Lisboa e Porto, duas cidades que desde sempre andaram em guerra. A menina e moça nunca foi à bola com o ar grave e sério da mulher do norte e vice-versa. O que vale é que lisboetas e portuenses acabam as discussões regionalistas num qualquer café da esquina a beber uma bela cerveja, ou se preferirem, uma imperial ou um fino, porque afinal de contas somos todos gente da mesma terra.

No primeiro sábado de cada mês o Espalha-Factos passa a ser o campo de batalha para um confronto mensal entre duas belíssimas cidades portuguesas. Nesta guerra de regiões, palavras, fotografias e vídeos são as únicas armas permitidas. A vitória!? Será decidida por ti através dos teus comentários.

Num mês de festividades resolvemos colocar duas festas características das duas metrópoles em competição. Neste mês o confronto será entre as Festas de Lisboa e o São João do Porto.

Festas de Lisboa

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As principais festas populares em Lisboa ocorrem a 12 e prolongam-se até 13 de junho, em honra do santo padroeiro da capital, o Santo António.

A procissão de Santo António marca o momento religioso destas festividades. Na manhã do dia 12, a procissão sai da Igreja de S. António, em Alfama, local onde o santo nasceu em 1193. Depois de percorrer as ruas que rodeiam a Sé de Lisboa, a procissão acaba com o casamento dos noivos de S. António. Não admira que as festas populares de Lisboa sejam marcadas por casamentos: desde há muitos séculos que são festividades ligadas ao solstício de verão e, em especial, à fertilidade. Os majericos são uma das formas encontradas pelos namorados para se declararem: as quadras ajudam a confessar o amor. Os mais jovens ainda queimam alcachofras para saber do seu futuro amoroso e pedir proteção.

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Durante a noite, as Marchas Populares enchem a Avenida de Liberdade de vida e cor. A competição é renhida entre os bairros lisboetas que querem sagrar-se vencedores dos desfiles das marchas.

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Nos principais bairros da capital, a festa prolonga-se pela noite fora. Em Alfama, na Graça, na Bica, na Mouraria, Ajuda, Madragoa ou no Bairro Alto é comum ver-se pessoas a comer sardinhas e caldo verde, a beber e a divertir-se. Os mais corajosos atrevem-se a saltar à fogueira. Os balões servem de decoração a esses bairros e acrescentam-lhes apontamentos de cor.

São João do Porto

A história das festas de São João do Porto existe há já bastante tempo, mas só mesmo no século XX é que este evento evoluiu para as grandes festividades que se celebram atualmente. Os festejos populares já tinham lugar no século XIV como festas pagãs, no qual as pessoas celebravam a fertilidade, associada à alegria das colheitas e da abundância. Só mais tarde, a Igreja cristianizou a festa e atribuiu como padroeiro São João.

Em meados do século XIX, a festa já contava com milhares de portuenses nas ruas da Invicta, e em 1910, um concurso hípico realizado nos festejos contou com a presença do infante D. Afonso. Foi pouco depois da revolução de 5 de outubro de 1910 que o 24 de junho começou a ser considerado feriado municipal na cidade do Porto, graças a um referendo feito para o povo, atribuído pelo Jornal de Notícias em janeiro de 1911.

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As festas do São João tornaram-se então um símbolo de grande animação na cidade do Porto, atraindo cada vez mais pessoas ao longo dos anos. É uma noite onde uma miríade de tradições se misturam, entre elas o famoso alho-porro, usado para bater nas cabeças das pessoas que passam, e os ramos de cidreira, que eram usados pelas mulheres para passar pela cara dos homens. Tradicionalmente, estes dois componentes eram símbolos da fertilidade, atribuídos à virilidade masculina e ao órgão genital feminino, respetivamente.

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O lançamento dos balões de ar quente é também uma tradição muito comum na cidade: na noite da festa, centenas de balões são lançados um pouco por toda a cidade, enchendo o céu com a sua luz. Os famosos martelos de São João foram introduzidos na festa a partir dos anos 70, cumprindo a mesma função dos alhos-porros, embora ajudando a alegrar a noite com os sons característicos dos apitos no seu interior. Os tradicionais saltos sobre as fogueiras, feitos normalmente nos bairros mais tradicionais, e os manjericos com versos populares são também muito comuns.

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À meia-noite, o fogo-de-artifício na Ponte D. Luís é o ponto principal e o que leva milhares de visitantes a participar nas festividades, ajudando a alegrar ainda mais as ruas do Porto. O fogo-de-artifício na noite de São João costuma durar mais de quinze minutos e é considerado como um dos melhores do mundo. Nos famosos arraiais populares costuma haver concertos, acompanhados com boa comida como cabrito assado ou as mais tradicionais sardinhas. A festa dura até de madrugada, quando as pessoas decidem voltar para casa ou fazer um último percurso desde a Ribeira até à praia e assistir ao nascer do sol, marcando o findar da festa.

Texto da autoria da Alfacinha  Inês Chaíça e do Tripeiro Tiago Costa.