A StarUp de junho dá-te a conhecer a Landing.Jobs, uma plataforma que quer revolucionar os processos de recrutamento. O Espalha-Factos esteve à conversa com David Bento, Head of Operations desta startup, e conta-te os planos para o futuro da empresa bem como as suas expetativas em relação à primeira edição do Landing Festival, um festival de emprego tech… num barco (e com sardinhas no espaço)!

 “Queremos criar uma forma de revolucionar o mercado trazendo valor acrescentado para o candidato” – David Bento

Criada há cerca de um ano e meio por Pedro Carmo Oliveira e José Vicente Paiva, a Landing.Jobs (que até há pouco tempo se chamava JOBBOX) pretende colmatar falhas no processo de recrutamento, como a falta de transparência ou o desencontro entre as necessidades das empresas e a procura dos candidatos. Diz David Bento: em 2020, 900.000 posições em empresas estarão por preencher“.

_MG_2518

Para responder a estas e outras falhas, a plataforma permite às empresas encontrar o seu “match perfeito”, segundo um processo mais simples, rápido e transparente, tanto para elas, como para os candidatos. “Queremos ser o mais transparente possível. O que acontece muito em consultoras é que fazes uma candidatura, mas às vezes nem sabes o nome da empresa. O que fazemos é: todas as ofertas que nos chegam são sempre vistas por nós. É diferente do que acontece por aí“, afirma David.

Um dos trunfos da empresa são as referências – a base deste inovador processo de recrutamento. Sim, a Landing.Jobs quer recompensar quem referenciar o candidato ideal para uma determinada vaga. A empresa que queira ver uma vaga ocupada só tem, assim, de colocar a sua oferta na plataforma bem como a recompensa que está disposta a atribuir a quem recomendar o “melhor” candidato. A recompensa mínima é de 250€, podendo ultrapassar os 1000€. “Quase que se pode fazer disto um emprego“, brinca David.LJ

Mas a Landing.Jobs não se fica por aqui. Esta startup quer também beneficiar o próprio candidato, trazendo-lhe “valor acrescentado“. Afirma David: “o nosso objetivo é conseguir criar processos e iniciativas que tragam valor acrescentado aos candidatos, ou seja, o processo de recrutamento deixa de ser penoso e passa a trazer valor acrescentado. O candidato chega ao fim e pensa ‘esta malta ajudou-me'”.

Apesar de focados no mercado de IT, não excluem a hipótese de se expandirem para outros mercados. “Temos várias ideias até para freelancing, por exemplo, e eventualmente explorar outros mercados, mas neste momento estamos focados em IT. Queremos sim criar processos em que as empresas vão conhecendo os seus candidatos através de um processo de ‘matching’ que nós disponibilizamos de uma forma mais simples para elas“.

“Diz-se que uma semana aqui equivale a quatro semanas numa empresa normal. O ritmo a que as coisas acontecem aqui é muito grande” – DB

Se no início a Landing.Jobs contava apenas com os seus dois fundadores, um ano e meio depois são 15 as pessoas que aqui trabalham. 60% são portugueses, os restantes são estrangeiros: “É importantíssimo ter outras nacionalidades na equipa porque o nosso mercado é global”, defende David._MG_2487

Incubada na Startup Lisboa, num ano e meio a Landing.Jobs cresceu: chegou a novos países, teve de se mudar para um escritório maior e alcançou clientes de renome, como a Minicplip, o Spotify ou a portuguesa Muzzley. Nós trazemos valor acrescentado ao mercado. As empresas reconhecem isso e vêm ter connosco quase naturalmente”, afirma.

Agora com um investimento de 750 mil euros da Portugal Ventures, a Landing.Jobs quer chegar com força ao mercado inglês. Pedro Oliveira, um dos fundadores, mudou-se para Londres para se focar na inserção da empresa neste novo mercado. Mas em vista estão também outros horizontes: “o futuro é aberto. Podemos eventualmente pensar no mercado em Berlim, eventualmente Barcelona, mas são coisas ainda muito hipotéticas”, revela David. “É difícil prever onde vamos estar daqui a um ano, daqui a três meses, por exemplo“.

Imagem renovada e um festival disruptivo

Problemas de ortografia, empresas com nome semelhante, disponibilidade dos domínios e a necessidade de ter um nome que espelhasse de forma mais fiel os valores da empresa, levaram a um processo de rebranding, escreve a equipa no seu blogue. Assim, de JOBBOX chegaram a Landing.Jobs. Processo que parece ter sido bem recebido pelos clientes: “Estamos muito próximos do nosso utilizador. Acho que neste momento ninguém se lembra da Jobbox“, afirma David._MG_2519

O Landing Festival, que se realiza no próximo dia 18 a bordo do veleiro Príncipe Perfeito no Rio Tejo, tem como objetivo “esquecer a Jobbox e elevar a marca Landing.Jobs para que toda a gente a conheça”. Este festival, que foge às tradicionais feiras de emprego, “vai permitir juntar empresas incríveis com candidatos incríveis”, diz David.

As pessoas querem ter noção do que é que efetivamente se faz numa empresa, não apenas ouvir falar malta dos recursos humanos ou do corpo gestão, num pitch onde tentam vender o seu peixe. [As pessoas] querem ter uma visão do peer, ou seja, a pessoa que trabalha lá há dois, três anos tem uma história para contar: o que é que ela faz no seu dia a dia, quais os seus desafios“. E é isso que propõem oferecer.

_MG_2474

O Landing Festival pretende ser, assim, um evento direcionado para o candidato, juntando empresas e candidatos de forma informal e pessoal, num ambiente propício à partilha de experiências. “Vamos ter ‘peer picthes’, onde um peer de cada empresa vai estar presente a fazer um pitch sobre uma história real que lhe aconteceu“.

Confirmadas estão já empresas nacionais, como a Feedzai ou a Talkdesk, mas também estrangeiras, como a Typeform de Barcelona ou a DigitasLBi de Londres.

_MG_2473

A procura do festival excedeu as expetativas. Se inicialmente o evento estava preparado para 200 pessoas, rapidamente se adaptaram para receber 300. Para espanto da equipa, a procura continuou a crescer e a resposta da Landing.Jobs passou por um “esforço logístico tremendo“: acabaram por aceitar 500 candidatos, de entre as quase 650 inscrições submetidas.

E vamos enviar uma sardinha para o espaço”, anuncia David. “Estamos na altura dos Santos e pensámos enviar a primeira sardinha para o espaço”. A iniciativa será feita em conjunto com o Balua Project.

“Às vezes estás a trabalhar e nem te apercebes” – DB_MG_2509

Com uma equipa jovem e “multicultural”, a Landig.Jobs recebe frequentemente “sangue novo”: “Achamos importante [receber pessoas novas]. É win-win. É interessante receber pessoas novas que trazem ideias diferentes, estão com vontade de aprender”. 

Apesar de não gostar do rótulo de empreendedor, David olha com otimismo para o panorama das startups em Portugal. “Tem sido ótimo nos últimos tempos ver as rondas de investimento que as startups portuguesas têm tido. A Feedzai recebeu 17,5 milhões de investimento, a Talkdesk 15 milhões. Temos visto aqui uma ‘startup scene’ portuguesa a evoluir de maneira considerável”, comenta o Head of Operations desta promissora startup portuguesa.

Fotografias de Inês Delgado.