Estreou a 14 de junho nos Estados Unidos a season finale de Game of Thrones. Como expectável (mas sem sabermos o que esperar), deixou a larga maioria dos seus fãs em estado de choque. Lê aqui a crítica e análise do episódio Mother’s Mercy. Atenção aos spoilers!

Não é segredo nenhum que esta quinta temporada tinha já ficado aquém do que estávamos habituados em Game of Thrones, mas o último episódio, para melhor ou para pior, relembrou-nos o quão doloroso pode ser apegarmo-nos a certos personagens. Em cerca de uma hora, e varrendo depois as redes sociais, o último episódio da temporada arrasou com plotlines inteiras de forma rápida e eficaz (em concordância com as próprias mortes com que nos presenteou).

Stannis, o eterno conquistador, o veterano de guerra que passou temporadas a reunir apoio, pagou caro o preço de ter queimado viva a sua única filha Shireen. Com a mulher a enforcar-se, Melisandre a abandoná-lo e metade do exército a desertar, decidiu ainda assim que teria capacidade para vencer os Bolton em Winterfell. Foi invariavelmente esmagado, ou não fossem estes novos jogadores do Norte excelentes na capacidade de vencer qualquer oponente. É no entanto Brienne quem parece desferir o golpe final sobre Stannis, vingando (finalmente!) o seu querido Renly. Graças à cena da execução propriamente dita ter sido fora do ecrã, existem já as incontornáveis perguntas da conspiração – porque não vimos Stannis a morrer diretamente? Será que, à moda da série, haverá ainda uma reviravolta?

GoT-S5E10-Stannis

Dentro da cidade, Sansa tenta uma vez mais a sua sorte na fuga. Myranda quase a mutila (o que poderíamos esperar de uma amante invejosa?) antes que Reek tenha finalmente a sua crise de consciência e a empurre para uma queda de vários metros, onde observamos o seu corpo a esborrachar-se na pedra, salvando assim Sansa. De seguida, ambos correm e se atiram das muralhas para a neve lá em baixo. Uma vez mais, o seu destino é incerto, mas talvez com tudo isto já possamos voltar a chamar Theon ao rapaz.

Vamos a King’s Landing. A rainha é liberta? Sim. Confessa-se apenas na esperança de poder voltar à sua vida de luxo e conspirações maquiavélicas? Também. E decerto o fará. Mas não sem antes sofrer uma (extremamente gráfica) caminhada de penitência até à residência real, nua e de cabelo cortado. Aguenta-se firme sobre uma chuva de comida, violência e insultos, mas era expectável o seu colapso após entrar no castelo. Alguns dirão que foi demais, mas lembremo-nos que Cersei é uma rainha sem escrúpulos e que mandou prender, em primeiro lugar, a sua nora Margaery (cujo destino não nos é revelado nesta finale). Por aqui, faço ecoar apenas a ladainha da freira que a seguia: shame, shame, shame.

cersei

Em Dorne, tudo parece inicialmente bem. Quão ingénuos fomos ao pensar que Ellaria estava genuinamente arrependida? Que não se iria vingar? Após uma cena enternecedora no navio entre Jaime e Myrcella (deixemos o julgamento sobre aceitar o incesto para outra altura, por favor), a princesa loira e perfeita – quem sabe se retirada diretamente do inventário das princesas Disney – começa a sangrar do nariz e da boca antes de colapsar sobre os braços do tio (ou pai). Não odiemos Ellaria. É impossível fazê-lo se considerarmos quão poético é envenenar alguém através de um último beijo.

myrcella

Em Braavos, Arya desiste de obedecer às ordens do seu mentor misterioso e consegue finalmente riscar mais um nome da sua lista – o de Meryn Trant. Após mais uma “encantadora” cena de violência contra raparigas pequenas num bordel, Arya desmascara-se e esfaqueia o guerreiro em ambos os olhos e no peito, gozando-o antes de lhe rasgar a garganta. É justo. A perda de Ser Trant não deixa ninguém a chorar e a pobre Arya já anda às voltas com a lista há demasiado tempo. Mas desobedecer a ordens tem sempre um custo – e após ser repreendida por Jaqen, a mais nova filha dos Stark acaba por cegar, em pânico.

arya stark

E Daenerys? Parece que a rainha deixou o trono. Desde a jogada dos Sons of the Harpy no penúltimo episódio, a ex-khaleesi decidiu ir passear com o seu dragão antes de entender que ainda não o conseguiu domar e que bestas como esta fazem o que querem sem dar justificações. Com o que não contava era a horda de dothraki que subitamente aparece e a rodeia. Serão amigáveis? Hostis? A única coisa que sabemos é que, invariavelmente, só daqui a um ano é que descobrimos.

daenerys

Mas nem tudo é mau – Varys voltou! É sem dúvida um ponto positivo ouvirmos de novo o eunuco a referir os seus “passarinhos”. Com Tyrion encarregue de liderar uma Meereen corrupta e dividida na ausência da mãe dos dragões, a presença do espião mais sassy da televisão será sem dúvida uma ajuda.

No final de episódio, o coração de vários fãs despedaçou-se. Como não podia deixar de ser, a cena que encerrou a temporada deu azo a um plot twist. Não será certamente necessário descrever a cena em que Jon Snow parte deste mundo, uma vez que todos os fãs a terão gravada a ferro e fogo na memória até ao final da série. A traição da Night’s Watch ao seu comandante, enquanto possa chocar, é compreensível – há já muito tempo que Jon tinha poucos amigos e era ameaçado pelos outros membros. Foi a derradeira (mas hesitante) facada do jovem Olly que deu aquele toque especialmente amargo à cena. “For the Watch.”

jon snow

Com um total de mortes bem acima do comum nos episódios anteriores da temporada, Mother’s Mercy já gerou uma onda de indignação em tudo semelhante ao episódio The Rains of Castamere, imortalizado pelo famoso Red Wedding. Com a larga maioria dos fãs em choque, teremos de novo que esperar bastante tempo até podermos observar a resolução de tudo o que se passou neste final. Será talvez para melhor – não é fácil digerir a queda de Cersei, o perigo no destino de Daenerys, a cegueira de Arya, bem como as mortes de Jon Snow, Stannis, Selyse, Myranda, Meryn Trant e Myrcella.

Em contraste com muitos dos episódios anteriores, Mother’s Mercy marcou pela diferença e destacou-se imensamente. Isto é dor, ansiedade, stress e raiva. É, sem qualquer dúvida, Game of Thrones no seu melhor.

Nota: 9/10