O cinema português tem, a partir de hoje, mais um motivo de orgulho. O filme As Mil e Uma Noites, de Miguel Gomes, consagrou-se este ano o vencedor da competição anual levada a cabo pelo Sydney Film Festival, dada a sua elaboração “corajosa, audaciosa e vanguardista”.

A presidente do júri do Festival, Liz Watts (produtora de Animal Kingdom) considerou a obra de três volumes “um filme ambicioso e com uma visão política que confronta, frustra e fascina — relembrando-nos que o cinema continua a ser um veículo poderoso para examinar a condição humana”. Watts destacou a envolvência tempestiva do filme, tendo como fonte as medidas de austeridade que resultaram na opressão e exploração portuguesas, nos últimos anos. “Por último, o filme recorda-nos que os valores de esperança e resistência são fundamentais para o reavivar do espírito humano”, refere a cineasta.

Miguel Gomes3

Para realizar este filme, Miguel Gomes contratou jornalistas que encontrassem, por todo o país, histórias da vida real que pudessem ser adaptadas, usando a estrutura do original As Mil e Uma Noites. De facto, este é um filme que combina histórias políticas tanto cómicas como dramáticas, potenciadas por secções de género documental e toques de uma fantasia surreal que compõem um retrato vivo daquilo que é um país que luta contra adversidades.

O realizador independente conhecido pela sua obra Tabu, mostrou-se felicíssimo pelo prémio arrecadado que competia contra outros 11 filmes, entre os quais 3 australianos: The Daughter, Strangerland e Sherpa.