Diogo de Oliveira e Frederico Loureiro têm vindo a conquistar um lugar de destaque no mundo da dança. Ambos alunos da Escola Domus Dança (Porto) têm conquistado prémios e mostrado que em Portugal se formam bailarinos de qualidade. Nas comemorações deste 10 de junho, são convidados das cerimónias oficiais em Lamego. O Espalha-Factos quis conhecer melhor estes dois prodígios. Afinal como é o caminho até à vitória?

Diogo de Oliveira, 16 anos: “A dança é algo que eu gosto bastante de fazer todos os dias, porque é uma coisa que permite transmitir ao público os nossos sentimentos .”

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©João Figueiredo

Diogo de Oliveira começou nas aulas de dança aos 11 anos. Os seus tios eram professores e incentivaram-no a experimentar uma aula. Gostou e hoje encontra na dança uma paixão.

Todos os dias de manhã tem aulas no ensino regular e durante a tarde vai para a escola de dança. Despende cerca de cinco horas por dia na dança, quer seja em ballet clássico, contemporâneo, pas de deux, preparação física ou ainda em aulas de reportório ou algumas coreografias originais.

Diogo não esconde que a dança exige um enorme esforço e dedicação, mas é algo que lhe dá imenso prazer. Também não é fácil conciliar com a sua vida pessoal, mas o jovem bailarino revela que consegue arranjar sempre algum tempo.

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Depois há momentos que definitivamente já o marcaram: os concursos em que participa. Diogo faz parte de uma turma especializada nos Programas de Alto Rendimento da escola, para alunos que queiram seguir dança, e isso permite que participe em concursos.

 “Eu acho que todos os concursos são momentos que nos marcam, porque temos sempre alguma coisa de diferente e são experiências que enriquecem”, revela-nos Diogo. O último em que participou foi o Youth America Grand Prix, em Nova Iorque. Diogo trouxe para Portugal um  primeiro lugar como Solista Clássico, desta vez já no escalão Sénior, depois de ter obtido o mesmo lugar, no escalão júnior em 2013. O jovem bailarino ainda conseguiu classificar-se no top seis de Solistas Contemporâneos.

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“O que eu considero mais importante no concurso Youth America são as bolsas de estudo, porque são de facto  o que é necessário para nós bailarinos conseguirmos acabar a nossa formação numa boa escola, para mais tarde podermos ter maior facilidade nesta área”, conta-nos Diogo.

O concurso divide-se em aulas e variações apresentadas em palco. É nas aulas que os diretores das escolas avaliam os estudantes de dança, para depois lhe atribuírem as bolsas. O seu desempenho fez com que recebesse um total de cinco bolsas de estudo: para a Académie Princesse Grace do Mónaco, Tanzakademie Zürich, Ballett-Akademie Hochschule für Musik und Theater, Munique e para o curso de Verão da École de Danse de l’Ópera National de Paris.

Entre todas escolheu a École de Danse de l’Ópera National de Paris. Em outubro já tinha sido convidado pela diretora da escola. Em abril teve a confirmação para nos próximos dois anos frequentar a escola. “Eu não estava mesmo nada à espera, porque é a escola de ballet mais antiga de todas e tem de facto um prestígio enorme. Eu fiquei bastante feliz”, afirma Diogo com muito orgulho.

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Já foi a Paris para fazer uma aula, que funcionou como uma espécie de audição, e onde pôde conhecer a escola. Este verão fará um curso de duas semanas e depois terminará a sua formação na prestigiada escola. É também aqui que Diogo tem alguns ídolos na Companhia da Ópera de Paris.

Quanto à competição no concurso, não o intimida. “Há uma vertente competitiva bastante elevada, que acho que é bastante agradável, porque puxa cada vez mais por nós para darmos o nosso melhor e incentiva-nos a trabalhar mais, para sermos o melhor possível” afirma o jovem bailarino.

Para estas conquistas é necessário ter bons apoios da família, dos amigos e dos professores da escola Alexandre de Oliveira e Sílvia Boga.

Em Portugal, ainda vai dançar a Gala de Primavera da escola que frequenta.

Frederico Loureiro, 14 anos: “A dança é algo onde podemos despertar o que sentimos através do movimento e da nossa expressão, podemos mostrar ao público o que gostamos de fazer.”

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©João Figueiredo

Frederico começou na dança muito cedo. Via bailados na televisão e começava a imitar os “bonecos”, como o próprio diz. Começou numa escola da Póvoa de Varzim e depois veio para a Domus.

Agora o seu dia é preenchido pela dança. Está no nono ano e tem aulas até às 15h30, depois vem para a escola de dança até às 21h30. Quanto ao tempo que passa com os amigos, Frederico refere que tenta conciliar com a dança. “É um bocado difícil mas eu costumo arranjar tempo, consigo-me organizar”, afirma o jovem bailarino.

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Também Frederico participou no Youth America Grand Prix, onde conquistou o primeiro lugar como Solista Clássico Júnior e um primeiro lugar como Solista Contemporâneo Júnior. Devido ao seu desempenho, Frederico vai frequentar um estágio integrado no curso regular na escola Palucca Schülle, em Dresden. O jovem bailarino irá frequentar a escola por algumas semanas, no próximo ano letivo.

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Nestas vitórias, também Frederico destaca a confiança nos dois professores da escola. “Eles apoiam-me muito a este nível do que eu gosto de fazer. É um apoio para continuar e não desistir nos momentos mais difíceis”, afirma também em relação ao apoio da família e dos amigos.

Desde que tem conseguido as distinções nos concursos, Frederico sente que tanto ele como a dança têm sido mais reconhecidos. Até pelos colegas na escola que sentem curiosidade e também querem experimentar esta atividade. “Eu acho que é importante para nós e mesmo para a sociedade em geral para verem e porque é um privilégio e porque o ballet não tem assim grande apoio”, afirma o jovem. Este ano, juntamente com Diogo de Oliveira, foi convidado no âmbito das comemorações do 10 de junho em Lamego, pelo trabalho de destaque que têm feito na dança.

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Para quem queira ver Frederico dançar vai ter uma oportunidade bem próxima. O Auditório Municipal de Vila do Conde recebe no dia 14 de junho a produção de fim de ano letivo da Domus com excertos da Paquita ou de uma coreografia de contemporâneo.

Depois de todo este caminho na formação, resta-nos esperar onde podemos ver estes dois jovens bailarinos em palco.