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Eurovisão: a vergonha dos 0 pontos já não acontecia há 12 anos

O novo milénio trouxe à Eurovisão pontuações astronómicas que já ultrapassam as três centenas de pontos (Noruega em 2009 e Suécia em 2012 e 2015 ultrapassaram os 300), mas o pesadelo de não receber um ponto de mais de 40 países votantes não desapareceu – e concretizou-se a dobrar na edição deste ano. Alemanha e Áustria repousaram no fundo da tabela sem serem escolhidos por ninguém, num cenário que ainda assim é raro no atual sistema de votação.

Nenhum país ficava com zero pontos numa final desde 2003, quando o Reino Unido passou a vergonha na Letónia – Cry Baby, dos Gemini, levou com as culpas de um voto que muitos dizem ter sido político, num castigo pela invasão britânica do Iraque nesse ano. Mas se desde 1975 que houve 13 edições com países sem pontos, a vergonha a dobrar, como em 2015, é ainda mais rara – e Portugal já teve que passar por isso.

http://www.youtube.com/watch?v=wl7LIKG9Nds

Em 1997, depois de Lúcia Moniz registar a melhor pontuação portuguesa, Célia Lawson e Antes do Adeus foram corridos a zero pontos, juntamente com a Noruega. Os noruegueses eram, até este ano, recordistas nos zero pontos – em 1963, 1978, 1981 e 1997 – mas foram igualados pelos austríacos – infelizes em 1962, 1988, 1991 e 2015.

Também em 1983 houve dose dupla de nulos – com a Turquia e a Espanha a partilharem a inglória dos zero pontos. O caso espanhol é frequentemente citado como o mais injusto dos nulos, com Remedios Amaya e o seu Quien Maneja Mi Barca a ser um sucesso no palco, a ser recebido com ovação no final da actuação.

http://www.youtube.com/watch?v=B3-0DLbQP2E

Antes de 1975, com os júris a darem pontos a apenas três canções, os zero pontos não eram raros e não constituíam uma ofensa eurovisiva tão grave como com o atual sistema de pontuações, que premeia 10 canções. Ainda assim, Portugal partilha com a Lituânia o facto de ter recebido as piores boas-vindas da Eurovisão – em 1964, a Oração de António Calvário não colheu qualquer ponto, e o lituano Ovidijus Vynsniauskas, com Lopisine Mylimaj, repetiu a proeza em 1994.

Em 2004 e em 2009, a Suíça e a República Checa sofreram com os zero pontos nas suas semi-finais, mas raramente são contabilizados nas contagens. O top, desde 1956, fica:

7 vezes a 0 – Áustria e Noruega
3 vezes a 0 – Alemanha, Espanha, Finlândia e Suíça
2 vezes a 0 – Bélgica, Holanda, Portugal e Turquia
1 vez a 0 – Islândia, Itália, Jugoslávia, Lituânia, Luxemburgo, Mónaco, Suécia, Reino Unido

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