2015 ou 2016. Há muitas outras coisas que uma banda pode fazer sem ser um álbum.

BM – Pelo menos um álbum de originais. E neste momento não me apetece minimamente fazer um disco de originais.

EF – Vocês não têm sequer ainda nada pensado?

BM – Não, nós temos uma ou outra ideia em que vamos trabalhando, eu vou sempre guardando umas ideias que me vêm à mente, mas nem me sinto motivado a fazê-lo, para já. Para já estamos mesmo muito focados em tocar o melhor que pudermos. Portanto, lá está, ou estás a tocar, ou estás a gravar… não dá para fazer bem as duas coisas.

ADT – Mas se a pergunta é se nós vamos continuar a fazer música nova, nós vamos continuar a fazer música nova. E não sei, da maneira como nós trabalhamos… o nosso álbum demorou muito tempo a ser feito. As coisas demoram a ser feitas. Mas acima de tudo nós queríamos que estivesse on point e ficou on point.

BM – Sim, isso é uma coisa importante para nós.

EF – O detalhe?

BM – Sim, sim. Mesmo quando um detalhe é um erro. Há acidentes que acontecem quando estás a gravar e às vezes esses acidentes conferem personalidade à canção e então deixamos ficar. Mas, sim, em tudo o que fazemos há uma palavra que é importante: excelência. E é uma das coisas que me motiva mais. Em tudo o que eu faço, eu vou ter de dar o melhor que eu posso naquele momento. Mas, pá, não estamos com pressa. Nenhuma.

EF – Não sentem a pressão dos fãs?

BM – Ainda esta semana houve alguém que me perguntou quando é que nós fazíamos um disco novo (risos)

ADT – Eu acho que as pessoas estão muito habituadas a terem sempre discos.

BM – E se calhar não há mais ninguém que faça o que estamos a fazer. Por isso se calhar é importante haver outro disco. Vem o dos Salto em breve, se calhar eles ocupam bem esse espaço. Mas, sim, se fôssemos fazer um disco agora, provavelmente iria soar totalmente diferente ao #batequebate.

EF – Em termos de sonoridade?

BM – Sim, provavelmente iria ser muito mais eletrónico, mas não eletrónico na maneira como as pessoas estão a pensar. Provavelmente iria ser muito mais universal e não tanto português. Ia ser português mas não ia ser de uma maneira que só os portugueses conseguissem ouvir. Ia ser uma coisa mais ampla. Mas isso era neste preciso momento (risos)… Mas nós vamos fazer qualquer coisa em breve, não sabemos muito bem o quê, mas já estamos a falar nisso.

ADT – Acima de tudo, eu não quero estar a fazer promessas. Mas não estamos deitados à sombra da bananeira…