Junho é o mês marcado pelas festas populares e pelo aumento do consumo de sardinhas. Estima-se que, em média, se comam 13 sardinhas por segundo em Portugal durante este mês. No entanto, essa é uma média que pode diminuir em breve.

Apesar de parecer elevado, o consumo da sardinha em Portugal nunca foi tão baixo. A razão prende-se com a falta de cardumes na costa portuguesa. Em 2014, apenas foram pescadas 28 mil toneladas de sardinhas o que indica uma descida, em comparação com números de há 30 anos atrás que apontam para 200 mil toneladas de sardinha pescada.

Para explicar estes números, os cientistas apontam para a dificuldade na renovação do stock de juvenis. A nortada de inverno tanto pode ter consequências positivas como negativas: neste caso, as negativas sobrepõem-se. A nortada provoca uma dispersão dos ovos e larvas o que dificulta a sua maturação.  O aumento da temperatura da água do mar pode ser outro fator explicativo: as temperaturas quentes são melhores para as cavalas e não para as sardinhas. Como agravante, a cavala é uma espécie que se alimenta de sardinhas juvenis.

A sardinha, explica Gonçalo Carvalho, da Pong-Pesca (uma plataforma de organizações não-governamentais portuguesas para pescas) deve ser preterida em favor do carapau e da cavala. Porém, nestes casos, não se criou uma cultura em seu redor, como aconteceu com a sardinha. É a sardinha barata que mantém a cultura da sardinha: com a sua rarefação, os preços tendem a aumentar e isso repercute-se no decréscimo do seu consumo.