Terceiro e último dia de NOS Primavera Sound. Altura para utilizar os velhos chavões como “o que é bom acaba depressa”. Mas a verdade é que a experiência Primavera marca. Àquilo a que a música diz respeito, destaque para Damien Rice, Foxygen, Death Cab for Cutie, Ride ou Underworld.

Como nos outros dias de festival, o primeiro concerto teve o português como língua oficial. Manel Cruz, a lenda, o ídolo, revisitou os temas dos seus projetos anteriores, como Supernada ou Pluto. Foi, aliás, com a música Sexo Mono dos Pluto que se deu um dos melhores momentos de todo o concerto. A plateia esteve sempre à altura e a puxar por Manel, tendo alcançado um encore logo no primeiro concerto do dia.

Foto cedida pela organização – © Hugo Lima

Foto cedida pela organização – © Hugo Lima

No Palco NOS, Baxter Dury era vítima do balancear do público entre os palcos. No entanto, sem nunca desistir, presenteou os festivaleiros com um bom espectáculo. Bastante comunicativo, Dury salientou a importância do concerto: “hoje é o dia mais importante do ano: estamos no Porto.”

Thurston Moore e a sua banda deram, no Palco ATP, um concerto sublime e cheio de rock. Moore foi um dos fundadores dos Sonic Youth e neste formato com a sua banda as raíses sónicas mantêm-se. Guitarras e mais guitarras. Destaque ainda para o muito público presente no palco.

Os Foxygen abanaram por completo todos aqueles que se encontravam no Palco Super Bock. A energia que a banda vinda da Califórnia entregou ao concerto foi indescritível, sem qualquer momentos de silêncio. Tanta energia só pode estar ligada ao combustível do vocalista Sam France que bebeu de uma só vez uma garrafa de Jameson.

Depois do psicadelismo dos Foxygen, tempo para o som meloso de Damian Rice. Acompanhado apenas pela sua guitarra acústica, Damian é um cantor de mão cheia e competente, bastante competente. O público, maioritariamente feminino, sabia as letras todas de cor, causando por diversas vezes bonitos coros. O momento mais marcante aconteceu quando The Blower’s Daughter se fez ouvir, elevando isqueiros e telemóveis.

IMG_1017

Em 2012, os Death Cab For Cutie foram impedidos de atuar por causa da chuva, três anos depois, e com céu limpo, a banda norte-americana deu um concerto que cumpriu. Os picos de euforia bateram quando Meet Me On The Equinox se fez ouvir, o efeito Twilight a chegar ao Primavera.

Foto cedida pela organização – © Hugo Lima

Foto cedida pela organização – © Hugo Lima

Os Ride apareciam como cabeça de cartaz no dia de hoje, no entanto o público do Primavera assim não o entendeu. A oferta era muita e de altíssima qualidade como as Ex Hex no Palco Pitchfork ou o rock dos The KVB no ATP. Os Ride não são um nome familiar aos portugueses, mas tentaram negar isso com todas as suas forças, dando um concerto bem conseguido e sem falhas técnicas. Só foi mesmo pena o pouco público.

IMG_1203

À 00h40 o Palco Super Bock volta a transformar-se em pista de dança graças a Dan Deacon. A electrónica super atual conjugada com percursão não deixaram ninguém parado. Bate o pé, põe os braços no ar e anda de um lado para o outro. O norte-americano entre para o TOP 3 dos melhores do dia.

Foto cedida pela organização – © Hugo Lima

Foto cedida pela organização – © Hugo Lima

O último concerto do Palco NOS chegou em género de after-hours. Os britânicos Underworld iriam apresentar o álbum que os trouxe ao sucesso internacional em 1994, dubnobasswithmyheadman. Mais uma vez o público não correspondeu, talvez pela hora tardia ou então porque o tech/house do grupo não vai ao encontro do espírito do Primavera. A setlist para o concerto seguiu o alinhamento do álbum, com exceção de Born Slippy. NUXX que foi guardada para o fim. De resto, os Underworld foram aquilo que se esperava, batidas fortes e um regresso ao passado.

Foto cedida pela organização – © Hugo Lima

Foto cedida pela organização – © Hugo Lima

Acabou assim mais um NOS Primavera Sound, o mais concorrido de sempre, com 77 mil pessoas. Podem já marcar nas vossas agendas, o Primavera volta em 2016 entre 9 e 11 de junho.

 Fotografias: Joana Isabel Mendes